Atleta brasileira da vela conta o caminho para começar no esporte

Com 13 anos de experiência, Patricia Freitas conta como iniciou a velejar e as dicas para quem quer experimentar a modalidade

Patrícia Freitas, medalhista de ouro em duas edições dos Jogos Panamericanos e 8º lugar nos Jogos Olímpicos do Rio, começou a velejar aos 13 anos por influência da minha irmã mais velha – tudo o que ela fazia, a caçula seguia. “No começo, não gostava e custei muito para fazer a escolinha porque achava a água suja e fria. Com o tempo acabei pegando o gosto.”

No esporte, Patrícia conta que aprendeu a correr atrás dos seus objetivos independentemente das dificuldades que surgiam – sua família não tinha histórico na modalidade, por isso, precisou descobrir muita coisa sozinha. “Levei muito tempo buscando o caminho certo, o melhor técnico, o melhor parceiro de treino, o melhor clube para treinar… O que levou a bons resultados na minha carreira e históricos para o windsurf nacional.”

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Ter chegado tão perto de subir ao pódio na última Olimpíada deixou a atleta contente. “Foi um excelente resultado, por mais que a medalha não tenha vindo dessa vez. Estamos em um período de adequação no COB e na CBVela, com algumas mudanças de patrocinadores e investimentos. Ainda é prematuro tentar imaginar como será a campanha para Tóquio, mas estou animada!”

Em entrevista exclusiva para BOA FORMA, a atleta fala sobre os primeiros passos para quem quer começar no esporte, cuidados físicos específicos aos praticantes, biotipo ideal e mais:

Quais os primeiros passos para quem quer começar a praticar?
“O windsurfe (ou prancha à vela) é um esporte que exige muita persistência no começo – entender a dinâmica do vento também leva tempo. Recomendo a busca por uma escola especializada. É possível comprar o equipamento e tentar aprender por conta própria, mas é importante o acompanhamento de um instrutor por questões de segurança. Recomendo a prática do esporte para todas as pessoas (a partir dos 8 anos de idade), já que o contato com a natureza muito especial. O esporte é tão poderoso que uma vez que você aprende a velejar, qualquer movimento de uma folha na árvore por causa do vento irá causar um rush de adrenalina no corpo, uma inquietação, e quando você perceber, estará agendando as folgas no trabalho de acordo com a previsão do vento.”

O que o praticante do esporte precisa ter?
“Uma roupa de neoprene curta, uma camisa de manga comprida com proteção UV, um boné, um óculos, um kit de proteção solar e muita disposição!”

Quais os cuidados físicos e treinos específicos para o esporte?
“Para cada modalidade do windsurf existe um tipo de equipamento específico e um tipo de treinamento específico. Para os atletas amadores, apenas velejar já é treino suficiente, porém, para profissionais ou para aqueles que quererem passar o dia todo na água, recomendo alguma atividade cardiorrespiratória como natação ou ciclismo para aguentar os caldos sem desesperar. Os cuidados físicos em relação ao sol e ao sal também precisam ser considerados: use protetor solar para pele, lábios e cabelo.”

Como é a rotina de treinos, precisa ser diária?
Sendo atleta profissional, sim. Minha rotina consiste em um treino físico pela manhã e uma sessão de treino técnico à tarde. A quantidade de horas dedicada a cada tipo de treinamento depende a periodização do treino: no começo da preparação, os treinos físicos são mais longos na academia e no ciclismo, e mais curtos dentro d’água, para evitar lesões e desgaste do equipamento. Quando vamos chegando mais perto das competições a ordem é invertida: mais tempo dentro d’água com treinamento específico e menos treino físico pois toda a base de condicionamento físico já foi feita. Em um dia de treino típico, passo uma hora e meia pedalando pela manhã e faço mais duas horas e meia de treino técnico à tarde, com mais uma hora de conversa com o técnico ou desenvolvimento de equipamento, de segunda à sexta.

O praticante precisa ter biótipo ideal?
“O biótipo para o windsurf é bastante flexível. Como temos que velejar em diferentes condições de vento, há espaço para todo mundo. As meninas mais altas e pesadas levam vantagem nos ventos mais fortes, por outro lado, as mais baixas e leves se destacam no vento fraco. É possível imaginar que tipo de vento teremos em cada competição, levando com conta a época do ano e a frequência de chegada de frentes frias – é muito comum que adaptemos nossos pesos de acordo com essas previsões. Por exemplo, para os Jogos do Rio, tive que parar de pedalar dois meses antes da competição para perder músculo nas pernas e baixar um pouco o peso, pois imaginávamos que teríamos ventos fracos a médios, o que de fato aconteceu.”

É necessário estudo teórico?
“As competições de vela são regidas por um livro de regras (os atletas devem conhecer todas elas), que determina como um barco deve agir em relação ao outro em diversas situações possíveis. Além disso, devemos ter conhecimento sobre o comportamento do vento e da maré em cada raia em que vamos competir, que é estudado a partir de cartas náuticas, tabelas de marés, previsões de vento e estudando o desenho da costa. Além disso, necessitamos o conhecimento das estratégias de competição, que podem ser boladas a partir dos dados levantados sobre a tabela de marés. Por exemplo: se você sabe que a correnteza está a seu favor e irá te ajudar a chegar mais rápido na próxima boia, você deve se colocar no local mais fundo do mar em relação às adversárias, seja próximo a um canal de navios ou a saída de um rio, para que você pegue a correnteza mais forte. Quando você está disputando no mano a mano com alguém, também é importante que você conheça as estratégias de match-race, que podem te ajudar a usar as próprias regras da vela a seu favor. É muito abstrato, mas a riqueza do esporte está justamente aí: o melhor velejador é o velejador mais completo, que domina as regras, os aspectos naturais e a estratégia de regata.”

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