Quando a gente pensa em dar uma repaginada no visual, a primeira idéia é mudar o cabelo, verdadeiro cartão de visita. Atire a primeira fivela quem nunca pensou em trocar a cor dos fios para ganhar um ar diferente... Só que na hora H, nunca se sabe que cor fi caria bem. Você pode até escolher o tom, mas não tem certeza sobre o tipo de tinta. Pior: decidiu tudo, porém não faz idéia a que técnica recorrer – mechas, luzes, balaiage. Mexer na cor é complicado. Dá um frio na barriga enquanto a tinta está agindo. O momento mais tenso é a hora de conferir o resultado. Será que vai manchar, ressecar, espigar? A essa altura, não adianta chorar. Melhor é pensar bem antes de se candidatar a qualquer transformação. Veja como três garotas passaram por essa situação e resolveram a questão, E escute o conselho de experts no assunto – uma garantia e tanto para você não ficar (literalmente) de cabelo em pé.
para não cair nessa cilada
Cinco profissionais dão dicas para deixar você bem longe das encrencas capilares!
Em casa, nunca passe tinta em cima de tinta. Você corre o risco de estragar o cabelo deixá-lo com a cor esquisita (verde, já pensou?). “Se der errado, o que é muito comum, o melhor é correr para o salão”, diz André Quadra, da Wella/P&G, em São Paulo.
Evite tintura em fios com química. Se você fez recentemente escova progressiva, permanente, alisamento ou relaxamento de ondas, o ideal é fugir da descoloração e da tintura. “A coloração em si não detona os fios, até porque hoje os produtos usados têm silicone, ceramidas e vitaminas, que tratam o cabelo. Mas, nesses casos, os fios estão fragilizados e podem quebrar, manchar, ressecar... Não vale a pena arriscar”, avisa Amélia Martins, da Embelleze, no Rio de Janeiro.
Não pense que luzes ressecam menos que tinta. Muita gente opta por esse processo achando que vai agredir menos os fios. Puro engano. A técnica é mais intensa, pois envolve clareador (que atua em cabelos naturais) ou descolorante (que contém amônia), enquanto a tintura tem hidratantes na fórmula que protejam as madeixas.
Nem tente clarear em casa. “Tinta não clareia tinta”, diz André Quadra. Quem tem fios escuros e tingidos precisa passar por uma decapagem (remoção da tintura anterior com pó descolorante e água oxigenada de alta volumagem), que só deve ser feita no salão. Até no caso de um loiro tingido, há riscos. Perto da raiz, onde os fios são mais saudáveis, o resultado é melhor; nas pontas, mais danifi cadas e com resíduos de tintura, pode manchar. Cabelo virgem só clareia até certo tom. Para um castanho-escuro natural ficar loiro-claro, é preciso descolorir (clareamento de cabelo que nunca passou por processo químico, com pó descolorante e água oxigenada de baixa volumagem) antes da tintura. O cabelo claro que nunca recebeu tinta só abaixa alguns tons, mas não clareia de todo.
Tonalizante não é tintura. Esse tipo de produto só realça o tom natural. Como não contém amônia, não tem poder de clareamento nem “cobre” os brancos. Como não penetra no interior dos fios, dura menos do que a tintura. Quanto mais você lava, mais a cor vai saindo.
Fique longe do descolorante. Você aproveita o descolorante usado nas pernas para clarear uma mechas do cabelo? Melhor não... Ao retirar os pigmentos de melanina do interior da fibra capilar, a descoloração sensibiliza os fios. Fora o risco de manchar e provocar alergia no couro cabeludo.
Faça hidratação dias antes de pintar. Isso ajuda os fios a absorver a cor. “Só o cabelo saudável deve receber coloração, senão a tinta pode danificar os fios”, diz Daniel Chabaribery, do Studio W Iguatemi, em São Paulo. Depois da tintura, faça hidratação uma vez por semana.
