Saúde

COVID-19: Como voltar às ruas com segurança

O lema continua sendo "Se puder, fique em casa" mas, se não puder, algumas medidas são necessárias para voltar às ruas com segurança

por Thieny Molthini Atualizado em 10 set 2020, 15h53 - Publicado em
10 set 2020
16h01

Nos últimos meses, alguns municípios decidiram pela reabertura gradual do comércio e demais estabelecimentos. Mas os números do Covid-19 no Brasil não param de subir: já são mais de 1 milhão de casos confirmados e milhares de óbitos registrados até o momento, segundo dados do Ministério da Saúde. Então, como voltar às ruas com segurança, se você não puder mais ficar em casa?

Na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Hospital Geral do Grajaú, a médica Vanessa Prado reforça que, podendo, o ideal ainda é ficar em casa.

“Sobretudo quem é do grupo de risco. Se puder, fique em casa! Ainda não é seguro ficar circulando”, alerta. “Mesmo se a sua condição estiver controlada, você ainda precisa se cuidar e manter a quarentena”, reforça a médica.

Ainda não tem certeza sobre quem está no grupo de risco? Aqui vai:

Pessoas acima de 60 anos
Hipertensos
Diabéticos
Pessoas com problema renal crônico
Pessoas com problema respiratório
Gestantes
Pessoas com doenças autoimunes (que afetam o sistema imunológico) e fazem uso de imunossupressores

Agora, se não tem outro jeito e você precisa ir às ruas, algumas medidas podem diminuir a chance de contágio.

Preciso sair, e agora?

Com a retomada das atividades, o Ministério da Saúde publicou a portaria 1.565, em 18 de junho, para prevenir e controlar o avanço da COVID-19. Nesse documento, são enumerados alguns cuidados, como limitar a ocupação de elevadores e escadas e, sempre que possível, adotar o trabalho remoto. Mas separamos mais algumas dicas por aqui. Confira!

Mantenha distância

Nada de aglomerações, ok? Mantenha distâncias segura das pessoas ao redor. O Ministério da Saúde indica “a manutenção da distância mínima de 1 metro entre pessoas em todos os ambientes”. Vanessa é um pouco mais cautelosa: “Mesmo usando máscara, procure manter distância de 2 metros em qualquer situação”.

Clínica geral da Leger Clínicas, Daniela Righi ressalta os cuidados em locais propensos à aglomeração. “Filas de banco, supermercados e shoppings são exemplos, mesmo que respeitem as orientações de restrição de fluxo, uso obrigatório de máscara e álcool em gel a 70%.”

Use máscara

Máscara virou item obrigatório. Vale deixar perto da porta de casa e uma dentro do carro para não esquecer. E, se for trabalhar, tenha mais de uma na bolsa. “Se você pega condução, assim que chegar no trabalho, você tira essa, guarda, e coloca outra”, explica Vanessa.

Durante o dia, a quantidade de máscaras que você usará vai depender do seu ritmo de trabalho. Se você fala muito ao telefone ou em reuniões, o ideal é trocar de máscara a cada duas. Agora, se trabalha sozinho e não conversa muito, talvez ela dure por aproximadamente quatro horas ou, até mesmo, todo o expediente. “O que não pode é ficar úmida”, reforça a médica.

Cuidados com a máscara

• Não fique mexendo na sua máscara durante o uso para não contaminar as suas mãos.

• Na hora de retirá-la, higienize bem as mãos e toque apenas nos elásticos (ou tiras) que a prende atrás da orelha. Então, guarde em um saquinho para, depois, lavar. Em seguida, higienize novamente as mãos.

• Quando for lavar, use água e sabão. Nada de cândida, porque pode causar sintomas alérgicos.

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Álcool a 70%

Em gel ou em spray, tenha sempre um frasco de álcool a 70% na bolsa e no carro. “O ideal é que a higienização das mãos com álcool em gel a 70% leve de 20 a 30 segundos”, orienta Vanessa.

Se você tem carro, limpe o volante, câmbio, freio de mão e os botões do rádio. Resumindo, tudo que você tem contato. Afinal, já sabemos que o vírus fica em toda superfície.

