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O que é comer de forma limpa?

Por Larissa Serpa Atualizado em 27 set 2021, 12h03 - Publicado em 13 out 2021, 09h00

Comer de maneira limpa. Essa é a nova e principal tendência de alimentação vista no último ano, principalmente no contexto da pandemia de Covid-19, em que a dieta ganhou papel fundamental para funcionar como um booster na saúde imunológica, aumentar a longevidade e prevenir doenças.

É difícil, no entanto, definir o que significa comida limpa, porque grupos diferentes podem defini-la de maneiras diferentes.

A conotação mais frequentemente aceita pode ser que comida limpa, também chamada de “comida de verdade” ou comida natural, é qualquer comida que:

  • é inteira, ou seja, não foi significativamente processada ou refinada;
  • é cultivada localmente, está na estação;
  • não vem em caixas ou latas, mas está o mais próximo possível do seu estado natural;
  • é embalado em embalagens ecológicas;
  • não contém aditivos artificiais, conservantes, aromatizantes, branqueadores, adoçantes ou mesmo um alto teor de sódio ou açúcar;
  • é obtida organicamente e processada apenas o necessário, sem abrir mão de seus benefícios nutricionais ou alterar suas propriedades essenciais.

COMO SEGUIR UMA “ALIMENTAÇÃO LIMPA”

Uma dieta limpa pode consistir em várias combinações de grupos de alimentos, como grãos inteiros orgânicos, vegetais crus ou levemente cozidos, frutas, nozes, água, ervas e chá verde.

Na mesa, algumas coisas que podem ser encontradas na mesa dos seguidores do Clean Eating são:

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  • grãos integrais em vez de farinha refinada, como no pão, biscoitos, bolos e tortas;
  • arroz integral em vez de arroz branco, que foi moído até perder a casca;
  • mel em vez de açúcar branco refinado;
  • vinho tinto rico em antioxidantes em vez de outros tipos de álcool;
  • frutas em vez de sobremesas de farinha branca com alto teor de gordura e açúcar;
  • saladas cruas em vez de maionese;
  • legumes levemente salteados ou cozidos no vapor em vez de legumes cozidos em um molho processado;
  • açúcar mascavo orgânico em vez de açúcar branco;
  • refeições caseiras em vez de enlatadas; 
  • azeite extravirgem em vez de óleo de canola;
  • chá verde em vez de café;
  • ervas e especiarias para temperar;
  • e muita água filtrada.

Em contrapartida, há a exclusão de qualquer alimento que contenha ingredientes impronunciáveis em seu rótulo; alimentos preservados artificialmente, com muito açúcar e sal, processados e prontos, sucos de frutas e refrigerantes também não fazem parte desse tipo de plano alimentar.

BENEFÍCIOS DA “ALIMENTAÇÃO LIMPA”

Uma alimentação limpa tem inúmeras vantagens para a saúde geral – é benéfica ao reduzir a quantidade de gordura, sal, açúcar e aditivos químicos nos alimentos. Isso pode ajudar a conter a epidemia de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças malignas e demência senil.

No entanto, comer de forma limpa também tem seu lado sombrio, tornando a alimentação limpa o foco da vida. O diagnóstico emergente de ortorexia nervosa mostra como o conceito de comer “comida de verdade” pode ficar fora de controle nas mãos de uma pessoa que é obsessiva, insegura e tenta ganhar autoestima e controle sobre a vida por meio da adesão estrita às normas criadas por ela mesma. Enfatizar demais esse aspecto da vida pode levar ao estresse, isolamento social, espírito crítico, relacionamentos rompidos e até desnutrição.

Uma adoração tão rígida de certos tipos de alimentos apenas como alimentos puros ou curativos é desnecessária. A alimentação limpa visa a saúde de toda a pessoa, mas é apenas uma parte a ser considerada. Deve ser acompanhado de igual ou mais atenção aos relacionamentos, habilidades pessoais e desenvolvimento de talentos, crescimento emocional e espiritual, busca de hobbies e interesses, e um amor pela vida que abrange o que está legalmente disponível e compatível com o bem de cada um. Isso é fundamental para a saúde, bem-estar e longevidade.

RESPONDIDO POR:

DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Nutrólogo e Cardiologista, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). É membro da American Heart Association e da International Colleges for Advancement of Nutrology. Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal, atuou e atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. O médico tem certificação Internacional pela Harvard Medical School, para tratamento da Obesidade. É diretor médico do V’naia Institute. Diretor Científico Brasil da European Academy of Personalized Medicine.

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