Não lave a cabeça antes da coloração. Evite a água por dois dias, no mínimo, pois a oleosidade natural protege o couro cabeludo. Depois da tinta, não lave por dois dias para fi xar melhor a cor. O que se fala nem sempre é o que se vê. O que é loiro-claro para você pode não ser para o cabeleireiro. Portanto, o diagnóstico visual é a melhor saída. “Está em dúvida? Faça o teste em uma mecha próxima à nuca. Se der errado, pelo menos não vai causar um grande estrago”, recomenda Edson Risco, cabeleireiro do salão Neandro.com, no Rio de Janeiro.
Use uma foto de revista como referência. “Mas a modelo tem de ter um cabelo parecido com o seu. Não adianta mostrar a coloração em fios curtos se você tem cabelão”, avisa Juha Antero, do M.G. Hair Design, em São Paulo. É bom lembrar que se trata só de uma referência: o resultado depende de vários fatores, como o tom natural do seu cabelo.
Manual prático do certo & errado com final feliz
O sonho de ganhar um visual mais bacana pode se transformar num tremendo pesadelo. Acompanhe, aqui, o drama destas três leitoras
catástrofe 1
“Há sete anos, uma amiga apareceu com umas luzes bem fininhas no cabelo e eu achei aquilo lindo. Comprei água oxigenada e descolorante na farmácia e à noite misturei e apliquei sozinha nos fi os. Fui separando o cabelo em mechas, passando a mistura com as mãos, da raiz até as pontas, e colocando grampo para segurar. Não sabia quantos minutos deveria deixar o produto, mas tomei como base o tempo que levava para descolorir os pêlos do braço. Fui até o espelho e percebi que os fios estavam com uma cor estranha, mas achei normal. Então lavei e o cabelo ficou laranja, além de áspero e todo esfarelado. Bateu um desespero, chorei muito. Nunca tinha colocado qualquer química nos fios, não sabia o que fazer. Nem consegui dormir direito. Só chorava e ficava pensando como acabar com aquele pesadelo.”
Flavia Noronha, 23 anos, estudante de jornalismo
como o problema foi remediado
“No dia seguinte, fui ao cabeleireiro. Ele só faltou rir da minha cara... Passou uma tinta para escurecer por inteiro. Ficou horrível, uma cor de água de salsicha. Em alguns pontos, a tinta não pegou. Saí do salão completamente infeliz: parecia uma bruxa com o cabelo sarará. Três dias depois, procurei outro salão. O cabeleireiro colocou tinta de novo, mas aproveitou as mechas mais claras e fez luzes. Aí rolou uma escova, ele passou silicone... Foi péssimo: meu cabelo parecia alisado. Não teve jeito: tive que passar a tesoura na hora, cortei estilo chanel. Fiquei arrasada, porque era a primeira vez que eu tinha conseguido deixar o cabelo crescer... E a raiz ficou ruim, mas não tinha mais o que fazer. Fui obrigada a esperar os fios crescerem. Demorou uns dois anos para o cabelo ficar saudável. Aprendi a lição: hoje só deixo um bom profissional colocar as mãos no meu cabelo, custe o que custar!”
catástrofe 2“Meu cabelo é castanho, mas sempre tingi de loiro. Em 2002, ia rolar um show imperdível de uma banda de rock que eu amava e, em cima da hora, decidi ir. Minha tintura estava com prazo de validade vencida e não dava para ir ao salão, porque estava fechado. Lembrei de uma vizinha que era cabeleireira. Então, comprei a tinta e pedi para ela aplicar. A moça misturou a tinta e passou. Voltei para casa e fi quei esperando agir durante o tempo indicado. Quando entrei no banho para lavar, já senti os fios caindo pelo meu corpo. Foi tudo bem rápido, o ralo do meu banheiro entupiu em instantes. Como eu nunca tive muito cabelo, entrei em desespero. Desliguei o chuveiro com medo de cair tudo. Estava sozinha, liguei para a minha mãe chorando. O pior é que a tinta era a mesma que eu usava há dez anos. Mais calma, resolvi lavar o cabelo de novo, para tirar bem o produto. Tive bastante cuidado, mesmo assim caiu mais um pouco. Sequei, prendi e fui ao show. No dia seguinte é que descobri que o estrago tinha sido pior: ficaram falhas na parte da frente do lado esquerdo e no meio da cabeça de tanto cabelo que caiu...”
