Rosácea: A doença vascular inflamatória que atinge 5% da população

Vermelhidão no centro do rosto, acne, vasodilatação, coceira e sensibilidade na pele podem ser sinais da doença vascular inflamatória

Por Fernanda Bassette Atualizado em 26 ago 2021, 15h55 - Publicado em 9 set 2021, 15h25

Desde a infância a administradora Quelli Bianchi, de 46 anos, tinha a pele do rosto mais avermelhada, mas nunca se deu conta de que isso poderia indicar um problema. Apenas em 2018, durante uma consulta com uma dermatologista para fazer um exame para piscina, soube que tinha rosácea – uma doença vascular inflamatória crônica, com manifestação cutânea, que atinge principalmente as pessoas de pele mais branca, e que normalmente é associada ao verão, por conta do calor, mas qualquer mudança brusca de temperatura pode desencadeá-la.

“Os meus sintomas começaram com ‘espinhas’ que vinham logo após muito calor e exercícios, mas até então eu acreditava serem espinhas mesmo. Saí do consultório com o atestado para a piscina e receitas de manipulação e indicações de cremes, mas coloquei as receitas na gaveta e continuei a conviver com essas espinhas que iam e voltavam”, conta Quelli, que reconhece não ter dado muita importância para o problema quando recebeu o diagnóstico.

O problema de Quelli piorou no ano passado, durante a pandemia de Covid-19, quando ela estava mais ansiosa e com medo das consequências do vírus. “Nos primeiros meses da pandemia, sem tomar sol, sem transpirar, comecei a acordar com várias espinhas. Agora elas incomodavam, coçavam, ardiam, inchavam meu rosto. A ansiedade, o medo, a tristeza e a angústia eram os sentimentos que dominavam naqueles dias, junto com a insônia”, lembra. 

A administradora procurou a dermatologista novamente e precisou se submeter a sessões de laser, além de fazer um tratamento com pomadas manipuladas, para tentar manter a doença sob controle. Também tirou da alimentação condimentos picantes e passou a ser mais rigorosa com o uso de protetor solar e de hidratantes específicos para quem tem rosácea.

Segundo a dermatologista Clivia Maria Oliveira, professora de Dermatologia na Universidade Federal do Pará e autora do 1° Consenso Brasileiro sobre Rosácea pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), as estatísticas indicam que cerca de 5% da população mundial tem ou terão a manifestação clínica da rosácea. Vários gatilhos ajudam a desencadear a crise de rosácea, entre eles o estresse emocional (muito comum durante a pandemia de Covid-19); alterações bruscas de temperatura (muito frio ou muito calor); o consumo de bebidas muito quentes; o consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão de alimentos muito condimentados.

De acordo com Clivia, a superfície da nossa pele tem uma proteção e nas pessoas com rosácea essa barreira cutânea está comprometida, deixando a pele muito mais sensível. “O diagnóstico é clínico. Em geral o paciente apresenta uma somatória de elementos e sinais muito característicos, como vermelhidão no centro do rosto, acne, vasodilatação, coceira e sensibilidade na pele. Um médico especialista vai identificar e confirmar o diagnóstico da rosácea”, explicou Clivia.

O dermatologista Eduardo Vinicius Mendes Roncada, representante da Associação Paulista de Medicina (APM) de Presidente Prudente, explicou que a rosácea é uma alteração vascular crônica e que não tem uma única causa determinante, atingindo principalmente mulheres adultas ou adultos jovens, entre 30 e 50 anos de idade. “Ela começa com uma vermelhidão e pequenas bolinhas que costumam ser confundidas com acne, mas, se não for tratada adequadamente, pode atingir os olhos por causa da vasodilatação anormal e causar o que chamamos de rosácea ocular, uma forma mais grave”, alertou Roncada.

O tratamento é feito em etapas e depende do estágio em que o problema foi diagnosticado no paciente. Nos casos em que há apenas a vermelhidão, o tratamento envolve a limpeza correta da pele, o uso de hidratantes específicos e de protetor solar. Em casos mais severos, pode ser indicado o uso de medicação tópica ou sistêmica para estabilizar a crise. E, em casos mais graves, a aplicação de laser para reduzir essa vascularização anormal da pele. “A rosácea é uma doença crônica, sem cura, que está literalmente estampada no rosto da pessoa e atrapalha muito a qualidade de vida. O sol piora muito o problema, por isso o paciente precisa estar sempre protegido”, destacou Clivia.

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