Fotos Marcelo Corrêa
Sol, verão, biquíni. Na praia, na piscina do clube ou no deck da pousada, é quase inevitável a gente cair na tentação de avaliar a “concorrência”. Quando vemos o desfile de garotas enxutas dá aquela vontade de melhorar o visual — quem sabe investir numa lipo ou colocar uma prótese de silicone nos seios? Se a ideia passou pela sua cabeça, aproveite esta reportagem e tire todas as suas dúvidas.
P. Estou acima do peso. Posso fazer lipo mesmo assim?
R. Se você estiver com mais de 7 quilos acima do ideal para o seu tipo, a lipo é contraindicada. É importante entender que se trata de uma cirurgia de acerto de contornos e não deve ser encarada como um método para emagrecer. Há um limite de gordura que pode ser retirada.
P. Acabei de pegar uma cor. Posso fazer a lipo já bronzeada?
R. Sim, mas só se você tomou todos os cuidados para garantir um bronzeado seguro e adequado, usando protetor solar e mantendo a pele bem hidratada. Se você “torrou“ no sol, sua pele fica muito sensível para ser submetida a qualquer tipo de procedimento – a própria assepsia (limpeza antes da cirurgia) pode piorar a queimadura local prejudicando o tratamento cirúrgico. Também há o risco de haver hipo ou hiperpigmentação no local da perfuração com as cânulas já que há concentração de melanina (pigmento que colore pele e cabelos) na epiderme por causa do bronze.
P. Tenho pneuzinhos na barriga e nas costas. A lipo é a melhor solução?
R. Sim, a lipo é uma solução para eliminar gordura bem localizada (aquela que não sai com dieta e exercícios), mas o resultado depende de sua pele ter boa elasticidade e de você estar num peso relativamente adequado (no máximo 6 quilos acima do ideal) para seu corpo.
P. Se eu fizer a lipo no fim de janeiro, já vou ter o resultado definitivo em fevereiro?
R. Não. Apesar dos avanços técnicos que reduziram bastante o tempo de convalescença, os efeitos não são imediatos. O desaparecimento do inchaço e a reacomodação da pele podem demorar uns 30 dias. O resultado definitivo chega depois de seis meses a um ano. Esse prazo depende também dos cuidados no pós-operatório e nos meses seguinte à cirurgia, como dieta equilibrada e prática regular de exercícios. Muitas recém-operadas recorrem à drenagem linfática para reduzir o inchaço. Embora seja uma ótima opção, ela só deve ser feita mediante liberação do médico.
P. A lipo tira a flacidez da pele que sobrou?
R. Depende. “Justamente por não eliminar a flacidez, esse procedimento deve ser realizado em pacientes que apresentem pele elástica e gordura localizada. Só nessas circunstâncias, após a retirada de gordura, a pele se retrai e se acomoda na região”, afirma Eduardo Andrade, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Já o cirurgião plástico Sergio Aluani, também membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, diz que, dependendo do grau de flacidez, a pele pode se retrair. “Para isso, o cirurgião deve utilizar técnicas específicas de movimentação da cânula e perfuração durante a cirurgia”, diz ele.
P. Lipo não é cirurgia, ou é?
R. Claro que é! Trata-se de um procedimento cirúrgico que deve ser realizado por um cirurgião plástico, em local adequado, com todo suporte hospitalar necessário para enfrentar eventuais complicações, que podem acontecer em qualquer tipo de operação.
P. Se eu tirar a gordura de uma região do corpo e voltar a engordar, os pneus podem se formar em pontos próximos da lipo?
R. Depende de quanto você engordar. A região lipoaspirada melhora todo o contorno corporal, por isso, se houver um aumento de peso pequeno ou moderado, não ocorrerá perda do resultado. Por outro lado, se você ganhar muito peso, as células de gordura restantes começam a armazenar os excessos (já que as células gordurosas aspiradas não voltam).
