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operação pára-queda

Impossível não entrar em pânico se eles estão caindo além da conta – o ralo do banheiro, a escova e a própria roupa são nossos mais temíveis termômetros. E, infelizmente, não é só a beleza que fica por um fio: a auto-estima despenca junto. Mas nada de se descabelar, pois, com a estratégia certa, tudo tem solução. Porém, lembre-se: quanto mais cedo correr atrás do prejuízo, melhor

por Gabriela Cupani | fotos Dulla

“A queda de cabelo me deixou um ano em depressão.

Comecei a ficar desesperada cada vez que lavava a cabeça e notava que os fios escorriam ralo abaixo. Para piorar, começaram a ficar mais finos no topo. Ir ao cabeleireiro passou a ser um drama. Fiz uma verdadeira peregrinação em busca de soluções até descobrir que tenho tendência genética à perda e uma disfunção na tireóide que também leva sua parcela de culpa no problema. Hoje, uso um verdadeiro arsenal para recuperar a cabeleira, que inclui remédios via oral, uma loção específica e sessões de mesoterapia (injeções de medicamento no couro cabeludo). O tratamento está dando resultado, a queda diminuiu bastante. Mas tudo isso mexeu tanto com a minha vaidade e a auto-estima que até hoje tento superar o medo de ficar careca.”
S. , 27 anos


“Tinha 20 anos quando percebi a primeira falha no topo da cabeça,

que logo se estendeu para os lados e depois para a frente. Em pouco tempo, perdi mais da metade dos fios. Na cidade onde eu morava, só souberam dizer que era um problema hormonal, mas ninguém acertou o tratamento. Usei de tudo: fitoterápicos, vitaminas, loções, sem nenhum resultado. Há três anos faço sessões periódicas de mesoterapia, tomo flutamida oral e suplementos vitamínicos. Apesar da dor das injeções, estou muito satisfeita. Já recuperei 80% dos fios.”
L. , 26 anos


O drama dessas duas leitoras ilustra uma situação que está ficando cada vez mais comum: a careca, velha inimiga da vaidade masculina, passou a assombrar as cabeças femininas. Se nos homens a perda dos fios é um golpe, na mulher trata-se de um nocaute na auto-estima. “O número de queixas de mulheres com queda de cabelo aumentou 20% nos últimos cinco anos”, diz o dermatologista Valcenir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo. É verdade que pacientes e médicos estão mais atentos ao problema, o que facilita a identificação e o tratamento. No diagnóstico, leva-se em conta a história da paciente, dos familiares, o exame físico e as dosagens de hormônios.

Principais causas da queda de cabelo nas mulheres
• Tendência genética
• Oscilações hormonais
• Dietas radicais
• Deficiência de minerais (ferro, cobre e zinco)
• Stress
• Problemas no couro cabeludo (como dermatites)

“A ditadura da magreza e os regimes drásticos estão por trás do problema”, acredita Bedin. Entre os especialistas, no entanto, não há consenso sobre como o stress interfere na queda de cabelo. Alguns defendem que o excesso de hormônios produzidos em situação de stress interfere na absorção de nutrientes essenciais à saúde e força dos fios. Outra teoria considera que o cabelo é o órgão de choque de algumas mulheres. Nelas, o stress fragilizaria os fios assim como em outras aparecem úlceras, por exemplo.

As alterações hormonais são também poderosos inimigos das cabeleiras. Não é à toa que as mulheres costumam notar o problema no período pós-parto ou na menopausa, quando os hormônios femininos despencam. E falhas em glândulas como os ovários, a tireóide ou as supra-renais acabam despejando na circulação maior quantidade de testosterona, hormônio masculino que as mulheres produzem em pequenas quantidades e que interferem no crescimento dos fios.


