Na época de Bruce Lee e da série de televisão Kung Fu, com David Carradine, essa arte marcial chinesa era assunto de homem. Nos últimos anos, porém, filmes como As Panteras, O Tigre e o Dragão e Kill Bill contribuíram para a popularização do kung fu entre as mulheres. Inspiradas por belas atrizes como Uma Thurman, Cameron Diaz e Lucy Liu -- que aparecem na tela como exímias praticantes —, mais e mais garotas descobrem a atividade. Aliás, a relação das mulheres com essa arte marcial não é nenhuma novidade. Na China, há registros de mestres do sexo feminino no período dos Estados Guerreiros (de 480 a 221 a.C.). A mais conhecida delas, Yuenu, foi convidada pelo imperador Goujian para expor suas teorias sobre a arte de combate com espadas.
Se na China as praticantes eram guerreiras e em Hollywood combatem bandidos, entre nós as garotas adotam o kung fu para enfrentar os vilões da vida moderna, como a flacidez dos músculos, o stress e a vida sedentária. “A procura aumentou. Hoje, cerca de 30% dos nossos alunos são mulheres”, diz o sifu (mestre) Francisco de Paula, da Tat Wong Kung Fu Academy, um dos endereços mais tradicionais de São Paulo.
“Não agüentava mais fazer musculação e estava procurando outra atividade. Um amigo me apresentou o kung fu. Confesso que tinha um certo preconceito, achava agressivo”, conta Adelaide Valente, a estudante de 17 anos que aparece nas fotos desta reportagem. “Descobri que estava enganada. Aprendemos a desenvolver o autocontrole e a combater o stress. Para isso, contribuem tanto as longas seqüências de movimento, que exigem total concentração, como os sons que acompanham os exercícios, que ajudam a descarregar as tensões”, diz a estudante, que pratica há seis meses. As vantagens não param aí. “Estou conseguindo manter meu corpo durinho e minha barriga está mais definida”, garante.
Para você experimentar a arte marcial, Francisco de Paula selecionou, com a ajuda da professora Carolina Rocha, três seqüências de fácil execução. Invoque a heroína que existe dentro de você e mande bem!