Adriana Baldin, 31 anos, professora
como o problema foi remediado
“Logo cedo fui até a minha cabeleireira. Ela me passou um sermão, é claro, e explicou que a moça deve ter errado na dosagem de água oxigenada. O pior: disse que eu não poderia mais pintar de loiro, mas teria que tingir num tom próximo ao natural. Então, passou uma tintura chocolate e cortou bem curtinho, na altura da orelha. Olhar no espelho foi um espanto: meu novo visual moreno me deixou muito pálida, com cara de mais velha. E cadê meu cabelão? Eu odiava cabelo curto... Me senti péssima, fugi do salão chorando. Durante um bom tempo, só saía de casa para trabalhar. E tinha que dar uma disfarçada para cobrir as falhas, puxando o cabelo para o lado e passando gel. Mas era difícil: conforme os fios cresciam, espetavam. Tinha de ir ao cabeleireiro para fazer escova. Entrei em depressão. A sorte é que não estava namorando, porque com certeza teria terminado. Tive que fazer hidratações semanais e cortar as pontas todos os meses. Foi aí que percebi como cabelo é importante. Se você tem celulite, dá para tapear. Se engorda, tem como emagrecer. Mas, se estraga a cabeleira, não tem jeito: caiu, acabou. Não desejo isso para a minha pior inimiga.”
catástrofe 3“Meu cabelo natural é castanho-claro, mas passei uma boa parte da vida ruiva e, depois, pintei de preto. Há um ano e meio, com a tinta preta na metade do cabelo, decidi virar loira – mas bem loira, quase branca. Chamei em casa um amigo cabeleireiro que sempre fazia a coloração para mim. Disse que não queria mechas loiras, e sim o cabelo inteiro da mesma cor. Com a tinta na cabeça, já senti algo estranho. Mas foi no momento em que olhei no espelho que quase caí dura! A raiz até estava bem clarinha, mas o resto do cabelo pegou um tom amarelo-avermelhado, todo manchado. O cabeleireiro percebeu o meu desespero e disse que quando os fios secassem ficaria tudo da mesma cor. Usei cabelo preso durante três dias de tão horrível que estava... Só que a saga não parou por aí. Fui até um salão e pedi para clarear. O cabeleireiro explicou que uma tintura nova destruiria os fios e que havia o risco do cabelo cair. Eu não quis nem saber pois daquele jeito não podia ficar. Na hora, tudo o que você quer é acabar com a tortura, nem pensa na saúde dos fios. Ele cortou uns cinco dedos, fez uma decapagem, aplicou um loiro claríssimo. Ficou melhor, mas não do jeito que eu desejava. As manchas sumiram, porém o tom amarelado não desapareceu. Esperei mais duas semanas, usando boné e rabo-de-cavalo. Daí não agüentei mais: comprei uma coloração loiro-acinzentado, que segundo uma amiga, tiraria o amarelo. Para quê?! Meu cabelo ficou cinza-amarelado, muito, muito feio.”
Carolina Sanchez, 24 anos, supervisora de marketing
como o problema foi remediado
“Passei uma semana lavando a cabeça todos os dias para a tinta desbotar. Voltei ao salão e pedi para o cabeleireiro dar uma escurecida geral nos fios e puxar umas mechas castanhas. Depois disso, já retornei diversas vezes: fiz luzes mistas, mechas loiras e mechas castanhas. Agora a cor está ótima, mas a estrutura dos fios mudou completamente. Meu cabelo caiu demais durante todo o processo e ficou superfininho. Eu, que sempre tive muito cabelo, agora estou com falhas. E não consegui deixar mais o cabelo crescer porque, se não cortar todo mês, ele começa a quebrar. Além disso, vira e mexe tenho que fazer hidratação e cauterização e sou obrigada a usar um arsenal de cremes: um para hidratação durante o banho, um sem enxágüe para antes do secador, um para passar com o cabelo úmido e outro (nos fios secos) para fechar as escamas e deixar o cabelo mais brilhante e bonito. Estou pagando pelo pecado até hoje!”
Produção: Mônica Tagliapietra. Cabelo e maquiagem: Anderson Clarido (Ash Hair & Esthetics).
Blusa DTA. Mechas coloridas Nilta Perucas. Chapéu Blue Beach.