As cordinhas de tecido amarradas nos punhos são para proteção. Ganhou de um amigo índio no dia em que foi batizada de Petsipe: bela e forte em tupi-guarani. Não há melhor definição para este furacão de força e beleza que chama atenção por onde passa. Não por ser mais bonita que outras mulheres, não por ter um corpo perfeito, não pelos olhos verdes ou pelos lábios sensuais que enlouquecem os homens. Luana é Luana porque tem alguma coisa diferente: atitude, postura, firmeza, autoconfiança. Persegue seus objetivos, sofre suas dores, festeja suas conquistas. Corre atrás da vida e sabe bem o que quer: ter sucesso na sua profissão e ser feliz. Adjetivos como mandona, exigente e metida chegam como conseqüência. “Para isso, estou fazendo terapia”, retruca.
Qual é o segredo da auto-estima nas alturas? “Aprendi que a gente tem que se preencher, tem que se gostar, se sentir capaz. Então eu vou atrás dos meus sonhos. Estudei muito e hoje acho que sou competente no que faço. Isso me faz sentir segura.” Segurança que se reflete também na maneira de lidar com seu corpo. Está basicamente satisfeita. Não mudaria quase nada em seu 1,78 metro. Apenas as unhas, que queria mais fortes, e o bumbum, que, segundo ela, poderia ser mais durinho. Mas, já que não é exatamente uma amante da musculação, se conforma em não ter um bumbum, digamos, como o da Feiticeira.
Malhação para ela é mesmo obrigação e não prazer. Por isso, prefere não perder muito tempo com ginástica. “Não gosto, mas faço. Vou à academia, completo o meu treino mais rápido possível e pronto! Missão cumprida!” Quando tem tempo, procura também andar na praia ou fazer as aulas de alongamento com movimentos de balé do professor Jean Marie, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro (RJ). Mas depois que começou a ensaiar duas peças ao mesmo tempo, interrompeu a musculação e passou a se dedicar integralmente ao teatro. “Passava de seis a oito horas ensaiando. Uma loucura!” Nesse período, muito alongamento e exercícios de expressão corporal mantiveram as curvas no lugar. “Na preparação de Alice no País das Maravilhas ainda fazia acrobacias e ioga. Nunca parei de me movimentar”, garante.
A correria foi tanta que Luana emagreceu e esteve a beira de uma estafa. Foi quando começou um tratamento com florais. “Não acreditava em terapias alternativas, mas estava tão mal que resolvi experimentar.” Desde então, as gotinhas, especialmente formuladas para ela, não saem de sua bolsa. “Quem disse que não existe tratamento para tristeza, cansaço ou depressão? Fiquei impressionada!”
Depois de superada uma fase difícil de sua vida — em busca de patrocínios para a sua peça infantil e se recuperando dos últimos abalos amorosos —, resgatou também os quilos perdidos e se sente melhor. “Fiquei muito magra, com os ossos aparecendo. Uma mulher bonita tem que ter curvas, cintura, peito. Isso é sexy.” Recuperou uns 2 quilos e agora se prepara para encarar um treino pesado de musculação para deixar suas pernas dignas de uma jogadora de futebol — próxima personagem que vai viver no cinema. A intenção é engrossar as coxas, parte do corpo que, por sinal, é usada por Luana para estimar seu peso, pois a bela não costuma subir na balança. “Passei dos 14 aos 18 anos na neura de regimes, contando calorias. Se engordava um grama já era motivo para preocupação.” Depois que deixou a carreira de modelo, mudou também seus hábitos.
Hoje, se alimenta com bom senso. “Não passo vontade de nada. De vez em quando ataco um doce de leite ou como um McDonald’s, mas sei me controlar. Me alimentar bem não é sacrifício, é exercício.” Além dos 3 litros de água por dia, não dispensa um belo café da manhã. Esse bom hábito aprendeu em casa, desde pequenininha. Primeiro toma um copo d’água em jejum. Depois come frutas. Suas favoritas são papaia, banana, uva — sem semente — e morango. E depois toma leite com pão e queijo. No almoço, quando a agenda permite, come em casa. Sua receita favorita é arroz integral refogadinho com alho-poró, brócolis ou espinafre. Sabe cozinhar? “Nada! Nem um ovo!” Mas manda fazer do jeito que gosta. Carne vermelha não é proibida em sua dieta, mas prefere frango ou peixe. À noite, come menos. O cardápio pode variar entre uma sopa ou um lanche leve acompanhado por leite, uma das paixões da moça. “Um leitinho quente com chocolate antes de dormir... Que delícia!”
A bela jura que sua principal preocupação é a saúde. As medidas enxutas (que ela não deixou conferir) são conseqüência. “Boa forma pra mim vai além do corpo. O importante é me sentir bem, ter pique, viver muito. Na minha festa de 80 anos, quero ser a última a sair da pista de dança”, garante. Com seus 27 anos recém-completados, Luana está cada vez melhor. Para ela, ser bonita é ser feliz, divertida, estar rodeada das pessoas que gosta.
Escolhe bem o que faz e com quem trabalha. Então se sente à vontade para pedir “uma cor bem Ipanema” ao amigo e maquiador Ton Reis ou “aquela cinturinha”, ao fotógrafo Valério Trabanco. Mantém tudo sob controle: decide a cor das unhas, escolhe as roupas que vai usar, dá palpite no penteado. Sem perder a pose nem cair do salto — anda sobre um 12 como se estivesse descalça. É isso que a faz Luana Piovani. Tirou as fitinhas do pulso para as fotos, mas continua protegida.”
Em 1995, vive a Eduarda na novela Quatro por Quatro, da rede Globo