É impossível não se impressionar com a transformação de Alessandra Sheila de Aguiar. Essa leitora de Campinas, interior de São Paulo, enxugou medidas e mudou tanto o seu visual em três anos que, às vezes, nem se reconhece nas poucas fotos antigas. A vitória do concurso Garota da Capa, com 77% dos 21.351 votos, confirma o impacto que as fotos do antes e depois provocaram nas pessoas.
Aos 30 anos, Alessandra causa. Mesmo com 1,53 metro (sempre turbinado por saltos altíssimos), chama atenção por onde passa. Mas nem sempre foi assim. “Dos 15 aos 26 anos, eu só usava moletom e camiseta, já que tinha engordado cerca de 12 quilos. Para trabalhar, vestia calça jeans. O meu cabelo, superarmado, passava da cintura. Não me cuidava, mas o meu namorado dizia que eu era linda de qualquer jeito”, conta. Por mais que suas amigas dissessem que ela deveria emagrecer, Alessandra acreditava no que o namorado lhe dizia, pelo menos até o dia em que foi traída. “Descobri que ele saía com uma mulher toda arrumada, que andava de salto alto e fazia academia. Quando soube, decidi que faria tudo para emagrecer”, conta.
PAIXÃO PELA DANÇAA porta de entrada para a atividade física foi a dança. “Eu amava axé, mas não tinha condições para pagar as aulas. Comecei a guardar o dinheiro do ônibus e caminhar até o trabalho para economizar. Eram mais de 3 quilômetros, mas consegui pagar a mensalidade.” A identificação com o axé foi tanta que Alessandra passou a fazer apresentações com o grupo da academia. Ela dançava muito bem, mas não estava feliz com seu corpo. Nem ela, nem o coreógrafo. “Por melhor que eu dançasse, só era chamada para uma apresentação quando uma das outras bailarinas, mais magras, faltava.”
PARA FICAR MAIS BONITA
Alessandra até queimou 3 quilos com o axé, mas ainda não estava bem – faltava emagrecer e seu corpo não estava firme como queria. Um dia, um professor de ginástica localizada disse que ela deveria fazer a aula dele para ficar mais bonita. “Sei que ele falou para me ajudar, e no fundo até motivou minha transforma o, mas na hora me senti humilhada”, lembra. A partir desse dia, Alessandra ia para as aulas de axé na hora do almoço e à noite fazia localizada. Em três meses, sentiu as primeiras mudanças no corpo. “O treino era puxado, não parávamos um minuto. Não só fiquei mais durinha como perdi quase 5 quilos.”
REFORMA NA ALIMENTAÇÃO
Depois de alguns meses, o ponteiro da balança estacionou. “Não entendia como não emagrecia se só tomava café-da-manhã e jantava. Comia muito pouco.” Determinada, conseguiu uma consulta gratuita com a nutricionista da academia. A reforma no cardápio foi geral. A primeira recomendação foi a de fazer pelo menos cinco refeições diárias. Antes, Alessandra vivia de café-da-manhã, muito sorvete à tarde e cachorro-quente com três salsichas no jantar, todos os dias. Também não tomava água, só refrigerante. Foi convencida a cortar o doce, incluir legume, fruta, verdura, carne, arroz e feijão na dieta e beber água. “Comecei a dividir a marmita de um restaurante com uma amiga e assim aprendi a comer comida de verdade. Hoje, se não almoço arroz e feijão, me sinto mal”, conta.
DRIBLE NA FALTA DE DINHEIROAlessandra estava feliz com os resultados da malhação e da reeducação alimentar, mas entrou em uma crise financeira. Havia se separado do namorado e começou a viver sozinha, tendo que arcar com todas as despesas da casa. “Sabia que precisava comer direito, mas às vezes não tinha dinheiro para ir ao supermercado e não jantava. Mesmo nessa situação difícil, decidi não abrir mão da academia porque era a única coisa que me fazia bem. Sei que não é correto, mas cheguei a ficar seis meses sem pagar o condomínio para conseguir continuar malhando.” A saída foi arrumar um segundo emprego.
