Celebridades

Erika Januza: “Me sinto realizada ao ver meu cabelo vindo livre ao mundo”

A atriz contou à Boa Forma como raspar a cabeça quebrou barreiras e padrões não só em sua vida, mas na de tantas outras mulheres

por Ana Ferreira | fotos de Vinicius Mochizuki Atualizado em 14 set 2020, 17h10 - Publicado em 15 set 2020 09h00

Diante de tantos movimentos de empoderamento e representatividade que temos vivido nos últimos anos – e que, felizmente, só tendem a crescer cada vez mais! –, muitas famosas acabaram se destacando ao redor do mundo por levantarem estas bandeiras e gerarem identificação para tantas outras pessoas. No Brasil, Erika Januza é uma delas.

Mulher, negra e artista, a atriz se tornou influência para muita gente ao abordar assuntos importantes através de um discurso leve, positivo e cheio de amor-próprio.

Mas nem sempre as coisas foram desta forma, ela contou. Assim como aconteceu com outras mulheres, apenas com o amadurecimento ela conseguiu quebrar barreiras impostas pela sociedade e se tornar mais cheia de amor e respeito próprio, valorizando o bem-estar em todos os pilares de sua vida.

E é justamente disso que falamos nesta entrevista! Confira:

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Bem-estar na vida

Boa Forma: Qual a sua relação com o bem-estar?

Erika Januza: Tenho uma relação forte. Amo me sentir bem e me cuidar para que tudo esteja em harmonia. Não foi algo em que me vi sendo educada a fazendo desde nova, mas construí na medida em que fui me tornando adulta – tanto relacionado à alimentação, que hoje é bem mais consciente, como a cuidados com o corpo. Para meu corpo, por exemplo, tive o ímpeto de procurar uma academia quando adolescente, porque era muito magra e isso particularmente me incomodava. Desde então, nunca mais parei.

“Para meu corpo, por exemplo, tive o ímpeto de procurar uma academia quando adolescente, porque era muito magra e isso particularmente me incomodava”

BF: Nesse sentido, o que seria um dia em que você deita na cama e se sente satisfeita e realizada?

EJ: Me sinto assim nos dias em que consigo fazer um bom trabalho. Amo trabalhar! Ou, então, quando treino ou jogo tênis. Praticar atividades físicas sempre me dão ao final, sensação de “missão cumprida”.

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BF: Quais tipos de atividades físicas você costuma fazer?

EJ: Estou fazendo aulas de samba online toda segunda-feira com os professores Marcus Prado e Vitor Alonzo, que conheci quando desfilei pela Vai-Vai, no Carnaval em São Paulo. E depois de descobrir o tênis para viver minha personagem Marina na novela “Amor de Mãe”, não parei mais. Me apaixonei pelo esporte! Até assisto a jogos.

BF: Você considera estes momentos uma boa forma de buscar o bem-estar?

EJ: Com certeza. Atividades físicas não têm erro. É impossível sair de um bom treino ou uma aula de dança e não se sentir bem! Às vezes é difícil sair da inércia, da preguiça… E no início o corpo dói. Mas tudo tem um inicio e precisa de construção. Você pode aprender, basta procurar o que te faz bem, ter paciência e não desistir.

BF: E quanto ao bem-estar da mente, você tem algum cuidado ou preocupação com isso?

“Fiz terapia por muito tempo. Me ajudou muito e me fez descobrir muitas coisas”

EJ: Fiz terapia por muito tempo. Me ajudou muito e me fez descobrir muitas coisas. No momento não estou fazendo, mas superindico e sinto falta, inclusive. Sou um tanto quanto “ligada nos 220”. Coloco a cabeça no travesseiro e, ao invés de relaxar, fico formulando o que preciso ou posso fazer no dia seguinte (risos). Então, por isso, seria excelente meditar. Já tentei, mas não consegui. Mas uma coisa que faço diariamente é orar, agradecer e ter meu momento com Deus todas as noites.

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Prazer no prato

Equilíbrio é a palavra que define a atriz quando o assunto é comida. Erika costuma ter uma relação saudável com os alimentos, sempre buscando manter refeições balanceadas ao longo da semana. Mas isso, é claro, não quer dizer que ela não se permita aproveitar prazeres que só alguns pratos oferecem – inclusive o seu preferido, que ela releva a seguir.

