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Amor (próprio) sem tamanho, por Amanda Souza

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A consultora de moda e influencer Amanda Souza faz reflexões acerca de autoestima e amor próprio

Feliz R-EXISTÊNCIA, mulher

O feliz Dia da Mulher é um cumprimento assustador em 2026. Ser mulher em 2026 é assustador. É quase uma ousadia existir. Resistir, então?

Por Amanda Souza
8 mar 2026, 08h00 •
dia da mulher
Feliz R-EXISTÊNCIA, mulher | (freepik/Freepik)
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  • Queria poder só tomar um café da manhã bonito, superfaturado com as minhas amigas, ir a um salão legal fazer o cabelo, me presentear com um dia de spa, comprar aquele jeans poderoso que deixa o meu bumbum incrível, sentar em um barzinho com um look incrível para tomar alguns drinks.

    Mas, neste março, preciso andar acompanhada nas ruas, preciso descobrir como me salvar de uma emboscada de cinco homens caso aconteça, preciso dormir com um olho aberto porque talvez meu companheiro, que hoje me “ama muito”, talvez me m@t3, preciso ensinar todas as crianças mulheres a como sobreviver a uma guerra, preciso estar atenta e forte para ajudar outras mulheres caso presencie algo, preciso estar alerta o tempo todo enquanto tento sobreviver ao cotidiano.

    Não posso relaxar. A vida não é comum para nós. A vida é perigosa. Viver é perigoso para qualquer uma de nós: as feministas, as conservadoras, as religiosas, as idosas, as pequenas, as jovens, as que estão em necrotérios e cemitérios…

    O feliz Dia da Mulher é um cumprimento assustador em 2026. Ser mulher em 2026 é assustador. É quase uma ousadia existir. Resistir, então?

    Muitas de nós não conseguem. Enquanto estamos com medo, eles estão nos comprando flores para socialmente colherem os louros por nos silenciarem, enlouquecerem, minimizarem e muitas vezes extinguirem a nossa existência.

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    É apavorante ser mulher AINDA nos dias de hoje. É desolador não poder SER VENTRE, porque aqueles a quem demos à luz não respeitam. Já não sabemos mais se lutamos por salários maiores, por dignidade profissional, voto, por liberdade ou só pelo direito de respirar.

    Não queremos flores, porque um segundo de distração pode nos custar a vida, pode nos custar ter que explicar o que vestíamos, por que sorríamos, por que estávamos, onde estávamos… porque a culpa, a conta, é sempre nossa.

    Talvez não ter mais medo fosse o maior presente, mas obviamente utópico demais, haja vista o cenário atual. Não somos propriedades, mas ainda não decidimos nossos destinos. Não podemos descansar. Não somos nossas. Não sou minha. Ainda vivo à mercê do sexo oposto decidir o meu destino.

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    Hoje o café superfaturado não tira o gosto amargo. O cabelo hidratado não me distrai. O dia de spa não me relaxa. O jeans perfeito no bumbum não disfarça. O drink no bar não me faz esquecer que somos notícia…

    Em média, a cada seis horas uma de nós é vítima de feminicídio no Brasil, e nada hoje nos distrai o suficiente para não temer…

    Então, neste dia 8 de março: feliz R-EXISTÊNCIA, mulher.

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