Como escolher seu protetor solar

Um guia importante para escolher - e cuidar- do seu produto da melhor maneira

Por Amanda Ventorin Atualizado em 20 jan 2021, 12h00 - Publicado em 20 jan 2021, 09h00

Mesmo sendo algo que precisamos usar diariamente — faça sol ou não –, muitas pessoas negligenciam o uso do protetor solar, lembrando do mesmo apenas quando o verão chega. Ou então até usam, mas escolhem o fator de produção ou textura errada. Quer você não esteja usando o produto ou esteja usando de forma incorreta, sua pele fica exposta aos raios ultravioletas (que causam desde o envelhecimento precoce até câncer de pele). Por isso, para te ajudar a se cuidar nesse verão, separamos algumas dicas sobre como escolher seu protetor solar!

Como ler o rótulo do protetor solar

Antes de o comprar é importante entender o que cada um tem a oferecer e o que aquelas letras miúdas na embalagem querem dizer. “A falta de entendimento sobre o rótulo do protetor solar pode demonstrar que a pele não está recebendo a proteção que precisa”, destaca a dermatologista  Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. “Muitas pessoas desconhecem a importância de várias dessas siglas. E além delas, já temos como guideline internacional a indicação de antioxidantes como a Vitamina C e E, que potencializam a proteção solar”, completa a médica.

A seguir, ela explica as informações que você precisa ter para saber se o protetor solar é eficiente:

À prova d’água: Quando um filtro solar é resistente à água, ele permanece eficaz por 40 minutos na pele molhada. Quando ele é muito resistente à água, o filtro solar permanece eficaz por 80 minutos na água. A versão “muito resistente à água” é mais indicada para crianças e esportistas. No entanto, a recomendação da profissional é de reaplicar o filtro a cada duas horas para garantir uma pele protegida.

Amplo espectro: O protetor solar pode proteger dos raios ultravioleta A (UVA) e ultravioleta B (UVB) que são prejudiciais à pele. Mas um filtro solar de amplo espectro protege a pele do envelhecimento (manchas, rugas e flacidez), de queimadura e ajuda a prevenir o câncer de pele. “Esse filtro de amplo espectro pode conter ativos antioxidantes e que protegem contra o calor e a luz visível”, afirma a médica.

Antioleosidade: A fotoproteção é fundamental em todos os tipos de pele, mas alguns protetores podem tornar a pele mais oleosa, por isso alguns filtros solares aparecem com a informação no rótulo “antioleosidade”. “Esse produto tem toque seco e é formulado com ativos que controlam a oleosidade, reduzem o brilho, garantem toque extrasseco e mantém a pele protegida contra a radiação solar”, explica o farmacêutico Maurizio Pupo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da ADA TINA Italy.

Antioxidantes: Os antioxidantes são considerados excelentes aliados no dia-a-dia pois combatem os radicais livres, que são átomos ou moléculas instáveis e altamente reativas que, em excesso, passam a atacar células sadias, como proteínas, lipídios e DNA. “Eles danificam a membrana e a estrutura da célula, podendo, em casos extremos, levar à morte celular”, explica. “O protetor solar deve ir além dos ativos de proteção: ele deve ser um multibenefícios com elementos de ação antioxidante para imediatamente reparar o processo inflamatório formado em função da radiação”, destaca a dermatologista.

FPS: A sigla de Fator de Proteção Solar refere-se apenas aos raios UVB. Mas um FPS alto vai necessariamente proteger? A dermatologista explica que não: “Hoje se descobriu que a proteção solar que leva em consideração apenas a questão da vermelhidão desconsidera a dose suberitematosa (um dano criado antes mesmo da pele ficar vermelha) dando origem a chamada “sunburn cells” (células que sofreram alterações importantes pela radiação ultravioleta apresentando degeneração no seu DNA, com possibilidade de cancerização no futuro). Como nenhum protetor solar pode filtrar 100% dos raios UVB do sol, as roupas de proteção (com FPS), chapéus e procurar sombra também são indicações importantes.

PPD: Persistant Pigment Darkening indica o grau de proteção contra os raios UVA. Nos rótulos, o PPD pode aparecer como FPUVA (Fator de Proteção UVA). O PPD ideal é a partir de 10 e deve representar, no mínimo, um terço do FPS.

Protetor solar com repelente – Se um rótulo de filtro solar diz que contém repelente de insetos, você deve procurar outro protetor solar. Embora ambos os produtos ofereçam proteção importante, a compra separada é necessária porque: o protetor solar deve ser aplicado de forma generosa; o repelente de insetos deve ser aplicado com moderação e com menos frequência do que o protetor solar.

O formato do protetor solar

Gel, creme, loção, spray, bastão: todos esses são veículos dermocosméticos que devem ser considerados na hora da escolha de um fotoprotetor, pois isso ajuda na prevenção de acne e oleosidade. “Pacientes com pele com tendência à acne devem optar por veículos livres de óleo ou então em gel creme. Pacientes que praticam muita atividade física devem evitar géis, pois eles se diluem facilmente”, enfatiza a médica.

Veja algumas indicações da BOA FORMA

Embalagem cinza do protetor solar em formato oval com as letras em amarelo.

