Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

“Odeio o meu emprego, quero mudar mas não sei por onde começar”

Como encontrar um caminho profissional mais feliz: compreender os reais motivos da insatisfação, redescobrir suas motivações e planejar uma transição ajudam

Por Debora Pivotto Atualizado em 19 ago 2021, 12h46 - Publicado em 4 ago 2021, 21h09

Das pessoas que você conhece ou convive, quantas estão satisfeitas com o trabalho que exercem? Já ouviu algum amigo ou amiga falar que está feliz no emprego? E você? Se sente realizado ou realizada com o que faz?

Pesquisas indicam que a grande maioria das pessoas está muito insatisfeita no trabalho. E essa frustração e desencaixe estão diretamente ligadas ao alto índice de depressão e ansiedade que temos atualmente.

Eu sinto que essa insatisfação e essas crises são percebidas pelas pessoas de forma bem diferentes. Para algumas, esse problema nem existe – afinal trabalhar é chato mesmo e elas focam o prazer de vida delas nos finais de semana, feriados e férias. Mas para outras, que já estão mais conscientes, a insatisfação está cada vez mais maior e o trabalho começa a ficar quase insuportável. E esse pode ser um momento de grande crise porque é muito comum a pessoa se dar conta da insatisfação mas não saber o que fazer com isso ou não ter ideia de que caminho quer seguir.

Neste tempo trabalhando com esse tema do propósito e mesmo na minha vida pessoal, já ouvi muita gente falando “eu odeio o meu emprego mas não sei o que faria se sair”. E, se este é o seu caso, quero aqui trazer algumas indicações de caminhos que eu percorri e que me ajudaram muito na jornada de me conectar mais com o meu propósito de vida.

– Entenda se o trabalho que está exercendo é realmente o problema

Muitas vezes, a insatisfação das pessoas tem mais a ver com o ambiente de trabalho e as relações envolvidas no processo do que com o trabalho em si. A pressão excessiva por metas quase inatingíveis, ambiente competitivo entre colegas e comportamento abusivo de chefes são motivos muito frequentes de angústia, especialmente entre as pessoas mais sensíveis. E isso pode fazer com que elas percam a vontade de exercer determinada função, mesmo que tenham vocação para tal.

Outro ponto que também pode gerar uma grande insatisfação profissional são os objetivos da empresa para a qual trabalhamos. Eu passei por uma profunda crise no meu último emprego fixo em 2016, quando trabalhava como produtora de um telejornal da TV Globo. E pouco antes de pedir demissão, eu percebi que muito mais do que o trabalho de produção que eu estava exercendo, o que mais me incomodava era a grande importância que dávamos para as notícias ruins e para as coisas que davam errado. Eu me sentia muito mal de colocar toda a minha energia num trabalho que, muitas vezes, deixava as pessoas mais deprimidas ou descrentes. Ou seja, o meu objetivo de vida não tinha mais a ver com os objetivos daquela empresa. Ou pelo menos, não com aquele setor em que eu trabalhava. E eu encontro muita gente desmotivada por estar trabalhando para atingir metas ou vender produtos que nada tem a ver com que elas acreditam.

Por isso, é fundamental compreender o que realmente nos incomoda naquele trabalho: se é a atividade que está senda executada que não faz mais sentido, a forma como este processo está sendo conduzido ou o objetivo final daquele trabalho ou da empresa.

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– (Re)descubra quais os seus dons e talentos

Somos muito condicionados a escolher uma faculdade e uma profissão muito cedo e nem sempre nossas escolhas estão conectadas com o que realmente gostamos de fazer. A expectativa de familiares e razões financeiras também podem ter um peso grande nestas escolhas. Por isso, nestes momentos de crise, é fundamental investir num bom processo de autoconhecimento, para que você possa se reconectar com seus dons e talentos, compreender quais são os seus medos, bloqueios, suas habilidades e o que realmente te motiva. Esse é um primeiro passo fundamental que pode nortear todo um processo de mudança.

E aqui eu indico com todo amor um projeto muito lindo do qual eu faço parte: a Universidade do Propósito. É uma plataforma de cursos online totalmente voltada para ajudar as pessoas no processo de sintonização com o propósito de vida delas e com a prosperidade. Recomendo muito! E se você se interessar e o dinheiro for um desafio para você neste momento, pode me escrever que a gente pensa numa forma de te ajudar J

– Faça um processo de transição gentil e possível

Depois de compreender o que de fato te motiva, planeje um processo de transição, dentro do que é possível na sua realidade. Se é uma atividade nova que você quer exercer, pense em cursos de formação ou formas de exercer a função no seu tempo livre ou nos finais de semana, para que você ganhe uma experiência e sinta se é isso que você realmente quer. A experiência prática é fundamental para gente validar nossos novos caminhos. Pode ser cansativo fazer um curso fora do horário do trabalho ou mesmo ter uma espécie de jornada dupla no início da transição. Mas eu te garanto que a sensação de estar se movimentando e indo atrás do que te motiva é muito mais prazeroso do que estar infeliz num trabalho e se sentindo estagnado.

– Tenha coragem de mudar e fazer diferente.

Eu percebo que esse alinhamento com o nosso propósito de vida é uma jornada longa, profunda e que só é possível com muita disposição e, principalmente, coragem.

Coragem de sair do automático e identificar uma insatisfação, de enfrentar uma crise, de se questionar sobre seus objetivos e motivações na vida, de conhecer seus medos mais profundos e, claro, a coragem de enfrentá-los. Eu vejo muita gente reclamando dos seus empregos, mas poucos são os que estão de fato se movimentando para mudar. Não estou romantizando o processo não, sei que ele não é fácil, que cada um vive uma realidade diferente, com desafios diferentes, e que temos que pagar os boletos todos os meses. Mas acho fundamental que cada um que está insatisfeito possa se perguntar: o que eu tenho feito para tentar mudar a minha situação? O que eu tenho para oferecer que o mundo está precisando? Essas respostas podem nos abrir algumas portas.

Sou Debora Pivotto, jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações do país até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo de autoconhecimento chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Análitica Junguiana. Adoro compartilhar meus aprendizados em textos, vídeos e workshops. Para saber mais, me acompanhe pelo instagram @deborapivotto.  

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