Debora Pivotto: nova colunista da Boa Forma é responsável pela seção Espiritualidade Prática Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

É possível viver do nosso Propósito?

Aliar nossos dons e talentos com prosperidade é um processo que exige autoconhecimento e muita coragem

Por Debora Pivotto Atualizado em 14 jul 2021, 20h54 - Publicado em 30 jun 2021, 20h29

Tanto no meu processo pessoal como nos meus atendimentos profissionais eu investigo e trabalho há algum tempo com a questão do propósito de vida. E percebo que um dos questionamentos mais comuns sobre o assunto é: “é possível mesmo viver do nosso propósito?”. Ou seja, se é possível trabalhar com algo que faça sentido para gente, que esteja alinhado com o que realmente gostamos de fazer e acreditamos e ainda ganhar dinheiro com isso?

Gostaria de responder a essa pergunta compartilhando uma história muito inspiradora que eu ouvi ontem durante uma palestra na aula aberta na Universidade do Propósito, plataforma de cursos online em que trabalho e que é totalmente dedicada a apoiar as pessoas no processo de reconexão com seus dons e talentos e seu propósito de vida.

Mariana Amaral: mpresária, ativista e idealizadora dos festivais Virada Sustentável e Virada Zen
Mariana Amaral: mpresária, ativista e idealizadora dos festivais Virada Sustentável e Virada Zen Divulgação/Divulgação

Mariana Amaral é empresária, ativista e idealizadora dos festivais Virada Sustentável e Virada Zen. Com uma alma empreendedora e muito entusiasmo, ela contou que teve a sua primeira “empresa” aos 12 anos, quando começou a trabalhar com animação de festa infantil. Formou-se em publicidade, começou a trabalhar em agências e se especializou na área de eventos. Em pouco tempo, ela decidiu criar a sua própria agência e foi muito bem sucedida, mas não se sentia realizada. Trabalhava para promover eventos de grandes marcas que, muitas vezes, não se encaixavam com as causas pelas quais se interessava e julgava importante, mas enfim, era o que pagava as suas contas.

Com o tempo, surgiu a inspiração de criar um evento que promovesse a sustentabilidade, um grande festival com debates, shows e atividades culturais relacionadas ao tema e que acontecesse em diversas partes da cidade de São Paulo. Para montar a primeira edição, ela contou com a ajuda de amigos, que contribuíram com a organização, planejamento e produção. Durante um ano, ela se reuniu toda quarta-feira com essa equipe voluntária para planejar tudo. E a primeira edição do evento, em 2011 em São Paulo já foi um super sucesso de público.

Nos dois anos seguintes, Mariana seguiu com a sua agência e trabalhou paralelamente na organização das próximas edições da Virada Sustentável. Até que, na terceira edição, o evento começou a ter patrocínios e se tornou financeiramente sustentável. Ela, então, teve a coragem de largar a agência que tinha e se dedicar de corpo e alma ao projeto que fazia vibrar o seu coração.

Virada Zen e Virada Sustentável: resultado de um trabalho feito com propósito por Mariana Amaral
Virada Zen e Virada Sustentável: resultado de um trabalho feito com propósito por Mariana Amaral Divulgação/Divulgação

Hoje, a Virada acontece não só em São Paulo, mas também em cidades como Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. O evento recebeu prêmios internacionais e inspirou muitas empresas e organizações a realizar ações que promovam e debatam a sustentabilidade. E a Mariana continua feliz, inspirada e com novos desafios para seguir colocando esse sonho em prática.

Eu me encantei muito com a história da Mariana porque, além de muito inspiradora, pra mim ela traz elementos fundamentais para ajudar a responder a tal pergunta “é possível viver do nosso propósito?”. De forma simplista mas confiante, digo que sim, é possível! Mas também é bem desafiador. É um processo que envolve reconhecer os nossos dons e talentos, compreender o que realmente gostamos de fazer e o que queremos realizar no mundo e, finalmente, batalhar para colocar nossos sonhos e projetos em prática.

Continua após a publicidade

Essas três etapas que eu citei, muitas vezes, já representa a jornada de uma vida inteira! No caso da Mariana, colocar o projeto que ela queria realizar em prática parece ter sido seu grande desafio. Mas, muitas vezes, as pessoas estão tão desconectadas delas mesmas e anestesiadas que nem acreditam que tem qualquer dom ou talento. Trabalham meio no automático para pagar as contas e nem saber dizer o que realmente gostariam de fazer. E sabemos que o capitalismo e a desigualdade social contribuem muito para a crença de que trabalho e prazer são coisas totalmente incompatíveis.

Outras pessoas até têm uma noção do que gostariam de fazer, estão cheias de sonhos em seus corações, mas não conseguem colocá-los em prática. Porque não confiam em si ou na vida, por medo, ceticismo, preguiça, entre outros vários motivos.

Enfim, o assunto é muito complexo – e falarei muito mais sobre ele aqui na coluna. Mas o que tenho percebido nestes anos de estudo, na minha jornada pessoal e ouvindo histórias de pessoas que se sentem realizadas, é que viver do propósito é possível sim, mas exige muito autoconhecimento e coragem! É uma questão que envolve muito mais do que um trabalho ou uma profissão. Envolve se conhecer de verdade, se questionar, compreender nossas qualidades e desafios, revisitar dores da infância, paciência, persistência e muito mais. Mas a jornada também é incrivelmente satisfatória. Não é apenas ganhar dinheiro fazendo o que gosta. É sobre expressar aquilo que temos de melhor dentro de nós. É compartilhar amor e contribuir de forma pessoal e única para que o mundo se torne um lugar melhor – seja realizando grandes eventos de sustentabilidade, vendendo flores ou construindo uma família.

Como já falei, voltaremos ao tema aqui na coluna, mas me despeço trazendo algumas perguntas que podem nos ajudar a ver em que etapa da jornada de alinhamento com o propósito nos encontramos:

– Você sabe reconhecer quais são os seus dons e talentos?

– Você se sente encaixado(a) no trabalho que está exercendo?

– Quais são os sonhos ou projetos que gostaria de colocar em prática?

Boa reflexão para todos e todas!

Sou Debora Pivotto, jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações do país até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo de autoconhecimento chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Análitica Junguiana. Adoro compartilhar meus aprendizados em textos, vídeos e workshops. Para saber mais, me acompanhe pelo instagram @deborapivotto.  

Continua após a publicidade

Publicidade