Como é a rotina da primeira brasileira a pisar no octógono do UFC

Jessica Andrade não consegue ficar sem uma junk food, mas compensa perdendo quase 2 quilos por treino

Várias horas de treino por dia, alimentação regrada na fase do camp (meses que antecedem grandes competições) e muita determinação. A rotina já é familiar para a lutadora de MMA Jessica Andrade, de Umuarama, interior do Paraná. Atleta há mais de oito anos, ela foi a primeira mulher brasileira a pisar no octógono do UFC, organização de artes marciais mistas que promove os maiores campeonatos do mundo. Atualmente, tem se preparado para conquistar o cinturão em sua categoria, a de peso-palha, em um evento que ocorrerá no Rio de Janeiro em 11 de maio, e conta para a Boa Forma como estão as preparações:

História

“Eu sempre fui muito fã de esportes, mas os que envolviam bola. Já joguei vôlei, handebol, basquete… E o meu grande sonho quando criança era o de ser jogadora profissional de futebol”, afirma Jéssica. Contudo, durante as aulas de judô em um projeto social na cidade ela se destacou. “Tinha 19 anos. O meu mestre na época gostou de mim e me deu um desconto na mensalidade do jiu-jítsu”.

A partir de então, Jéssica se apaixonou pela luta e em 2011 já estava competindo pela primeira vez. “Venci e fiquei animada com o MMA. No ano seguinte conheci o mestre Paraná, meu mentor atual, e em fevereiro de 2013 vim para o Rio me dedicar à carreira”. No mesmo ano, Jessica teve a oportunidade de viajar para a Rússia e ganhou visibilidade no UFC, que a convidou para competir em julho.

Treinos e alimentação

Hoje em dia, a rotina da atleta é integralmente focada nas preparações para as lutas. Em períodos de camp, como está agora, ela chega a fazer mais de um treino por dia, que dura horas e a faz perder cerca de dois quilos! Mas nem sempre foi assim. “No começo, eu precisei intercalar os treinos com o emprego de mototaxista. Era bem puxado”, afirma.

Se os exercícios físicos são tão intensos assim, é de se imaginar que a dieta precise ser restrita e hipercalórica, uma vez que Jessica necessita de todo o gás para encarar as sessões de suor. “Quando estreei no UFC, estava na categoria dos galos (atletas com mais de 61 quilos). Precisei comer quantidades enormes de comida diariamente, mas percebi que não conseguia engordar o suficiente e isso prejudicava a minha carreira. Agora, luto na categoria peso-palha (até 52 quilos).”

E uma mudança na categoria exigiu também uma adaptação na alimentação da atleta. “Aí sim tive que fazer dieta, reduzir as porções e adotar alguns hábitos”, diz Jessica. Durante os dez primeiros meses da mudança, ela cortou os industrializados, focou nos carboidratos complexos (como o arroz integral e a batata-doce), nas proteínas magras e abusou das saladas. É claro que tudo proporcionalmente ao seu gasto calórico diário. “Como faço muita atividade, não como pouco. Durante o camp, por exemplo, preciso reforçar o carboidrato dos legumes para não ficar fraca e passar mal nas lutas”.

Na última semana antes do grande evento, ela conta que precisa bater os 52 quilos exigidos. Para isso, recorre à desidratação. “É a melhor forma de perder peso rápido e se alimentar direito. Após os treinos eu me cubro com um cobertor e suo, assim perco muito líquido. Depois da pesagem, volto a tomar água em abundância e minha dieta fica bastante líquida até a luta”, diz. Vale lembrar também que Jéssica possui acompanhamento médico e que o procedimento é comum no esporte em que pratica, mas não é indicado para fazer em casa, por exemplo.

Em épocas mais tranquilas, a lutadora de MMA confessa que não abre mão de algumas escapadas da dieta — ela ama fast food e chocolate. Seus treinos também se tornam um pouco menos intensos, e seu percentual de gordura corporal varia de 9% para 21%!

Apoio e inspirações

O próximo grande passo de Jessica Andrade acontecerá no dia 11 de maio, no Rio. Lá, ela disputará o cinturão em sua categoria, nada mais do que a honraria máxima dada pelo UFC. Se vencer, será a terceira brasileira a se tornar campeã. E não falta torcida. “Desde que resolvi ser lutadora, recebi todo o apoio da minha família. Minha esposa, meus sogros, meus pais e meu mestre fazem de tudo para que a minha única preocupação diária seja ir à academia.”

 (Alexandre Loureiro/Divulgação UFC/Divulgação)

Dentre as mulheres que a inspiram, ela não deixa de citar a jogadora da seleção Marta e Cris Cyborg, lutadora referência no MMA. “Destemida como a Cris Cyborg eu já sou, agora terei a oportunidade de ser a melhor do mundo como a Marta”, brinca, falando da disputa pelo cinturão.

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