Se for ao supermercado, fique atenta, porque muitos frascos que ficam mais à frente nas prateleiras não são de álcool a 70%. Verifique a embalagem, o álcool a 70% é identificado como “70°INPM”.

No trabalho

Por enquanto, nada de aperto de mãos ou abraços. Lembre-se da recomendação anterior.

No dia a dia, também evite compartilhar objetivos pessoas. A orientação é do clínico e infectologista da Unifesp, Paulo Olzon. “Caneta, caneca, computador, o indicado é não compartilhar”, explica.

Limpar o mouse e o seu teclado com álcool a 70% também é uma boa medida preventiva.

+ Cuidados pessoais

Lave bem as mãos e frequentemente.

Lembra das regras? Esfregue as palmas e os dorsos das mãos e não se esqueça de entrelaçar os dedos e lavar bem os polegares. Para limpar por baixo das unhas, esfregue as pontinhas dos dedos –- e as unhas -– na palma da mão oposta fazendo movimentos circulares. (Se tiver dúvidas, clique aqui e confira o material da Agência de Vigilância Sanitária.)

Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com um lenço de papel e descarte de maneira adequada, imediatamente. Higienize as mãos, na sequência. Se não tiver um lenço, cubra essa área com a parte interna do cotovelo. Não cubra com as mãos! (Se fizer isso sem querer, use o álcool em gel).

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Em casa

Ao voltar da rua, coloque a bolsa, as chaves e o que mais precisar dentro de um cesto (ou em lugar separado para isso, de preferência, logo na entrada). A dica da Dra. Vanessa é usar álcool 70% em spray para higienizar esses objetos. Na sequência, lave bem as mãos, retire a máscara e higienize as mãos novamente.

Calçados

Veja o que funciona melhor para você: A dica de Daniela Righi é deixar os sapatos do lado de fora da casa e, se possível, usar sempre os mesmos. Outra sugestão é o uso de tapetes de higienização. “Você pode colocar álcool ou água sanitária, para limpar as solas dos sapatos antes de entrar em casa”, explica a clínica geral. A sugestão de Vanessa é limpar o calçado com Lysoform em spray ou espirrar uma mistura de água com cândida. “Em um borrifador, coloque 1 litro de água e 3 colheres de sopa de cândida”, ensina a médica.

Compras de mercado

Aposte no álcool a 70%, em spray ou líquido, para higienizar as embalagens. Demais produtos de limpeza não são recomendados, porque podem penetrar nos alimentos. Na hora de higienizar frutas, legumes e verduras, basta colocar em um recipiente com água e 3 gotas de hipoclorito de sódio (procure no mercado mesmo) e deixar agir por cerca de 10 minutos.

Chão e demais superfícies

“A limpeza de casa deve ser feita com desinfetantes. Nas outras superfícies também é indicado o uso de álcool, principalmente nos locais com contato mais frequente, como mesas e teclados de computador”, orienta Daniela.

Cuidados com as roupas

Em entrevista ao The New York Times, Linsey Marr, cientista de aerossóis do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos EUA, pontuou que os riscos de se contaminar através das roupas é bem pequeno. “É improvável que uma gota pequena o suficiente para flutuar pelo ar por um tempo fique na roupa, por conta da aerodinâmica”, analisou. Ainda segundo a especialista, essas gotas precisariam ser grandes o suficientes para “pousarem” na sua roupa. Ou seja, alguém precisaria espirrar ou tossir em cima de você, porque, de modo geral, conforme caminhamos, empurramos o ar e qualquer partícula que esteja junto com ele para longe. Então, se estiver caminhando e alguém tossir em você, a melhor coisa é chegar em casa, colocar tudo para lavar e tomar banho. No mais, não precisa se preocupar!

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#FiqueEmCasa

Mesmo com a flexibilização da quarentena, se você apresentar qualquer sintoma da COVID-19, FIQUE EM CASA!

Febre acima de 37,8ºC por 48 horas (ou mais), tosse constante e falta de ar são os sintomas mais evidentes da doença. Nesses casos, procure um médico! Perda do olfato e paladar, diarreia e dor de cabeça também podem estar relacionados à doença, mas precisam ser avaliados em conjunto com os demais sintomas.