BF: Qual a sua relação com a comida?

EJ: Eu como o que gosto, mas com equilíbrio. Só aos finais de semana que costumo escolher algo que goste muito para uma sexta-feira ou sábado, por exemplo. Mas durante a semana tento me alimentar de uma forma mais balanceada. Ah, e adoro um suco natural. Todo dia faço algum.

BF: Você gosta de bebidas alcoólicas? É uma relação de prazer pra você?

EJ: Gosto de drinks no geral, mas é algo para finais de semana ou para alguma celebração. Sou uma pessoa que adora e acha importante brindar e agradecer conquistas.

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“Sempre preferi ir dirigindo e fico super tranquila em me divertir sem a necessidade do álcool”

Mas antes da pandemia, por exemplo, eu costumava gostar de ir a um show ou sair para dançar. Sempre preferi ir dirigindo e fico super tranquila em me divertir sem a necessidade do álcool. Então, para mim, ele pode ser superprazeroso, mas é uma opção.

BF: Tem algum alimento que é o seu preferido e você não abre mão de jeito nenhum?

EJ: Tem! A canjica. Não tem jeito… Ela me transporta pra um lugar de prazer que nem sei explicar (risos).

BF: Você também vê a alimentação como um fator importante para se sentir bem?

EJ: Muito, tanto para me sentir mais feliz comendo algo que eu goste muito, quanto me alimentando de forma saudável. Quando como direitinho fico me sentindo a pessoa mais saudável do mundo (risos).

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Beleza natural

Erika viveu um verdadeiro processo de aceitação e amor-próprio até “se encontrar” em sua beleza natural. A atriz foi mais uma mulher que acabou se rendendo a procedimentos químicos para mudar o cabelo, como uma forma de fugir do preconceito ao se inserir no modelo padrão de beleza que hoje, com a ajuda de pessoas como ela mesma, está sendo quebrado.

BF: Alguma vez você abriu mão de seu bem-estar para se sentir mais pertencente a algum padrão?

EJ: Com o cabelo sim, mas em relação ao corpo, não. Não sou adepta a dietas, então só tento realmente me alimentar bem para ter tranquilidade em comer algo que esteja com vontade sem sofrer.

BF: Qual é a história do seu cabelo?

EJ: Quase uma novela, assim como a de tantas mulheres negras. Mas vejo como uma novela de final feliz. Alisei desde muito nova porque era uma forma de, falsamente, me proteger contra o preconceito e também de tornar “mais fácil a forma de cuidar”. Depois, já adolescente, descobri o megahair, que me deixava feliz. Ele era como um escudo pra mim.

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“Alisei desde muito nova porque era uma forma de, falsamente, me proteger contra o preconceito”

Sempre gostei de cuidar dos cabelos, mesmo sendo alisados ou com extensão. Minha família, independente da herança de alisamento, sempre cuidou e gostou de cuidar dos cabelos.

Foi ao passar no teste para a série “Suburbia”, da Globo (meu primeiro trabalho como atriz e na televisão) que redescobri passo a passo meu verdadeiro cabelo. Parei de alisar, mas ainda sim continuava passando por muitas transformações devido aos personagens.

BF: Você que sugeriu raspar o cabelo para dar vida à Marina em “Amor de Mãe”. De onde surgiu essa ideia e como foi passar por essa mudança?

EJ: Eu sugeri o corte de cabelo para a direção e eles aceitaram. Com isso, vivi uma nova transição, pois nunca tive o cabelo tão curto.

Estou simplesmente amando e me sentindo realizada ao ver o meu cacho, o meu cabelo vindo livre ao mundo! Senti o desejo de mudar, de representar mais mulheres e de me libertar também dos padrões de beleza impostos, pois por todos os lados existem armadilhas — do liso ao crespo.

“O estereótipo de beleza do liso e longo me perturbou por muito tempo. Infelizmente, a sociedade preconceituosa faz isso com a gente”

O estereótipo de beleza do liso e longo me perturbou por muito tempo. Infelizmente, a sociedade preconceituosa faz isso com a gente. Ser diferente não era ser bonito e sim “fora do padrão”. Mas hoje vejo isso sendo desconstruído com cada vez mais forca. E não falo aqui que o bonito é o liso, o black ou o curto. O tranquilizador seria não haver padrões. Somos diversos, cada um com sua beleza. O seu padrão tem que ser aquele que te fizer feliz.

