Vida real: “Precisei de um susto para cuidar da minha saúde”

A luta do pai com câncer fez Maria Canedo repensar a vida. Suas mudanças trouxeram benefícios mentais e físicos, como a redução de 10% de gordura corporal

“A notícia de que meu pai fora diagnosticado com câncer de pulmão me deixou tão abalada que passei a viver como um robô. Fazia minhas tarefas no modo automático: acordava, ia trabalhar, voltava para casa, via TV e dormia – tudo de uma forma apática. E, claro, me entupia de chocolate para compensar a tristeza.

Cerca de um ano antes disso, eu havia encarado um desafio: mudar meu estilo de vida e me tornar mais saudável. Decidi compartilhar minhas dicas e dificuldades em um blog, o Dieta e Caviar, em que eu tentava equilibrar meu gosto por conhecer restaurantes bacanas com uma dieta saudável. Mas tudo o que tinha aprendido com meu nutricionista e os incentivos que encontrava em escrever começaram a ir por água abaixo. Os doces diet e as massas integrais foram removidos do meu cardápio para dar lugar às opções calóricas.

Antes e depois de Maria Canedo

(Divulgação e Natalia Mitie Caneshiro/BOA FORMA)

Veja mais: A corrida livrou Nathalia de uma vez por todas do efeito sanfona

Eu fingia não saber de onde vinha o peso extra. Minha história com a balança é bem antiga. Por anos, vivi o efeito sanfona. Como não tinha paciência para esperar pelos resultados de uma reeducação alimentar, apelava para dietas super-restritivas – daquelas que você só consegue manter por uma semana antes de surtar. Experimentei a da sopa, a da fruta e até mesmo uma em que eu ficava em jejum sem nenhum critério.

Cansada de me sentir insatisfeita, tentei acabar com esse padrão que só me fazia mal e criei o blog. Por um tempo, ele funcionou. Procurei um nutricionista, que me propôs uma reeducação alimentar, e fiz algumas mudanças no cardápio. Porém, como não conseguia me segurar aos finais de semana nem comecei a me exercitar, o impacto não foi tão grande: perdi apenas 3 quilos em um ano e meu percentual de gordura corporal (que era de 31%) permaneceu praticamente intacto.

Vale o cliqueSopa antibarriga de abóbora, couve e gengibre

Mesmo assim, antes da doença do meu pai, minha relação com a comida havia melhorado. Só que, paralisada diante do medo de perdê-lo, eu não encontrei mais forças para me dedicar a esses hábitos. Resultado: engordei tudo de novo. Após quatro meses de melancolia, me dei conta de que não poderia continuar ignorando minha saúde. ‘Calma aí! Meu grande herói está fazendo quimioterapia e eu vou me render facilmente? Jamais!’ Vendo meu pai lutar pela vida, decidi que também correria atrás dos meus sonhos.

Procurei novamente meu nutricionista, que montou um cardápio simples, eficaz e rico em gorduras boas e proteínas (ajudam a driblar a compulsão). Para evitar ataques ao açúcar, aprendi a preparar lanches doces saudáveis. No meio da tarde, por exemplo, como uma mousse de abacate com whey protein, coco ralado e nibs de cacau ou uma fruta com pasta de amendoim (banana e morango ficam uma delícia!). Se antes abria exceção durante todo o fim de semana, agora me permito tomar sorvete uma vez a cada sete dias.

E, finalmente, aderi aos exercícios físicos de verdade. Já tinha me matriculado algumas vezes na academia, frequentava por um mês e abandonava. Desta vez, encarei a malhação com a mesma seriedade que o trabalho – falava para mim mesma que meu compromisso não era só comigo. A endorfina me ajudava a lidar com as frustrações e, fazendo musculação e transport seis vezes por semana, rapidinho as mudanças apareceram. Em três meses, sequei 5 quilos, ganhei massa magra e perdi 10% da gordura corporal, que levaram embora 10 centímetros de abdômen. Me sentir melhor com meu corpo foi fundamental para que eu conseguisse acordar e dormir com pensamentos positivos. Se não tivesse trocado meu estilo de vida, não seria forte o bastante para enfrentar a morte de meu pai, em janeiro deste ano. Foi dolorido demais, mas sei que, até o fim, dei muito orgulho a ele.”

TRÊS DICAS DE MARIA PARA NÃO FURAR A DIETA EM RESTAURANTES

1. Avalie o cardápio todo

“Tento optar pelos pratos mais leves, como peixe com legumes ou salada.”

2. Não fique de barriga vazia

“Antes de sair, como uma porção de frutas secas, um iogurte ou até mesmo um ovo cozido para não chegar lá morta de fome.”

3. Monte seu próprio “drinque”

“Para não cair no vinho, peço uma água com gás servida em um copo com alguma fruta (limão, morango…).”

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