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Por que eu quis ser mãe?

Num mundo focado em produtividade, lucro e “sucesso”, ter filho não faz nenhum sentido. Mas a maternidade não é racional, é um desejo da alma.

Por Debora Pivotto Atualizado em 30 nov 2021, 18h32 - Publicado em 18 nov 2021, 17h48

Ando um tanto ausente aqui nesta coluna, mas juro que esse meu sumiço foi por um bom motivo: estou grávida de 8 meses. E essa gestação deu uma bela bagunçada na minha vida e na minha rotina.

Nossa… eu teria tantas coisas para compartilhar sobre essa experiência profunda e transformadora que é gestar. Mas o que sinto de escrever aqui hoje é sobre como eu descobri que queria ser mãe.

Pode parecer simples para algumas pessoas a decisão de ser ou não mãe. Mas para mim não foi e sei que para muitas mulheres também não é.

Durante muitas décadas, ser mãe era praticamente uma obrigação social para nós, mulheres. E por mais que existisse um desejo verdadeiro de maternar, grande parte dessa vontade era fruto de uma construção cultural – afinal, crescemos ganhando bonecas de presente, não é mesmo? Era a chamada maternidade compulsória.

Felizmente, esse senso de obrigação vem mudando muito nos últimos anos. As mulheres hoje estão refletindo mais e escolhendo se querem ou não ser mães. Mas sinto que fomos de uma época em que a maternidade era quase obrigatória para um outro extremo, um mundo em que focamos totalmente nos nossos objetivos profissionais e práticos e onde a maternidade simplesmente não se encaixa. Num sistema capitalista focado em produtividade, lucro e “sucesso”, engravidar e cuidar de crianças que não faz qualquer sentido, só atrapalha mesmo. E tudo isso torna essa escolha bastante complexa.

Saímos de um lugar em que a maternidade era super romantizada para um choque de realidade em que mulheres que são mães e atuam no mercado de trabalho contam com pouca ou nenhuma rede de apoio e por isso estão quase sempre exaustas, frustradas e culpadas por não conseguirem ser nem a mãe nem a profissional que gostariam.

E nessa confusão de desafios e desconstrução de estereótipos, como podemos nos conectar com nossos verdadeiros desejos? E quando nos conectamos, como podemos bancá-los sem que isso cause sofrimento? Percebem como essa decisão não é simples?

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Durante muitos anos, eu tive convicção de que exerceria minha maternidade cuidando apenas de meus projetos profissionais. Não sentia que tinha qualquer vocação para ser mãe. E ver de perto a rotina exaustiva e solitária de várias amigas mães só me afastaram da possibilidade de querer engravidar.

Tudo mudou, porém, quando em um retiro de autoconhecimento, estávamos meditando sobre nossos sonhos mais profundos e tive uma visão muito clara – e surpreendente – de que eu queria sim engravidar!  Entrei em contato com um desejo daqueles tão profundos e escondidos que você tem medo até de assumir que tem, sabe?

Enfim, guardei essa informação comigo durante alguns anos, fui amadurecendo a ideia, tive conversas iniciais com meu companheiro, até que durante a pandemia, com o isolamento e um aprofundamento em mim mesma, essa vontade virou praticamente uma urgência! Sinto que a minha idade também contribuiu para esse aceleramento. Depois que fiz 37 anos, parece que um reloginho dentro de mim soou um alarme que dizia “e aí, querida, vai rolar ou não?”.

Foi aí que entendi que era hora de colocar esse desejo em prática. Tive uma conversa com meu companheiro – que levou um tempo para entender essa minha urgência. Mas foi em uma conversa com ele que compreendi o principal motivo de querer ser mãe.

Ele me perguntou “mas por que você quer tanto ter filho?”. E quando eu parei para refletir, a resposta veio de uma forma intuitiva e muito nítida: “porque eu quero conhecer essa dimensão do amor que é ser mãe”. Eu tinha certeza de que queria, mas não tinha entendido até então o motivo.

E nesses oito meses de gestação, tenho percebido o quanto a maternidade é mesmo um projeto pessoal. Não tem nenhuma lógica. Sinto que é uma escolha, mas não é racional. É um desejo da alma. Mexe com sentimentos profundos dentro de nós. Tem a ver com entrega, coragem, fé. É um mergulho profundo em águas desconhecidas. E tem sido muito transformador.

Termino este texto contando que novamente vou dar uma “sumida” por aqui. Afinal, meu bebê pode chegar a qualquer momento e eu devo ficar bem ocupada com ele nos próximos meses. Mas prometo retornar assim que possível contando um pouco mais sobre os aprendizados que essa jornada tem me trazido. Até breve!

Sou Debora Pivotto, jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações do país até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo de autoconhecimento chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Análitica Junguiana. Adoro compartilhar meus aprendizados em textos, vídeos e workshops. Para saber mais, me acompanhe pelo instagram @deborapivotto.  

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