Você sabe que, se fizer mais abdominais, a sua barriga vai ficar durinha. Sabe também que, se puser em prática um programa de corrida, vai derreter as gorduras O que talvez você ainda não tenha percebido são os lucros que vão além das tão sonhadas curvas. O sono, por exemplo, melhora muito e isso acontece logo nas primeiras semanas de atividade física. “Quem pratica exercício não demora para pegar no sono e acorda muito mais disposto. Depois de despertar, entra em um ciclo positivo, e ao longo do dia todo o organismo funciona melhor”, explica Marcus Vinicius Gomes, fisioterapeuta e professor de educação física, do Rio de Janeiro.
Humor, então, nem se fala. O ganho nesse departamento é unanimidade entre as pessoas que malham. Tudo por causa da bendita endorfina. “Quando nos exercitamos, causamos microinflamações nos músculos, tendões e ossos. Aí, a endorfina aparece para cumprir sua tarefa de analgésico e antiinflamatório. De quebra, realiza uma outra função, garantindo a sensação de bem estar”, diz o fisiologista Paulo Zogaib. Acha que isso já é o bastante? Tem mais, confira os depoimentos e surpreenda-se!
Aliados: musculação, pilates e escalada (de segunda a sexta-feira, uma hora e meia por dia); ergométrica e localizada seguindo um DVD (nos finais de semana).
Andrea Leite, 28 anos, agente de turismo
“Malhar faz parte da minha vida como escovar os dentes tomar banho. Malho porque aposto num estilo de vida saudável e porque me ajuda a comer melhor. Há anos não sei o é ficar parada e é fácil entender porque sou tão dedicada. Além do shape, a atividade física me ajuda a resistir a todo tipo de tentação: salgadinhos, biscoitos recheados, doces, frituras e comidas muito gordurosas, inimigos perigosos da barriga de toda mulher. Quando como melhor, tenho mais disposição na academia. Se passo um dia na base do junk food, meu rendimento cai e terminar o treino vira um sacrifício. Percebi o efeito da alimentação no meu treino e comecei a fazer substituições na minha dieta usei a BOA FORMA como guia) tentando descobrir quais alimentos eram capazes de segurar o meu pique. Comecei com a reforma dos lanchinhos, troquei os salgadinhos por os biscoitos recheados pelos integrais, e já que estava no embalo de comer melhor fui atrás da versão light dos produtos. Uma coisa foi puxando a outra. Restringi a torta holandesa, minha sobremesa predileta, para o final de semana. Quanto às refeições principais, passei a comer comida de verdade, macarrão, batata, grãos e carnes, de preferência preparadas uma maneira leve. Acabei dando um upgrade no cardápio minha família. Quando minha mãe fazia batata frita, por eu reclamava: ’Pô, mãe, estou tentando comer melhor. não pode fazer uma batata corada da próxima vez?’ Minha irmã tem 16 anos e vive dizendo que quer ter um corpo como o meu. Eu respondo: ’Faça exercícios — o corpo enxuga e você acaba com a vontade de comer bobagens’.”
O que diz o especialista
Malhar ajuda a comer melhor, sim. E isso não acontece só porque você fica culpada de cair de boca num prato supercalórico, capaz de pôr a perder o seu esforço na academia. A mudança no cardápio está ligada ao desempenho. “Para se exercitar bem, o corpo precisa de combustível, que vem da alimentação. Quem come mal, malha mal e tem sensação de fadiga, durante e depois da atividade. Uma alimentação balanceada, fracionada em seis refeições diárias, rica em nutrientes e carboidratos, é ideal para um bom desenvolvimento na academia”, explica Andrea Zaccaro, nutricionista de São Paulo. A malhação também deixa você esperta e ajuda a fazer melhores escolhas. O organismo aprende a identificar e pede os nutrientes de que precisa, como se acionasse o apetite em determinadas direções. ”O exercício eleva a temperatura do corpo, o que faz transpirar e desidratar. Daí você abre a geladeira e se depara com uma maçã e um pudim de leite. Com certeza, vai ficar com a fruta, fresca, cheia de sucos, estimulante. Pode até ser que você depois volte e roube uma colherada do pudim, mas primeiro seu corpo vai ‘procurar’ alimentos ricos em água.”
sem pânico no vestibular
Aliados: musculação, spinning, boxe (de segunda a sexta-feira, duas horas por dia)
Manoela Melo, 19 anos, estudante
“Fazer cursinho não é mole. Além das aulas e das matérias que preciso estudar, tem aquela pergunta que não pára de martelar na minha cabeça: será que dessa vez eu passo? Isso causa um stress danado, que eu aprendi a resolver sem dramas — descarrego tudo na academia. Quando malho, fico mais concentrada e o estudo rende muito mais, principalmente as matérias que exigem leitura, como história e geografia. O efeito da malhação na capacidade de me concentrar é visível. Se fico um dia sem fazer academia, no outro me sinto voando, ando de um lado para o outro, não consigo pegar a apostila e ler. A academia faz um corte na minha rotina: hora de estudar e hora de malhar, que para mim significa hora de descanso. Às vezes, chego na musculação e ainda estou pensando na matéria que estava estudando, mas, como se fosse mágica, minha cabeça desliga e fica arejada. Quando estou dando uns jabs ou pedalando, nem me lembro do vestibular, tudo fica mais leve.”
