Como funciona a terapia de casal e devo fazer?

Como forma de buscar um maior esclarecimento e entendimento sobre o relacionamento, a terapia de casal não deve ser procurada apenas em momentos de crise

Por Amanda Ventorin Atualizado em 19 nov 2021, 10h49 - Publicado em 28 nov 2021, 14h00

Todo relacionamento tem problemas. É difícil manter uma convivência sem nenhum conflito (por menor que ele seja), mesmo quando se está apaixonado. Apesar de diversos desses desentendimentos serem resolvido a dois, alguns podem fugir do controle e se tornar um grande empecilho na relação, e é aí que a terapia de casal entra.

A terapia de casal é um método onde se trabalha o relacionamento, em como as questões individuais influenciam na relação e como fazer para melhora-lá. Ela pode ser feita em diversos momentos: Quando o casal já sabe que quer ficar junto, mas há questões que estão prejudicando a relação, uma terapia de divorcio onde o casal não quer ficar junto porém querer fazer isso de maneira amigável por diversos motivos, como por exemplo, filhos. Em casos onde ambos não sabem se querem ou não ficarem juntos e até mesmo como um método “preventivo” ou forma de melhorar um relacionamento que não necessariamente tenha um problema.

Ou seja a terapia de casal pode sim ajudar um relacionamento a voltar “aos trilhos” mas seu foco não é apenas manter o casal junto, mas sim, ajudar a entender, estudar e processar o que é melhor para seu próprio bem e de seu parceiro. “Eu sempre falo que o casal tem quatro possibilidades: Ficar bem junto, ficar mal junto, ficar bem separado ou ficar mal separado”, conta Renata de Azevedo, psicóloga especialista em relacionamentos.

“A gente trabalha para que o casal possa se entender melhor, tanto a si próprio como o parceiro. Então é interessante que o casal possa se conhecer mais, saber da história um do outro, do porque de aquilo acontecer, de falarem de suas necessidades, o motivo de algo ser importante, ser algo que machuca, para que assim eles possam se ouvir e assim chegar em um acordo. Não de maneira que pensem igual, mas de aprender a negociar maneiras de fazer aquela relação dar certo apesar das diferenças”, continua. Segundo a instituição American Association for Marriage and Family Therapy a terapia de casal pode até mesmo ser mais efetiva do que terapia individual em questões de relacionamento.

Assim, o sucesso da terapia não é medido perante o fato do casal ter ou não ficado junto, mas sim da maneira com que essa decisão foi tomada. É um esclarecimento sobre entender o limite e o jeito de outra pessoa, aceitando as coisas que ele pode ou não mudar e não tomar uma decisão impulsiva, o que geralmente acontece, de acabar o relacionamento mas sim fazer essa escolha com dados e com muita consciência e reflexão.

E o mesmo é aplicado sobre a decisão de ficarem juntos. A escolha não é feita por acreditar que “não vai encontrar nada melhor”, costume ou porque “relacionamentos são assim mesmo”, mas sim por ter a consciência da vontade de ficar junto e ficar bem, não apenas levanto o relacionamento.

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A terapia é só para momentos de crise?

casal em terapia
SHVETS production/Pexels

Apesar de muitos casais só buscarem em momento de crise, não são apenas eles que dever recorrer à terapia. Ela pode ser usada de maneira preventiva. “Isso raramente acontece, geralmente o casal vem em momento de crise, como ultima escolha e vêm uma relação tão desgastada que não tem jeito”. continua a profissional. Segundo o estudo publicado pela American Association for Marrige and Family, a terapia ajudar a evitar certos problemas emocionais, mentais e físicos e no caso de conjugues que possuem filhos pode diminuir as chances de abuso de drogas na adolescência, depressão e alcoolismo.

A profissional explica que, se a terapia fosse feita de maneira preventiva, divórcios e separações precoces e desnecessários também seriam evitados, assim como diversos problemas no relacionamento como mágoas e situações que levam a separação, já que poderiam ser conduzidos (e resolvidos) da melhor maneira possível.

O processo da terapia

Segundo estudo, o tempo mínimo da terapia de casal são de 12 sessões. Quase 65.6% dos casos levam em média 20 sessões para serem resolvidos, 87.9% cerca de 50 sessões. Porém, Renata explica que isso não é uma regra e cada casal é um caso. “De forma geral não existe um tempo pré determinado. Algumas abordagens e profissionais trabalham sim com pacotes fechados de sessões e outros não, assim como eu. Acredito que cada relacionamento tem uma necessidade diferente, cada pessoa tem um caminho diferente, onde o processo de uns vão mais rápidos e outros devagar. Já tive casos em que em duas sessões um casal conseguiu salvar o relacionamento, enquanto outros levaram anos”. relata. Em média, o processo de terapia de casal costuma ser mais curto do que a terapia individual.

Antes de decidir começar a terapia, é importante lembrar que o processo envolve falar sobre assuntos delicados e nem sempre confortáveis como mágoas passadas, porém essa é a forma de se reconectar com o parceiro, com o sentimento e percebendo que ambos não são adversários. Obviamente a terapia não irá impedir que problemas aconteçam e que a relação não terá dificuldades, mas a frequência e intensidade dessas brigas podem diminuir e a maneira como ambos lidam será mais saudável por conta das ferramentas que ambos adquirirão durante o processo da terapia.

 

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