Silicone: tire todas as suas dúvidas

Como qualquer outra cirurgia, ela exige cuidados. Então, o ideal é saber o quanto mais antes de colocar a prótese

Como escolher a prótese certa para mim? É um processo complexo, pois existem modelos com diferentes opções de volume, projeção e formato. Portanto, é importante envolver o médico na escolha. “O profissional deve levar em conta as medidas da paciente: altura, distância intermamária (largura da base da mama) e dimensões do tórax e do colo, além da condição do tecido mamário e da pele”, explica Daniel Francisco Mello, cirurgião plástico especializado em cirurgia estética reconstrutora, de São Paulo. A qualidade da prótese é outro ponto importantíssimo. Cheque a procedência e se é de uma marca aprovada pela FDA (agência que controla produtos médicos nos Estados Unidos). E nem pense em economizar nesse momento.

 

 

 

 
Qual é o caminho para optar por um bom cirurgião plástico?
Certifique-se de que ele é realmente experiente em cirurgia plástica. Se for membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, melhor ainda. Para obter essas informações, você pode consultar o site da sociedade (www.cirurgiaplastica.org.br). Outro termômetro é conversar com quem já fez a operação com o mesmo profissional. Se, ainda assim, não houver uma relação de confiança, procure outro profissional.
 
A prótese impede a mulher de amamentar?
Não. Desde o surgimento da cirurgia de aumento dos seios, há 50 anos, a melhora na qualidade da prótese tem sido constante. Os procedimentos cirúrgicos também evoluíram bastante. “Antes, quando o silicone era colocado sobre o músculo, a mulher não podia mais amamentar. Mas hoje ele pode ser inserido abaixo do tecido glandular, o que evita alterar a conformação anatômica dos ductos (canais por onde o leite é conduzido até o bico do seio) ou comprimir demais a glândula mamária”, explica Alexandre Barbosa, cirurgião plástico de São Paulo. Essa mudança permite que a mulher coloque a prótese antes de engravidar e, depois de ter filho, amamente normalmente.
 
O silicone pode atrapalhar o diagnóstico de câncer de mama?
Uma revisão de estudos da Universidade de Quebec, no Canadá, publicada recentemente no periódico britânico British Medical Journal, revelou que as mulheres com prótese têm 26% mais risco de ter a doença diagnosticada apenas em estágio mais avançado do que aquelas que não têm os implantes. Mas os especialistas acham necessários novos estudos para que se possa chegar a uma conclusão. Em contrapartida, ficou comprovado que o silicone pode facilitar a detecção manual dos tumores, pois fornece uma superfície contra a qual o nódulo se apoia. Outro dado animador: a prótese não provoca o câncer de mama.
 
Que outro tipo de complicação a prótese pode acarretar?
A principal delas é a contratura capsular, que não depende do médico nem do método. O organismo forma uma membrana fibrosa, chamada de cápsula, ao redor da prótese – esse é um processo normal de defesa. No primeiro ano pós-cirurgia, o tecido em volta do silicone tende a se contrair e, dependendo da intensidade com que isso acontece, o seio pode ficar duro (perde a aparência natural) e dolorido. 
 
Em casos graves, podem ser necessárias a remoção do tecido e a susbtituição da prótese. Mas esse risco caiu muito com a evolução das próteses (a superfície lisa foi substituída pelo silicone texturizado). O avanço das técnicas cirúrgicas, o uso de medicamentos específicos e a orientação de usar sutiã de contenção por até dois meses depois da cirurgia também contribuíram para a redução do problema. “As complicações relacionadas diretamente à cirurgia, como assimetria e alteração da cicatriz, também são pequenas: ocorrem em menos de 5% dos casos”, complementa Daniel Francisco Mello.
 
Que anestesia é usada nessa cirurgia?
Existem três possibilidades: anestesia local com sedação, peridual com sedação ou geral. A mais usada é a local com sedação, que evita náuseas, vômito e tontura. Mas a escolha também depende da experiência do profissional.
 
É possível evitar que a cirurgia deixe cicatriz?
Não tem como. Mas você e o seu médico podem conversar e decidir o local da incisão. Há três possibilidades: na base do seio (inframamária), no bico (periareolar) ou embaixo do braço (via axilar). A primeira é a mais comum, mas depende da idade, do tipo de pele e da capacidade de cicatrização da paciente. Já a segunda, apesar de ficar quase invisível, não pode ser feita em mulheres que têm a areóla muito pequena, com menos de 2,5 centímetros de diâmetro. A terceira é uma técnica mais complexa e, por isso, costuma ser usada em menos de 5% das pacientes.
 
A cirurgia é demorada?
Depende de cada caso. Mas, normalmente, a intervenção não ultrapassa três horas. Já a internação pode variar de 12 a 24 horas.
 
O pós-operatório costuma ser dolorido?
Desde o primeiro dia, as dores são controladas com analgésicos, mas essa reação depende de diversos fatores – um deles é a técnica usada. A colocação da prótese atrás do músculo é a mais invasiva e, portanto, a que oferece um pós-operatório mais dolorido. Porém garante um resultado natural.
 
E a recuperação: é tranquila?
Geralmente, sim. Mas demora no mínimo uma semana, quando a paciente pode ser liberada para voltar ao trabalho. Mas nem pense em carregar peso (inclusive a bolsa) antes de 60 dias. “Em três meses, mais de 80% das mulheres estão totalmente recuperadas. O ideal é esperar até seis meses para a retomada de todas as atividades – inclusive malhar com peso”, diz Alexandre Barbosa.
 
Depois de quanto tempo a prótese deve ser substituída?
Não há regra nem prazo de validade fixos. Uma prótese de boa qualidade pode ser mantida por mais de 15 anos. “O risco de ruptura (problema que exige a troca do implante) diminuiu muito com a melhora da qualidade das próteses”, explica Daniel Mello. Mas a decisão de substituí-la deve ser baseada na conduta médica e nos exames clínicos e de imagem (eles mostram possíveis sinais de desgaste), que devem ser feitos periodicamente.
 
De acordo com o protocolo americano, além dos exames tradicionais, como ultrassom, após cinco anos é necessária a realização de uma ressonância magnética, que precisa ser repetida com dez anos e, depois, a cada três.
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