O que diz o especialista
Que o seu corpo fica mais bonito e saudável quando você malha, isso não é novidade. O que talvez você ainda não saiba é que, malhando, o seu cérebro também fica mais sarado. Segundo o fisiologista Paulo Zogaib, de São Paulo, já existem estudos feitos com animais que demonstram que a prática de exercícios pode aumentar o número de neurônios e melhorar as sinapses cerebrais. A sinapse é a junção de uma célula na outra e é graças a ela que acontece a transmissão de informação no nosso corpo. Quanto melhores as sinapses cerebrais, maior a agilidade de raciocínio. E tem mais: a atividade física promove a secreção de hormônios. A endorfina, que traz uma sensação de prazer, e também a adrenalina, que entra em cena sempre que algum desafio se apresenta — e o exercício é um desafio. Quando a adrenalina vai embora, depois que acaba a malhação, deixa você supercalminha. “Como o exercício físico relaxa, oferece sensação de bem-estar e desestressa, fica mais fácil se concentrar, seja no trabalho ou no estudo”, diz Zogaib.
sucesso no trabalho
Aliado: corrida (de três a quatro vezes por semana, uma hora e meia por dia)
Tatyana Woff, 22 anos, analista de investimentos
“Corro há dois anos e percebo que o esporte somou pontos na minha auto-estima e melhorou minha atitude profissional. Sempre pratiquei algum tipo de atividade física, mas com a corrida fiquei muito mais segura, confiante, concentrada e isso refletiu diretamente no meu trabalho. Na corrida, há uma relação muito forte entre esforço, dedicação e resultado. Não tem milagre, se eu não treinar forte, não alcanço bons resultados. Já corri no frio e na chuva, perdi balada e até deixei de viajar no fim de semana porque também corro aos sábados. Por outro lado, consegui completar a maratona do Rio de Janeiro e a de Florianópolis. Uso esse mesmo raciocínio no escritório. Sou analista de investimentos e quando preciso fazer uma apresentação de um novo cliente sei que tudo sairá de acordo com o trabalho de pesquisa que realizar antes. Se fizer bem essa parte, não tem porque ficar insegura. Hoje sei do que sou capaz. Atingi várias metas na corrida e isso me dá coragem para perseguir os objetivos do meu trabalho. Nada me assusta. E ainda não é tudo. Como treino de manhã cedo, às 6 horas, a corrida faz meu dia começar bem. De lá, vou direto para o trabalho, feliz por já ter feito algo por mim. Acho que essa sensação me ajuda a viver mais feliz.”
O que diz o especialista
Você pode até duvidar, mas a corrida tem tudo a ver com a vida no escritório. “Trabalha e desenvolve nas pessoas a capacidade de superação, a determinação, a atitude e a organização. Só o fato de começar a correr já é uma meta. Depois, vem o desejo de aperfeiçoar o tempo — primeiro a pessoa quer correr 6 quilômetros, em seguida 10, depois 21. A corrida sempre estimula a superação de novos objetivos”, explica Marcos Paulo Reis, ex-técnico da Seleção Brasileira de Triatlo e coordenador da MPR assessoria esportiva. Segundo ele, uma vez que a pessoa integra a corrida à sua rotina, sem perceber, leva o desafio, o aprendizado e o prazer de perseguir uma meta para o trabalho. No escritório, essa superação não é de quilômetros percorridos, mas de rendimento profissional. “Não me pergunte se competir uma maratona faz bem, mas que gera todas essas qualidades, importantes para a vida corporativa, gera”, diz Marcos Paulo.
TPM sob controle
Aliados: alongamento, musculação e ioga (de segunda a sexta-feira, uma hora e meia por dia)
Hilda Bertonini, 18 anos, estudante
“Fui para a academia há mais ou menos um ano por causa de uma dor nas costas. Tinha má postura e precisava fazer exercícios de alongamento e de fortalecimento da musculatura dorsal, por indicação médica. A dor melhorou nas primeiras aulas, mas a academia fez muito mais por mim. Além de emagrecer e ganhar músculos, o meu humor mudou. Estou mais alegre e, o principal, com os exercícios, consigo manter a minha fortíssima TPM sob controle. Sentia dor de cabeça, dor nas mamas, nas costas, cólicas, ficava irritada, sensível e com uma vontade louca de comer chocolate. Insuportável. Descobri que o exercício alivia os sintomas: a cólica passa na hora, a dor de cabeça melhora, fico mais calma e, às vezes, consigo esquecer dos chocolates. A parte mais difícil é vencer o mau humor e chegar até a academia. Mas eu insisto e vou. Se não tivesse encontrado essa saída, estava quase apostando numa solução radical — ficar trancada no quarto para não incomodar ninguém. O bem-estar é a minha motivação para malhar. Ficar com o bumbum durinho também, é claro. Mas, para mim, não é o principal.”
