Outubro rosa: blogueira mostra como fazer amarrações com lenço

Confira o depoimento de Flávia Flores, idealizadora do projeto Quimioterapia e Beleza, e assista ao vídeo com o passo a passo de looks fáceis de fazer

Por Maria Clara Póvia (colaboradora)
Atualizado em 21 out 2024, 17h32 - Publicado em 19 out 2017, 14h10
Quatro fotos com a blogueira Flávia Flores fazendo amarrações no cabelo
 (Quimioterapia e Beleza/Reprodução)
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“Só me dei conta de quanto eu era apegada ao meu cabelo quando veio a notícia de que eu estava com câncer. O baque nesse momento é tão grande que passa tudo pela cabeça ao mesmo tempo: ‘Vou ficar sem peito, careca e posso morrer!’ O médico me disse que era preciso retirar a mama em que o nódulo apareceu, mas não me deu praticamente nenhum detalhe sobre como minha aparência iria ficar. Perdi o chão.

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Fui diagnosticada com a doença em 2012, quando eu tinha 35 anos, após apalpar um caroço no banho. Apesar de não ter histórico na família, o diagnóstico foi um dos mais agressivos que existem — e que apresentava altíssima mortalidade até então. Foram dez dias chorando sem parar, pesquisando preços de caixão, cerimônias de cremação e com a autoestima completamente destruída. Até que um dia, me olhei no espelho e meu rosto parecia um pão francês de tão inchado. Decidi que era a hora de reagir.

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Procurei uma segunda opinião; não era possível que seria assim tão trágico. Um amigo oncologista me indicou uma mastologista que mudou minha vida. Ela viu meus exames e, sim, confirmou o que já sabia. Porém, de uma maneira muito delicada, me explicou que eu removeria as mamas, mas poderia fazer uma cirurgia reconstrutora imediatamente.

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Saí do consultório com outro astral. Em vez de buscar preços em funerárias, fui atrás de perucas e apliques. E olha que nem tinha começado de fato o tratamento! Sabia que uma hora o cabelo ia cair e essa expectativa da queda é tão ruim ou até pior do fato em si, porque você não sabe direito nem como nem quando o problema vai começar.

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No meu caso, foi de repente: do nada, o cabelo começou a despencar sobre a comida, saiam chumaços no chuveiro e o travesseiro ficou coberto de mechas. Pensei: ‘Chegou a hora de raspar!’. Mas não fiz a Camila, não [personagem de Carolina Dieckmann, na novela da Globo Laços de Família]. Pelo contrário: chamei dois amigos, abri uma garrafa de vinho para dar coragem e eles me ajudaram. Foi libertador! Tenho tudo gravado e realmente eles me ajudaram a deixar o momento mais leve.

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Antes do câncer, meu cabelo era longo, até a cintura, todo cacheado. Passava mil cremes, fazia hidratação, cuidava mais dos fios do que da pele. Mas hoje vejo o quanto esse apego era bobo diante de todos os outros problemas que enfrentei. Foi quando chegou o momento de ir atrás das perucas. Queria uma bem linda, discreta e natural, que pudesse disfarçar minha doença, mas os preços eram exorbitantes. Estava sem emprego, pagando um absurdo no tratamento, era impossível gastar 4 mil reais em um acessório só. Minha mãe me deu 300 reais e, com esse dinheiro, comprei seis versões bem diferentonas – rosa, loira, comprida, chanel. E percebi que seria melhor eu me divertir e me fantasiar em vez de me esconder. Isso ajudava, inclusive, a quebrar o gelo com as outras pessoas.

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Como previsto, no começo meu cabelo cresceu um pouco frisado, elétrico, mas aos poucos foi tomando jeito. Até fiz descoloração depois do tratamento. O que foi um erro — aliás, não recomendo para ninguém! Ele ficou muito fraco, quebradiço. Em seguida, sem o descolorante, os fios já estavam bem mais fortes, saudáveis e não tenho trabalho nenhum.

Hoje, quando vou malhar – um hábito que adquiri só depois que fiquei doente – prendo os fios com um rabo, faço tranças ou amarro um lenço, que virou uma espécie de marca registrada. Tanto que sempre tenho um na bolsa”.

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No vídeo abaixo, Flávia ensina a fazer amarrações com lenços, conta um pouco mais de sua história de superação e compartilha informações sobre seu livro (Quimioterapia e Beleza, Ed. Jardim dos Livros, R$ 21,90, 236 págs.) e seu projeto Quimioterapia e Beleza.

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