MALHAÇÃO ÀS 6 DA MANHÃCom o segundo emprego, o dia de Alessandra ficou assim: das 8 da manhã até o meio-dia trabalhava como secretária em uma imobiliária e das 13 às 21 horas atuava em uma central de atendimento ao cliente. Perdeu a ginástica na hora do almoço. Também não teria tempo de ir à noite. O jeito foi sair da cama às 5 horas. “Se eu não fizer isso por mim, quem faria? Já tinha visto os primeiros resultados, iria até o fim para conquistar um corpo mais bonito.” Como o tempo estava curto, Alessandra parou de se apresentar com o grupo de axé e substituiu as aulas de dança pela esteira e bike class. Malhava de segunda a sexta-feira, por uma hora e meia e viu muita diferença. “Foi a primeira vez que aliei alimentação equilibrada a um treino forte. Isso me deu a certeza de que acordar cedo e comer direito era a melhor escolha”, diz. Alessandra mantém essa rotina até hoje, assim como os dois empregos.
CAMINHO DA VAIDADE
Ao mesmo tempo que o corpo ganhou curvas, a vaidade de Alessandra foi turbinada. Entraram no guarda-roupa sapatos de salto, acessórios e roupas que valorizavam cada músculo saltado. O cabelo ficou loiro e ganhou escova progressiva. “Comecei a me arrumar e gostei. Sabe quando percebi que não era mais um patinho feio como antes? Quando as pessoas na rua viravam a cabeça para me olhar. Nunca mais vest um moletom.”
DE BEM COM A VIDA
Além de transformar o corpo, a malhação resgatou a auto-estima de Alessandra e a afastou da tristeza, que a acompanhava desde a adolescência. Aos 14 anos, teve que lidar com a morte da mãe e aos 16 anos precisou sair de casa pela imposição da madrasta – foi a época em que começou a morar com o primeiro namorado. “A vida não estava fácil, nem sei como consegui superar tudo. Se não fosse a atividade física ajudando na reconstrução do meu corpo e colocando mais alegria e disposição na minha vida, essa passagem seria mais dura. Hoje olho para trás, vejo o que consegui e me considero uma vencedora!” A capa de BOA FORMA veio coroar Alessandra por todo esse esforço. Parabéns!
5 regras de ouro para chegar lá
1. Pare de arrumar desculpas para faltar à academia
Cada vez que você decide malhar mesmo estando triste ou com TPM ganha mais confiança em si mesma e chega mais perto do seu sonho.
2. Foco no resultado
Sempre que você estiver prestes a cair em tentação – seja para cabular o treino ou furar a dieta – pense no corpo que você deseja e se mantenha no foco.
3. Corte os doces radicalmente
Faça como ela: “Eu comia um pote inteiro de sorvete à tarde. Passei para meio pote e, daí para frente, cortei tudo. Se me permitisse duas colheradinhas por dia, viria a terceira, a quarta e eu sabotaria meu esforço na academia”.
4. Fuja da happy hour
É onde você coloca a perder o trabalho da semana inteira. Os petiscos e as bebidas são supercalóricos. Pelo menos na fase da dieta, deixe para encontrar os amigos em situações sem comida. Depois, substitua os vários chopes por uma caipirinha com adoçante (de preferência, de saquê) e as frituras por um filé aperitivo.
5. Troque o bufê pelo quilo
No self-service, você paga e come o quanto quiser. Numa situação dessa, nem a pessoa mais determinada consegue se segurar. Melhor ir ao restaurante por quilo e pagar cada folha de alface que você come.
três anos de sucessoEsta é a terceira edição do concurso Garota da Capa da revista BOA FORMA – este ano patrocinado pela empresa de cosméticos Racco. Alessandra concorreu com outras 542 mulheres que mandaram, entre maio e junho, histórias de transformação para a nossa redação. Quatro finalistas foram selecionados. A votação aconteceu exclusivamente pelo site e a vitória de Alessandra foi escolha dos internautas.