É importante falar de saúde mental? Sim!

Documento do Instituto Cactus mostra caminhos e soluções para a questão da saúde mental e fala da importância de abrir a conversa

Por Marcela De Mingo Atualizado em 25 ago 2021, 16h17 - Publicado em 27 ago 2021, 15h05

Foi-se o tempo em que falar sobre saúde mental era um grande tabu. Na verdade, quanto mais pessoas falando sobre o assunto, melhor – principalmente quando lidamos com uma realidade complicada. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 300 milhões de pessoas convivem com a depressão no mundo e o suicídio, uma triste decorrência da doença não tratada, é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. 

Entra aí trabalhos como o do Instituto Cactos, uma organização filantrópica desenvolvida por Maria Fernanda Resende Quartiero, hoje diretora e presidente do projeto, que promove iniciativas para ampliar o alcance da informação e dos cuidados com saúde mental. Com o foco em mulheres e adolescentes, o Instituto cabeceou o projeto Caminhos em Saúde Mental, um documento – que pode ser baixado de forma gratuita no site – de 300 páginas que aprofunda a conversa e as nuances sobre saúde mental através de uma extensa pesquisa. 

“O desejo de transformar os subsídios deste processo de desenvolvimento institucional em um documento público nasceu do entendimento de que ele também poderia apoiar o fortalecimento de outras organizações e atores-chave interessados na garantia de direitos e na promoção da saúde mental de adolescentes e mulheres, assim como do campo como um todo,” explica Maria Fernanda.

A ideia do projeto e da atuação do Instituto é somar forças para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, que visam fomentar uma população mundial que é saudável, equitativa, educada e capacitada para as mudanças e desafios do futuro.  

“O levantamento vai de encontro com um dos grandes objetivos do Cactus, que é levar o conhecimento de qualidade – através do debate aberto, informativo, empático e menos polarizado sobre os consensos e disparidades presentes nesse contexto – e ser um agregador, com propósito de engajar, além da sociedade geral, o envolvimento de setores importantes, como governos, academias, poderes públicos, assim como os próprios usuários de serviços em saúde mental”, continua.

Um dos pontos levantados pelo documento, aliás, é a importância das conversas sobre saúde mental estarem articuladas em rede – ou seja, não acontecerem de forma isolada, mas conectando indivíduos com instituições e órgãos sociais para que o assunto deixe de ser olhado apenas pela esfera individual e passe a ser considerado como uma questão coletiva, a ser resolvida em conjunto. 

Não à toa a OMS também reforça que a depressão é uma das principais doenças incapacitantes da era atual – o que, com certeza, têm um efeito no mercado de trabalho e na economia -, e considera o suicídio uma grave questão de saúde pública. 

Como mudar o jogo? 

O tabu, com certeza, já diminuiu muito quando se fala em saúde mental, mas ainda está longe de acabar. E isso só pode acontecer com um ponto-chave que o documento explana: o protagonismo. Isso significa capacitar os principais interessados (como os próprios adolescentes e as mulheres) das informações necessárias para abrir a roda de conversa e desestigmazar o assunto, seja em relação ao seu próprio cuidado psicossocial, seja na disseminação desse conhecimento para a sua comidade e entorno. Isso, claro, deve contar com a ajuda do Estado e com políticas públicas efetivas, mas a participação do cidadão comum é essencial para gerar o engajamento necessário para a verdadeira mudança. 

Nesse tópico, é válido lembrar que caso você ou alguém que você conheça esteja passando por dificuldades emocionais, é possível buscar suporte através do CVV, o Centro de Valorização da Vida, discando 188 de qualquer telefone, ou procurando atendimento psicológico gratuito no Centro de Atendimento Psicossocial mais próximo. 

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