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Quais os riscos de se automedicar contra acne?

Por Larissa Serpa Atualizado em 9 set 2021, 15h22 - Publicado em 1 out 2021, 15h18

A acne é uma doença inflamatória de pele que tem causa multifatorial e, se um médico não for consultado, o corpo pode não responder tão bem ao tratamento.

Na verdade, pode haver até mesmo um processo de piora: o chamado efeito rebote. Nesse caso, os produtos utilizados secam demais a pele, dando a impressão do controle da oleosidade, porém o sistema biológico do corpo entende que houve uma agressão e desenvolve mais óleo para dar o equilíbrio necessário. Este desenvolvimento com produção de mais do óleo é chamado de efeito rebote e, associado à descamação da pele causada pelo ressecamento, aumenta o acúmulo da acne, piorando o processo infeccioso e formando comedões.

Os produtos que causam esse efeito podem ser de higienização (como os sabonetes), de tonificação (como os tônicos adstringentes com álcool em excesso na formulação) e secativos. Produtos abrasivos, alcalinos e com maior grau esfoliante acabam mudando muito o pH da pele. Quando isso ocorre e não há a hidratação da pele logo na sequência, a única maneira que o organismo tem para tentar se defender dessas agressões sofridas é produzindo mais gordura. E, sim, a pele oleosa e acneica também precisa ser hidratada, com veículos específicos em tecnologias oil-free.

Outro erro comum é o excesso de limpeza, às vezes com reaplicação do produto várias vezes ao dia, o que também colabora para esse fenômeno, ao mesmo tempo em que agride o microbioma da pele, um conjunto de ‘microrganismos do bem’ que ajuda, inclusive, a ter a pele íntegra. A escolha errada de produtos e o uso sem a devida orientação podem aumentar a resistência da acne, desencadeando até um quatro de acne severa, que exige tratamento via oral com isotretinoína — medicamento eficaz contra espinhas e oleosidade, mas cheio de efeitos adversos.

O primeiro passo para tratar acne é procurar ajuda de um médico. Para evitar o efeito rebote, não é necessário evitar substâncias cosméticas. Na verdade, estas devem ser utilizadas de maneira correta, para que sua eficácia seja atingida, levando aos resultados desejados. A limpeza e higienização da pele deve ser feita com orientação e parcimônia, não ultrapassando a quantidade de três vezes ao dia. A hidratação posterior deve ser feita na forma de sérum, gel ou produtos oil-free e com toque seco, com protetores adequados ao clima e à pele, o que também é importante para fazer com que não haja o efeito rebote. Para produtos de tratamento, sugerimos a combinação dos medicamentos tópicos: peróxido de benzoíla e adapaleno, conforme orientação médica. O primeiro é um agente oxidante com ação bactericida e que ajuda a dissolver o excesso de queratina da pele; já o adapaleno é derivado da Vitamina A, funciona como anti-inflamatório e impede a obstrução dos poros. E não esqueça de usar protetor solar adequado ao tipo de pele.

RESPONDIDO POR:

DRA. ROBERTA PADOVAN: Médica Pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela INCISA. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, a médica é proprietária de duas clínicas, no no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. http://www.robertapadovan.com.br

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