P. Como é que vou saber se meu médico é ou não especialista?
R. Basta você consultar o site oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br). Ele oferece informações sobre os cirurgiões pertencentes à sociedade. Mas atenção: eles estão classificados em diferentes categorias — aspirantes, especialistas e titulares. Apenas os titulares passaram pelo teste de aprovação e só eles são especialistas e estão habilitados a realizar cirurgias plásticas.
P. Posso tirar toda a gordura extra?
R. Não. Há um limite máximo de retirada de acordo com cada paciente (mas, em geral, vai de 5 a 7% do peso corporal). O exagero pode debilitar o organismo porque junto com a gordura há também sucção de sangue. Converse com seu médico antes, fale de suas expectativas e ouça a avaliação de quanto pode ser removido do seu corpo.
P. Como é o dia seguinte? Dói?
R. Sim. Embora cada mulher reaja de modo diferente à dor, todas as ex-operadas declaram que sentiram dor. E a coisa piora porque a sensação fica mais perceptível no dia seguinte, quando o efeito da anestesia passa. Prepare-se para uns 15 dias de incômodo, mas saiba que os cirurgiões costumam indicar analgésicos durante o período.
P. O melhor é colocar o implante na frente ou atrás do músculo?
R. Isso depende do que se deseja. Para um efeito mais natural, a prótese deve ser colocada atrás do músculo; para conseguir mamas mais projetadas, o ideal é que ela seja colocada sobre o músculo.
P. Se endurecer, o que posso fazer?
R. O endurecimento da prótese ou, como chamam os médicos, contratura capsular tornou-se uma ocorrência rara graças ao avanço na fabricação das próteses — antigamente tinham uma superfície lisa, e hoje podem ser texturizadas ou de poliuretano, mais bem aceitas pelo organismo. Se ocorrer a contratura, dependendo do grau e do desconforto da paciente, a cápsula que se formou ao redor da prótese pode ser retirada total ou parcialmente e a prótese trocada ou recolocada em outra posição peitoral.
P. Meu peito é grande, mas flácido. A prótese dá jeito?
R. Tudo depende do grau de flacidez e do tamanho de prótese que você deseja. Quando existe flacidez de pele e as mamas estão caídas é preciso retirar o excesso de tecido.
P. O pós-operatório é dolorido?
R. Sim, e a dor tende a ser mais intensa na primeira semana. Mas, o cirurgião pode receitar analgésicos para aliviar o problema.
P. Se eu não gostar do resultado posso tirar a prótese?
R. Pode, mas há inconvenientes. Caso a pele já tenha se expandido para acomodar a prótese, com a retirada haverá sobra de tecido e isso terá de ser corrigido com outra cirurgia. Por isso a cirurgia deve ser muito bem planejada para que se tenha o máximo de informações sobre seus prós e contras.
P. É possível para qualquer mulher ganhar seios deslumbrantes com o silicone?
R. Não. O resultado depende do tamanho original, do desenho e da elasticidade da pele das mamas de cada mulher. Além disso, o cirurgião avalia o efeito do implante no conjunto do corpo, considerando as novas proporções e a simetria.
P. Como definir o tamanho ideal?
R. O melhor caminho é conversar com o cirurgião. Só ele é capaz de avaliar se o tamanho que você quer combina com seu tipo de corpo e de mama.
P. Eu vou perder a sensibilidade nos seios?
R. Embora os cirurgiões plásticos digam que não, algumas operadas reclamam de perda parcial da sensibilidade. Especialmente quando as cicatrizes se localizam em torno das aréolas.
P. O implante dá câncer?
R. Não. Segundo os especialistas, não há estudos científicos que associem a prótese como fator determinante de câncer.
P. A prótese de silicone impede a amamentação?
R. Não. A prótese não impede a amamentação porque ela é sempre colocada embaixo do tecido mamário e não interfere na produção de leite.
P. Para que serve o sutiã especial usado no pós-operatório?
R. Essa peça garante maior sustentação, conforto e proteção das mamas nos dias seguintes à cirurgia, além de auxiliar na acomodação adequada dos implantes. Segundo os médicos, ele deve ser usado por, no mínimo, 15 dias.