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Empoderamento e representatividade

Erika conseguiu de uma forma leve e natural fazer com que muitas pessoas se identificassem com ela e se sentissem inseridas na sociedade como mulheres bonitas e empoderadas, mesmo sem pertencerem ao modelo padrão.

Além de viver o prazer por seu próprio processo de aceitação, a artista ainda acaba dividindo a alegria com fãs que foram influenciadas por ela e fazem questão de compartilhar suas histórias e conquistas e ainda agradecer por ter a atriz como exemplo.

BF: Tem alguma mulher em que você se inspirou ao longo da vida?

EJ: Me inspirei em minha mãe e minha avó, que sempre foram mulheres muito trabalhadoras, que sempre foram atrás. Elas que me ensinaram a ser guerreira e não passar por cima de ninguém. Quando algo não dava certo, minha mãe sempre me dizia: “Calma, fia. Deus sabe de todas as coisas. No tempo dEle vai dar certo”. E hoje carrego isso diariamente comigo.

BF: Como é poder representar e ser inspiração para mulheres que, antigamente, não tinham modelos empoderados como hoje em dia?

EJ: É muito surpreendente, porque nunca imaginei! E ao mesmo tempo é muito gratificante poder ser eu mesma e, ainda sim, sem máscaras, conseguir ter empatia de outras mulheres, meninos, crianças…

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“Sei da responsabilidade, mas me sinto feliz e tranquila por poder passar alguma mensagem sendo quem sou”

Sei da responsabilidade, mas me sinto feliz e tranquila por poder passar alguma mensagem sendo quem sou. Ao mesmo tempo, também tenho muito a aprender ainda, e aprendo com tantos exemplos que temos por aí. A inspiração vem de todos os lugares.

BF: Houve alguma situação em que uma mulher te contou que você foi uma inspiração para ela?

EJ: Muitas! Hoje as redes sociais nos permitem esse canal mais próximo de comunicação, então sempre leio [as mensagens]. A cada personagem, recebo e vivo experiências diferentes do público, dos seguidores. Fico muito feliz!

O corte de cabelo, por exemplo, foi algo transformador pra mim mesma, mas rapidamente percebi que foi pra muitas mulheres que se inspiraram e cortaram os cabelos também. Foram tantas mensagens, e imagens de antes e depois que recebi, que acabei fazendo contato com 100 pessoas (foi o que consegui) para tentar fazer um encontro. Recebi de algumas de outros países e várias de muitos estados do Brasil afora.

Me concentrei nas do Rio de Janeiro e promovi este encontro. Gravei um “Me Conta Aí”, que é uma série de entrevistas que eu estava fazendo para o Dia da Mulher. Foi muito emocionante ver todas elas de cabelos curtinho como o meu, trocando experiências emocionantes, abrindo o coração. Foi lindo! Quem não viu, vale a pena assistir. Está lá no meu Instagram.

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6 dicas de Erika para uma relação mais saudável consigo

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Vinicius Mochizuki/Divulgação

1. “Primeira e muito importante: não desista dos seus sonhos ou desejos sem antes tentar e correr atrás. Nada cai do céu, mas nada é impossível também. A cada ‘não’ que receber, ressignifique e coloque no coração que o que é seu vai chegar. Mas não pare de correr atrás!”

2. “Nem sempre as pessoas torcerão por você ou acreditarão na sua capacidade. Mas não importa! Tenha fé, acredite em você e se for para ir só, vá! A realização até pode dar orgulho à sua família, mas ela é apenas sua. Então lembre-se que ninguém vai fazer por você.”

3. “Se você quer praticar atividade física, mudar um hábito ou aprender um esporte novo, por exemplo, pode não ser fácil no início, mas tudo nesta vida tem um início, não é mesmo? Então persevere! No início dói e até pode parecer que aquilo não é pra gente, mas com o tempo a mudança, a transformação e a evolução acontecem.”

4.Não faça com o outro o que não gostaria que fizessem com você.”

5. “Se alimente bem, use cremes, protetor solar, beba água. Melhor cuidar da saúde e do bem-estar diariamente do que correr atrás do prejuízo depois. Vai ficar mais caro.”

6. “Por último, corra atrás do que deseja, tenha foco, lute… Mas nunca se esqueça de quem está ao seu lado agora. SEJA FELIZ!”

 

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