Os riscos da gordura no fígado e como evitar

A doença que atinge, em grande maioria, as mulheres pode ser evitada com um estilo de vida equilibrado

Por Amanda Ventorin Atualizado em 13 set 2021, 21h44 - Publicado em 19 set 2021, 13h00

Também conhecida como esteatose hepática, ela é uma inflamação do fígado que se caracteriza pela presença de esteatose (acúmulo anormal de gordura em um órgão) associada à evidências de agressão hepática, que é quando as veias do fígado ficam obstruídas, dificultando o fluxo sanguíneo.

“Também conhecida por doença hepática gordurosa, gordura no fígado ou fígado gorduroso, a esteatose hepática é uma condição cada dia mais comum, que pode manifestar-se também na infância e atinge mais as mulheres” completa a nutricionista Marcelly Ximenes. 

Uma das causas da gordura no fígado está relacionada a hábitos pouco saudáveis, como uma alimentação rica em gordura e açúcar e sedentarismo. “Então, pessoas com obesidade, colesterol ou triglicerídeos altos, hepatite B ou C crônica, que fazem uso de medicamentos que contribuem para o acúmulo de gordura no fígado, ficam mais vulneráveis”, conta Rogério Oliveira, nutricionista.

Outra causa é o consumo de álcool. “A esteatose alcoólica é uma consequência primária do uso excessivo e prolongado do álcool, que envolve as consequências do metabolismo do álcool e mecanismos secundários, tais como o stress oxidativo, a depleção da glutationa, a produção de endotoxinas, citocinas e reguladores imunológicos”, explica Marcelly.

Sintomas

Segundo Rogério, é preciso ficar atento aos sinais da doença que incluem fadiga, dores abdominais, perda de apetite ou sintomas mais graves como manchas avermelhadas e feridas na pele, calafrios, tremores, perda de peso, tontura, depressão ou lapsos de memória.

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Quando não tratada, a gordura no fígado pode gerar graves consequências além da inflamação e da fibrose (consequente a tentativa de cicatrização pelo organismo), podendo evoluir para hepatite gordurosa (esteato-hepatite), cirrose hepática (alteração estrutural e funcional do fígado, que pode levar a insuficiência hepática e necessidade de transplante) e em casos mais graves, pode dar origem ao câncer no fígado.

O tratamento e como evitar gordura no fígado

Rogério explica que a doença é tratada mais comumente com a melhora dos hábitos de vida como uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. “Em alguns casos também é necessário o uso de medicamentos, só o médico poderá avaliar. Mas, no geral, o tratamento envolve reeducação alimentar, atividade física, redução de peso corporal e eliminação do consumo de álcool. É preciso deixar hábitos não saudáveis para trás”, reafirma.

Quanto à alimentação, Marcelly avisa que é necessário ler os rótulos dos alimentos para evitar certos componentes que agravam o quadro da doença. “Evite aqueles que contenham xarope de milho, sacarose, gorduras trans-insaturadas, conservantes e corantes. Dê preferência aos alimentos que são fontes de ômega-3, como peixes (sardinha, cavalinha, salmão, atum, cação), chia e linhaça (óleo ou farinha); frutas, verduras e legumes (excelentes fontes de vitaminas e minerais).” A profissional recomenda também aumentar o consumo de fibras (aveia, farinhas de linhaça, maracujá, banana verde, arroz integral, pois auxiliam no bom funcionamento do intestino e no controle do colesterol.

“Opte por carnes brancas e acrescente uma porção de oleaginosas como castanhas, nozes, amêndoas no lanche da tarde”, diz ela, que também indica consumir com moderação:

  • gorduras visíveis das carnes;
  • cortes naturalmente gordurosos (picanha, cupim, costela, miúdos);
  • frios e embutidos (salsicha, presunto, bacon, salame, linguiça, mortadela);
  • carnes vermelhas em geral;
  • alimentos rico em açúcar e gordura, como pães, biscoitos recheados, amanteigados, chocolates, salgadinhos de pacotes, refrigerantes;
  • frituras de imersão;
  • alimentos com excesso de óleos vegetais ou outros tipos de gordura no preparo dos alimentos (empanados, milanesa, etc.);
  • molhos industrializados;
  • banha;
  • toucinho;
  • óleo de palmeira (dendê);
  • gorduras hidrogenadas;
  • bebidas alcoólicas.

Além dos hábitos saudáveis serem o tratamento para a gordura no fígado, procurar ter uma alimentação balanceada, se manter ativo e beber moderadamente também são a resposta para evitar a doença.

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