O que diz o especialista
Atividade física pode, sim, atenuar os sintomas da TPM. “Um dos motivos que deixa a mulher sensível, deprimida e querendo colinho durante esse período é o aumento do hormônio progesterona, que é a favor da gestação e prepara o corpo da mulher para engravidar. Esse hormônio diminui nos dias que se aproximam da menstruação, mas, enquanto ele está alto, deixa a mulher depressiva e com muito sono. O exercício produz outro hormônio, a endorfina, que provoca sensação de prazer e euforia e, apesar de não interferir nas taxas de progesterona, pode equilibrar o astral. É a mesmo efeito de comer um chocolate, com a vantagem de não engordar”, explica Amaury Mendes Jr., ginecologista, sexólogo e diretor de pesquisa do Instituto Brasileiro de Sexologia. Só não podemos colocar toda a culpa da TPM sobre a progesterona. Segundo Amaury, o nosso estado psicológico e a relação que estabelecemos com as pessoas também influenciam nos sintomas . Quanto às cólicas e à dor nas mamas, também podem ser atenuadas com a prática de atividades físicas. “O esforço faz os vasos do colo uterino dilatarem, facilitando a passagem do sangue. Os líquidos retidos que causam o inchaço, tanto da mama como do ventre, são melhor drenados com o aumento da temperatura corporal e com a transpiração”, diz.
auto-estima nova coroada com medalha
Aliado: jiu-jítsu (de três a quatro vezes por semana, uma hora e meia por dia)
Patricia Nakatani, 30 anos, diretora de marketing e atleta
“A vida toda eu sofri com o efeito sanfona. Cheguei ao limite quando somei 40 quilos ao que seria meu peso ideal. Foi meu médico, especialista em obesidade, que me aconselhou a procurar uma atividade física para ajudar a emagrecer. Na academia, montei um programa de atividades aeróbicas e exercícios de força. Depois de dois meses, ainda com 110 quilos, estava procurando a sala de kickbox e entrei na aula de jiu-jítsu. Foi mágico. Ninguém me discriminou, me senti acolhida naquele grupo. Estava muito acima do peso e mesmo assim as pessoas me deram a maior força para continuar. Foi um apoio fundamental naquele momento. Eu precisava me sentir aceita, fazer parte de um grupo e ter um esporte que me conquistasse. Passei a praticar jiu-jítsu três vezes por semana e isso me modificou por dentro. A primeira reforma foi na minha auto-estima. Eu não gostava de mim, tinha vergonha do meu corpo. Quando me senti aceita no esporte, fiquei mais generosa comigo e passei a me aceitar. Continuei na luta para voltar ao meu peso normal, mas com tranqüilidade. No inicio dos treinos, ganhei consciência corporal. O toque do adversário e os golpes contra o meu corpo foram me ensinando a enxergar as minhas dimensões, o meu tamanho, e me ajudaram a compreender o que eu gostaria de modificar em mim. Hoje, sou uma mulher vaidosa, consciente do que posso realizar. Isso não está ligado apenas à perda de peso. Já estive com o peso normal sem me dedicar a uma paixão, como o jiu-jítsu, mas era uma magra vazia. Naquela época, qualquer frustração eu descontava na comida e voltava a engordar tudo de novo. Hoje, eu tenho uma vida nova, falo isso com o maior orgulho. Sou uma mulher que conquistou um novo corpo, uma nova auto-estima, uma medalha de ouro e um namorado bacana. Esse esporte despertou a minha força, minha concentração, minha disciplina, minha auto-estima. Pela primeira vez na minha vida, estou namorando de verdade. Amo e me sinto amada. Devo isso ao amor-próprio. Em seis meses de aula, já estava competindo e, depois de um ano, em 2005, fui campeã brasileira, uma coroação da minha nova vida, que começou a acontecer quando eu coloquei os pés na academia e espero que dure para sempre.”
O que diz o especialista
A atividade física é uma aliada fantástica para turbinar o amor-próprio. Como explica o endocrinologista da Unifesp Lian Tock, malhar muda a cabeça de qualquer um. “Eu não tenho como conter a obesidade e a diabetes de um paciente se ele não associar o tratamento a uma prática esportiva. Além da evolução no sentido de emagrecimento e funcionamento do metabolismo, o exercício também ajuda no tratamento de casos de depressão, melhora o convívio social da pessoa, aumenta a auto-estima e dá mais ânimo. Na minha opinião, é o ponto de partida para o tratamento de qualquer doença.” Com todas essas qualidades, o exercício pode funcionar como motor importante para mudança de vida, uma vez que consegue associar benefícios físicos e comportamentais.