Ozempic e Mounjaro causam queda de cabelo?
As chamadas “canetas emagrecedoras” transformaram o debate sobre perda de peso. Medicamentos como Ozempic e Mounjaro saíram dos consultórios e passaram a ocupar conversas nas redes sociais, rodas de amigas e capas de revistas.
Entre relatos de emagrecimento acelerado e mudanças radicais no corpo, surgiu também uma preocupação recorrente: queda de cabelo. Mas afinal, esses medicamentos causam alopecia?
Ozempic e Mounjaro causam queda de cabelo?
A resposta, segundo as evidências disponíveis até o momento, é mais complexa – e menos alarmista – do que parece. Não há comprovação de que os análogos de GLP-1 provoquem dano direto ao folículo capilar.
O que pode ocorrer, em alguns casos, é um fenômeno indireto associado à rápida perda de peso: o chamado eflúvio telógeno.
O eflúvio telógeno é uma queda difusa desencadeada por estresse fisiológico. Cirurgias, infecções, parto, dietas muito restritivas e perdas abruptas de peso estão entre os gatilhos clássicos.
Quando o organismo entra em “modo de adaptação” diante de uma mudança metabólica intensa, ele pode redirecionar energia para funções vitais – e o cabelo, que não é prioridade biológica, acaba pagando essa conta meses depois.
Não se trata de toxicidade do medicamento sobre o fio. O que vemos é uma resposta do corpo ao emagrecimento acelerado. A queda costuma aparecer de dois a três meses após a fase de maior perda de peso.
Em pesquisas com semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, a queda foi relatada por cerca de 3% dos adultos, contra 1% no grupo placebo. Já com a tirzepatida, do Mounjaro, a incidência variou entre 5% e 6%, dependendo da dose e da magnitude do emagrecimento.
Embora os números chamem atenção, especialistas destacam que o padrão observado é compatível com eflúvio telógeno, e não com alopecias cicatriciais ou danos permanentes.
Outro ponto crucial é o impacto nutricional. A redução do apetite, náuseas e menor ingestão alimentar podem levar a deficiências de ferro, ferritina, zinco, vitamina D e proteína – nutrientes essenciais para o ciclo capilar. Sem substrato metabólico adequado, o fio entra precocemente na fase de queda.
A perda capilar, nesses casos, é um marcador de que o corpo precisa de ajuste. Avaliar exames laboratoriais, revisar ingestão proteica e corrigir carências fazem parte do cuidado integral. Suspender a medicação por conta própria raramente é a melhor estratégia. O mais indicado é monitorar e agir preventivamente.
A boa notícia é que, na maioria das situações, o quadro é temporário. Quando o peso se estabiliza e as deficiências são corrigidas, o ciclo capilar tende a se normalizar. O crescimento pode levar de seis a doze meses para se tornar visível – tempo que exige paciência, mas não pânico.
Dr. João Gabriel, tricologista fundador da Anagrow
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