Shuseibdo BB – Protetor Solar For Sports (FPS 50)

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embalagem branca do protetor solar com letras em preto e riscos verde e azul

Ada Tina – Protetor Solar Matte (FPS 50)

embalagem do protetor solar metade branca e metade laranja, com um quadrado no meio com informações do produto dentro em letras brancas

Actine – Protetor Solar (FPS 30 sem cor)

pó compacto com um espelho embutido

Adcos – Filtro Solar Tonalizante Pó compacto (FPS 50)

Como escolher o melhor protetor solar para cada tipo de pele

Um dos métodos conhecidos para saber a proteção que sua pele precisa é a classificação dos fototipos cutâneos (tipo de pele em relação ao mal que o sol pode fazer) da escala Fitzpatrick, criada em 1976 pelo médico norte-americano Thomas B. Fitzpatrick. Segundo a tabela existem 6 classificações diferentes de pele, que exigem tipos diferentes de proteção, sendo elas:

  • Fototipo 1: A Pele branca que sempre queima e nunca bronzeia, além de ser muito sensível ao sol;
  • Fototipo 2: Pele branca que sempre queima e raramente bronzeia, sensível ao sol;
  • Fototipo 3: Pele morena clara que queima moderadamente, sendo mais resistente que o fototipo 1 e 2, bronzeia relativamente bem. Sensibilidade normal ao sol;
  • Fototipo 4: Pele morena moderada que queima pouco e sempre bronzeia, sensibilidade normal ao Sol;
  • Fototipo 5: Pele morena escura que raramente queima e bronzeia com facilidade, pouco sensível ao sol;
  • Fototipo 6: Pele negra que nunca queima e totalmente pigmentada, sendo naturalmente bronzeado e é insensível ao sol.

Para Maurizio Pupo, no entanto, a escala de Fitzpatrick é um tanto ultrapassada, pois quando foi desenvolvida não havia um número considerável de casos de câncer de pele ou a necessidade de manter a pele integra por mais tempo. “Segundo a OMS, as peles de fototipo 6 já estariam protegidas por um FPS 10, pois elas precisam de pouca proteção. Parece pouco mas não é, esse FPS bloqueia 90% da radiação solar. Já as peles do fototipo um já estariam protegidas com o FPS 30, segundo a tabela. Mas sabemos que as pessoas não reaplicam o protetor, então isso vai caindo por terra e hoje em dia não a usamos mais. Identificamos a pele como pouco sensível (FPS 30 recomendado), sensível (FPS 50 recomendado) ou muito sensível ao sol. (FPS acima de 50 recomendado)”.

A maneira correta de aplicar o protetor solar

O dermatologista Daniel Cassiano sugere que o filtro seja aplicado 15 minutos antes de você de fato ir ao sol nas áreas que serão expostas. “A SBD recomenda a regra da colher de chá como estimativa de quantidade certa de filtro para cada região do corpo. No rosto e pescoço deve ser usado 1 colher de chá; no tronco anterior, 2; membros superiores, 1; e membros inferiores, 2. A cor esbranquiçada está mais relacionada a presença de filtros físicos na fórmula do produto. Se a regra da colher de chá foi respeitada, não importa se ficou branco ou não”, e completa: “as áreas com tatuagem devem ser protegidas com mais rigor, já que a radiação solar pode alterar o pigmento com o passar do tempo.”

A radiação solar causa vasta destruição celular e deficiência do sistema imunológico

Vale ressaltar o motivo pelo qual devemos usar protetor solar: A radiação solar (conhecida como raios UVA e UVB) causa uma vasta destruição celular na pele e deficiência do sistema imunológico (predispondo a infecções como o herpes simples entre outros).

Como manusear e cuidar do seu protetor solar

Um fundo laranja pastel com duas mãos brancas sobre, onde uma delas está segurando uma embalagem azul clara e na outra mão um pouco de protetor está nas costas da mão, próximo ao indicador.
Moose/Pexels

O protetor solar deve ser nosso melhor e inseparável companheiro. Mas muitas vezes esquecemos que ele precisa, sim, de cuidados especiais para garantir sua integridade, e principalmente, sua função.

  • Validade O primeiro erro comum é usar o mesmo protetor por vários verões. “Quando o assunto é proteção solar, a data de validade é fundamental. Os ativos contidos deterioram-se com o tempo e a proteção pode ser afetada. Além disso, uma embalagem que já foi aberta há muito tempo pode estar contaminada por germes e bactérias.
  • Armazenamento Cuidado também no armazenamento, pois o calor excessivo pode dificultar a eficácia”, comenta o dermatologista Daniel Cassiano. Mas esse não é um problema que você terá caso use seu protetor de maneira correta, pois segundo o médico, ele acabará antes do próximo verão!
  • Temperatura Os produtos cosméticos são projetados para resistir de 45° à 50°C. Se você deixar seu protetor dentro da sacola de praia exposto ao sol muito provavelmente chegar a 70°C facilmente. Já em contato com a areia, por ela esquentar demais, existe a possibilidade do protetor alcançar 60°C e isso pode gerar uma instabilidade na formulação. “O produto necessitará de uma boa agitação para se recompor. Se a pessoa aplicar com ela instável, provavelmente não terá a proteção necessária, pois a formula estará instável.” Explica Maurizio. E guarde ele sempre em temperatura ambiente, em um local fresco. Não há necessidade de colocar o dermocosmético na geladeira.
  • Reaproveitamento Evite abrir demais a embalagem e, quando colocar produto demais na mão, não tente devolver um pouco. Isso aumenta o risco de bactérias e germes contaminarem o cosmético.

 

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