Regina Chamon: médica da Lapinha SPA, a @drasanguebom une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis todos os dias Saúde sem estresse, por Regina Chamon Regina Chamon une a medicina com as práticas de bem-estar para te inspirar a cultivar corpo, mente e coração mais saudáveis

O que a Baronesa me ensinou

Ás vezes, apenas conseguimos aprender algo quando tomamos as rédeas

Por Regina Chamon 2 mar 2022, 16h49

Você já andou a cavalo? Pela primeira vez, já aos 40 anos, eu montei a Baronesa. Me disseram que ela era muito tranquila e experiente em ensinar a montaria. Puxei na mente tudo o que eu já havia ouvido falar sobre cavalos: estabelecer uma relação com o animal, ele sente o que a gente sente, mantenha uma postura firme mas flexível enquanto cavalga.

“Oi Baronesa, eu sou a Regina. É a primeira vez que estou fazendo isso e confesso que estou com um pouco de medo, mas vendo que você é serena e juntas a gente vai conseguir!” Montei e não sabia o que fazer com as rédeas. Comecei a sentir um enjoo e meus músculos da face todos contraíram. (lembra da história da bicicleta que contei aqui?) “Não vou conseguir”. Do meu lado o Bruno e a Luísa, meus afilhados de 5 e 8 anos, estavam montados e se divertindo. Pensei: se eles conseguem eu também consigo. Há muitos séculos os humanos fazem isso, não é?

O Javier ia levar a gente no passeio e notou minha contração facial. “Tranquila, Regina”, com seu sotaque venezuelano pegou uma corda amarrada na rédea da Baronesa e começou a me conduzir. Ensinou como eu deveria fazer com as rédeas para que a Baronesa me entendesse e começamos o passeio assim, com Javier no seu cavalo branco puxando a cordinha amarrada na Baronesa e em mim. Nos primeiros minutos fiquei mesmo tranquila com ele me guiando. Fui pegando o jeito, o gingado, o molejo, ao mesmo tempo que entendi que não poderia deixar a postura molenga. Para trilhar esse caminho era preciso estar atenta e relaxada ao mesmo tempo.

Após alguns minutos, comecei a me incomodar. Para que o Javier pudesse nos conduzir, a distância entre nossos cavalos era muito curta e minha perna ficava batendo na anca do Xerife. Eu estava toda torta e não conseguia desviar com a Baronesa dos galhos.

Certo momento Javier mandou “Tranquila, Regina, vou te soltar, mas estou aqui perto”. Alívio imediato, seguido de um pequeno pânico. Mas eu já tinha alguma intimidade com a Baronesa, com a rédea, com a postura. Percebi que após aquelas orientações iniciais e um pouco de treino eu conseguia cavalgar sozinha, mesmo que desajeitada.

Havia algumas coisas que eu não consegui aprender enquanto estava sendo guiada. Precisei estar sozinha, sabendo que por perto tinha alguém para me ajudar se fosse preciso, para entender de fato a tensão que eu precisava colocar nas rédeas, a postura ideal do corpo que fazia com que eu e a Baronesa funcionássemos melhor juntas, a responsabilidade que vem com a liberdade de seguir sozinha.

Esse momento me ensinou que, assim como na cavalgada, no cultivo da saúde há coisas que apenas conseguimos aprender quando tomamos as rédeas. É importante saber que podemos contar com um profissional de saúde quando estivermos no apuro, mas é sozinho que a gente pega o jeito de conduzir nossa saúde na direção em que queremos. Quando não assumimos a rédea, o cavalo pode tomar o rumo que quiser, goste a gente de onde vai chegar ou não.

Saber que muitas pessoas já trilharam essa jornada traz segurança. Ler, estudar, conversar com alguém, aprender intelectualmente é bom. Ser gentil e criar uma relação com o corpo que nos leva no caminho é a base. Ter alguém para nos guiar no começo é importante. Mas tomar as rédeas e seguir sozinho é fundamental para ir na direção que realmente a gente deseja. Seja com a Baronesa, seja com a vida.

 

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