Você tem o hábito de se olhar no espelho? E qual é a sua reação ao ver a própria imagem? Aquele sorriso cúmplice de quem diz “oba, hoje à noite vou arrasar na balada...” ou será que fica ligada só naquele maldito quilinho que se instalou no culote e, apesar do seu esforço, teima em não ir embora?
Será que não está na hora de fazer as pazes com o “espelho, espelho meu”? Acredite, tem sempre “alguém mais linda do que eu”. Seus padrões de beleza e boa forma passam perto do visual daqueles seres irritantemente perfeitos chamados Gisele B., Daniela C., Fernanda L., Ana H.? Esqueça. E seja feliz!
Ninguém precisa se igualar a modelos e atrizes magrinhas, com seios fartos, narizes bem desenhados e longos cabelos lisos, graças à ajuda da cirurgia, do silicone, do alisamento. Ou, ainda mais grave: à custa de dietas perigosas ou excesso de malhação que pode acabar com a saúde.
Segundo o psicólogo Marco Antonio De Tommaso, consultor das agências de modelo Elite e L’Equipe, Sandra faz parte de um time que tem uma ótima auto-imagem, ou seja, um “retrato mental” positivo de si mesma. Isso se deve a muitos fatores, inclusive à atitude da família em relação a ela durante a infância. “Nem sempre foi fácil ser gordinha”, ela admite, “mas nunca fui cobrada a emagrecer. Sou tão comunicativa e risonha que as pessoas nem prestam atenção ao meu tamanho. Minha vaidade passa pelo cabelo, pela roupa adequada, pela maquiagem e acessórios, não pelo peso. Gosto de mim!”
Um estudo recente realizado com 3 mil estudantes entre 12 e 20 anos, coordenado pela psiquiatra Paula Melin, no Rio de Janeiro (RJ), revelou que de cada dez jovens, sete estão insatisfeitas com o corpo. E mais grave: 30% fazem algum tipo de dieta (perigosa) para emagrecer e acabam desenvolvendo doenças relacionadas aos transtornos alimentares, como a anorexia — que provoca perda anormal de apetite — e a bulimia, em que a pessoa come em excesso e depois provoca vômito.
“Hoje a moda é feita para as modelos. Com isso, as jovens estão perdendo o referencial do próprio corpo, malhando além da conta, comendo errado e ficando meio andróginas”, alerta a psicoterapeuta Maria Cecília Vicente de Azevedo. O ideal, diz ela, é respeitar os próprios limites, ou seja, fazer ginástica com moderação e adquirir consciência no que toca à alimentação.
Uma outra pesquisa, realizada em julho último pela Avon, multinacional na área de cosméticos, vai além. Baseada em entrevistas com 21 mil mulheres de 24 países, traçou um mapa completo sobre auto-estima, sensualidade, uso de cosméticos e fragrâncias nos dias de hoje. Veja algumas das conclusões.
- 86% das brasileiras dizem que a aparência é fundamental para definir sua identidade, mas 36% declaram que estão insatisfeitas com a própria imagem.
- As brasileiras são mais preocupadas com a aparência que as demais mulheres do mundo, e mais dispostas a se submeter a procedimentos cirúrgicos, como lipo, para alcançar a beleza.
- 73% das mulheres do mundo nunca fariam uma cirurgia plástica, mas no Brasil esse índice é de 52%. Somos campeãs na paixão pelo bisturi.
- 87% das brasileiras se esforçam muito para ter sempre uma aparência melhor, sendo que o índice global é de 67%.
- Para 90% das brasileiras, cosméticos são necessidade e não luxo. Esse índice é maior até que nos Estados Unidos, onde só 67% declararam o mesmo.
Gisele Bündchen é alta, linda, mas não tem um nariz perfeito. A atriz Carolina Ferraz é ultrafeminina, sem seios turbinados. Se você ficar atenta, vai perceber que perfeição não existe. O que vale, mesmo, é tirar partido do que se tem de melhor. E, pode crer, todo mundo tem uma característica que merece destaque. É só descobrir e explorar!
MAGRA, SIM. DOENTE, NÃO!
Se você está perseguindo a magreza a qualquer custo, fique atenta e não caia na cilada de entrar num processo de anorexia.
De acordo com Marco Antonio De Tommaso, essa é uma doença grave, que está afetando um número cada vez maior de mulheres e pode levar até a morte, se não for tratada adequadamente. Fique atenta a estes sinais e, se perceber que eles combinam com seu comportamento, procure aconselhamento médico e psicológico.
-Seu medo de engordar é tão grande que você seria capaz até de jejuar.
-Seu IMC (Índice de Massa Corpórea) gira em torno de 25, mas, mesmo assim, você se enxerga gorda quando olha no espelho.
-Tem mania de pesar e calcular o valor calórico dos alimentos, pula refeições e sai da mesa antes de terminar de comer.
-Desiste de ir a festas e restaurantes para não sair do regime.
-Recusa convites dos amigos ou do namorado porque “tem que malhar”.
-Usa roupas grandes para esconder os ossos que estão começando a aparecer.
-Vomita constantemente. Usa laxantes e diuréticos para perder peso.
-Sua menstruação começou a falhar depois que você entrou na “neura” do emagrecimento.
-Você se sente fraca, desanimada, desconcentrada e passou a ter tonturas desde que começou a emagrecer.
Sandra Corsaro, 31 anos, é absolutamente de bem com a vida.
A advogada Carmen Hollo, 29 anos, não abre mão de xampus, condicionadores, mousses e outros produtos de tratamento para manter sempre bela a cabeleira farta e crespa. Até a adolescência — quando a indústria da beleza ainda não oferecia arsenal completo para esse tipo de fio —, ela prendia as madeixas em tranças. Mas há uns dez anos assumiu o visual descontraído e se deu bem. “Adoro meu cabelo solto. Faço natação, lavo todo dia e deixo secar naturalmente, sem escovar. Os cachinhos estão sempre molinhos e brilhantes”, diz ela, feliz da vida.
Personalidade é o que não falta à jornalista Silvia Gomes, 26 anos. Do alto dos seus 1,49 metro, ela arrasa. Engraçada, simpática, extrovertida, é a baixinha assumida, cheia de atitude, que não usa salto nem plataforma. “A faculdade de teatro me ajudou muito a aceitar meu corpo. E o fato de ser pequena me tornou mais simpática, compreensiva com o outro, aceitando as diferenças e, ainda por cima, virei a queridinha”, admite. Para compensar o tamanho, investiu num namorado alto, com quem vive há alguns anos.
Se quisesse, Flavia Regina Coghi, 21 anos, estudante de arquitetura, já teria recorrido ao bisturi. Mas o nariz, que é marca registrada da família, nunca foi motivo para complexo. “Jamais me chamaram de nariguda, até porque meus olhos azuis chamam mais atenção”, diz, divertida. “Conheço gente que fez plástica e o resultado ficou muito esquisito. Chega a mudar os traços de personalidade da garota.” Por isso, ela nem tenta disfarçar: prende o cabelo loiro num rabo-de-cavalo, capricha na maquiagem dos olhos e cuida bem das sobrancelhas. “Acho que o meu nariz combina com o todo”, fala.