OPERAÇÃO RESGATE

Não perca a cabeça junto com o cabelo: nada de correr para a farmácia atrás da última novidade em xampus antiqueda. Esses produtos não tratam a raiz do problema, só atuam externamente, melhorando a aparência dos fios. Portanto, eles até podem servir de coadjuvantes, mas não resolvem. Antes de mais nada, é preciso saber exatamente o que está por trás do mal. E isso somente um especialista pode apontar. Diante de uma queixa de queda, o médico vasculha a vida e a saúde da paciente. É preciso afastar qualquer disfunção em glândulas ou doenças, checar se os níveis de ferro estão altos (é verdade que não basta estarem nos níveis normais, devem estar ao patamar intermediário para cima), dosar hormônios, avaliar a condição nutricional. Enfim, ele verifica tudo o que tem relação com a produção do cabelo. Só assim detecta o que pode estar causando o problema. “Quando a queda é percebida no início, os tratamentos costumam dar ótimos resultados", garante o dermatologista e especialista em transplante capilar João Carlos Pereira, de São José do Rio Preto (SP). Não existe um único tratamento nem remédio milagroso. Se o problema for relacionado a uma disfunção hormonal (da tireóide, por exemplo), deve-se corrigi-la com remédios específicos. Dependendo do desequilíbrio, os médicos podem receitar desde suplementos vitamínicos até anticoncepcional para regular os hormônios da mulher. O transplante só é indicado para casos muito graves: aqueles de origem genética, em que a calvície atinge um estado avançado, quando os fios já sumiram e não são repostos.

VEJA COMO AGEM ALGUNS TRATAMENTOS

Suplementos: de vitaminas e minerais que, em falta, podem contribuir para a queda de cabelo. Os principais são ferro, ácido fólico, vitaminas do complexo B, zinco e cobre. Além de procurar balancear a dieta, há produtos específicos no mercado com a função de repor essas substâncias em quem tem queda por deficiência nutricional.
Remédios para bloquear a ação da testosterona: a reação de uma fração desse hormônio masculino com uma enzima localizada nos folículos pilosos faz o cabelo cair em quem tem essa tendência.
Minoxidil: substância de uso local que melhora a irrigação do couro cabeludo, aumentando o aporte de nutrientes. Funciona em alguns casos, dependendo da causa da queda. Mas, se parar de tomar, o cabelo tende a cair novamente.
Laser de baixa intensidade: também melhora a irrigação do couro cabeludo. Tem efeito antiinflamatório, que ajuda bastante no caso de dermatites.
Intradermoterapia: injeções de medicamentos (como estrógenos e minoxidil) diretamente no couro cabeludo, com o objetivo de acelerar o resultado do tratamento.

Queda ou calvície?

Perder um pouco de cabelo todo dia é normal, trata-se da renovação capilar. Mas, para quem anda perdendo além da conta, vale prestar atenção ao tipo de queda.

Os fios despencaram de uma hora para a outra e aos tufos de encher o ralo.
Apesar de assustador, não costuma ser grave. Normalmente é disparado por um fator fácil de apontar – um stress muito grande, cirurgias ou parto, por exemplo.

Eles vêm caindo discretamente há tempo.
A queda persistente é mais perigosa. “A mulher demora para perceber o problema e o diagnóstico é mais difícil”, justifica o dermatologista Arthur Tykocinski, especialista em transplante de cabelo. Aqui entram as alterações de hormônios e nutricionais. Os casos mais graves são aqueles em que a vítima nem nota a queda, apenas que os fios estão cada vez mais finos e que em alguns lugares dá para ver o couro cabeludo.

hábitos que valem por um tratamento

A primeira lição é evitar as agressões, principalmente se os fios já estiverem enfraquecidos. “Mas as tinturas em geral não prejudicam tanto como o secador e a chapinha. Apesar de não fazer cair, o calor enfraquece ainda mais o cabelo”, ressalta a dermatologista Carolina Ferolla. Portanto, siga estes conselhos para não acentuar a queda.
• Lave o cabelo todos os dias com xampu neutro. Lavar não piora o quadro, ao contrário. Fios sujos ou malcuidados acabam abrindo caminho para outros problemas, como dermatites, que podem detonar a queda. Na hora de lavar, faça movimentos suaves com a ponta dos dedos. Repita a operação duas vezes e use condicionador, se quiser.
• Após o banho, desembarace com um pente de madeira com dentes largos. Comece pelas pontas e vá devagar.
• Antes de partir para o secador ou a chapinha, deixe secar um pouco naturalmente. O calor em excesso agride os fios.
• Não prenda imediatamente nem use tiaras. Prefira os elásticos de pano.

Faça a sua parte: para uma cabeleira saudável, inclua em todas as refeições uma fonte de proteínas (iogurte desnatado, peito de peru ou carnes magras), frutas e legumes (ricos em vitaminas). As vegetarianas têm na soja os nutrientes equivalentes aos encontrados na carne.


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