Saúde

COVID-19: Como voltar às ruas com segurança

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O lema continua sendo “Se puder, fique em casa” mas, se precisar sair, algumas medidas de prevenção contra a Covid-19 ainda são muito necessárias para voltar às ruas com segurança

Nas últimas semanas, alguns municípios decidiram pela reabertura gradual do comércio e demais estabelecimentos. Mas os números da doença no Brasil não param de subir, já são mais de 1 milhão de casos confirmados e cerca de 60 mil óbitos registrados até o momento, segundo dados do Ministério da Saúde. Então, como voltar às ruas com segurança?

Na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Hospital Geral do Grajaú, a médica Vanessa Prado reforça que, podendo, o ideal ainda é ficar em casa.

“Sobretudo quem é do grupo de risco. Se puder, fique em casa! Ainda não é seguro ficar circulando”, alerta. “Mesmo se a sua condição estiver controlada, você ainda precisa se cuidar e manter a quarentena”, reforça a médica.

Ainda não tem certeza sobre quem está no grupo de risco? Aqui vai:

Pessoas acima de 60 anos
Hipertensos
Diabéticos
Pessoas com problema renal crônico
Pessoas com problema respiratório
Gestantes
Pessoas com doenças autoimunes (que afetam o sistema imunológico) e fazem uso de imunossupressores

Agora, se não tem outro jeito e você precisa ir às ruas, algumas medidas podem diminuir a chance de contágio.

Preciso sair, e agora?

Com a retomada das atividades, o Ministério da Saúde publicou a portaria 1.565, em 18 de junho, para prevenir e controlar o avanço da COVID-19. Nesse documento, são enumerados alguns cuidados, como limitar a ocupação de elevadores e escadas e, sempre que possível, adotar o trabalho remoto. Mas separamos mais algumas dicas por aqui. Confira!

Mantenha distância

Nada de aglomerações, ok? Mantenha distâncias segura das pessoas ao redor. O Ministério da Saúde indica “a manutenção da distância mínima de 1 metro entre pessoas em todos os ambientes”. Vanessa é um pouco mais cautelosa: “Mesmo usando máscara, procure manter distância de 2 metros em qualquer situação”.

Clínica geral da Leger Clínicas, Daniela Righi ressalta os cuidados em locais propensos à aglomeração. “Filas de banco, supermercados e shoppings são exemplos, mesmo que respeitem as orientações de restrição de fluxo, uso obrigatório de máscara e álcool em gel a 70%.”

Use máscara

Máscara virou item obrigatório. Vale deixar perto da porta de casa e uma dentro do carro para não esquecer. E, se for trabalhar, tenha mais de uma na bolsa. “Se você pega condução, assim que chegar no trabalho, você tira essa, guarda, e coloca outra”, explica Vanessa.

Durante o dia, a quantidade de máscaras que você usará vai depender do seu ritmo de trabalho. Se você fala muito ao telefone ou em reuniões, o ideal é trocar de máscara a cada duas. Agora, se trabalha sozinho e não conversa muito, talvez ela dure por aproximadamente quatro horas ou, até mesmo, todo o expediente. “O que não pode é ficar úmida”, reforça a médica.

Cuidados com a máscara

• Não fique mexendo na sua máscara durante o uso para não contaminar as suas mãos.

• Na hora de retirá-la, higienize bem as mãos e toque apenas nos elásticos (ou tiras) que a prende atrás da orelha. Então, guarde em um saquinho para, depois, lavar. Em seguida, higienize novamente as mãos.

• Quando for lavar, use água e sabão. Nada de cândida, porque pode causar sintomas alérgicos.

Álcool a 70%

Em gel ou em spray, tenha sempre um frasco de álcool a 70% na bolsa e no carro. “O ideal é que a higienização das mãos com álcool em gel a 70% leve de 20 a 30 segundos”, orienta Vanessa.

Se você tem carro, limpe o volante, câmbio, freio de mão e os botões do rádio. Resumindo, tudo que você tem contato. Afinal, já sabemos que o vírus fica em toda superfície.

Se for ao supermercado, fique atenta, porque muitos frascos que ficam mais à frente nas prateleiras não são de álcool a 70%. Verifique a embalagem, o álcool a 70% é identificado como “70°INPM”.

No trabalho

Por enquanto, nada de aperto de mãos ou abraços. Lembre-se da recomendação anterior.

No dia a dia, também evite compartilhar objetivos pessoas. A orientação é do clínico e infectologista da Unifesp, Paulo Olzon. “Caneta, caneca, computador, o indicado é não compartilhar”, explica.

Limpar o mouse e o seu teclado com álcool a 70% também é uma boa medida preventiva.

+ Cuidados pessoais

Lave bem as mãos e frequentemente.

Lembra das regras? Esfregue as palmas e os dorsos das mãos e não se esqueça de entrelaçar os dedos e lavar bem os polegares. Para limpar por baixo das unhas, esfregue as pontinhas dos dedos –- e as unhas -– na palma da mão oposta fazendo movimentos circulares. (Se tiver dúvidas, clique aqui e confira o material da Agência de Vigilância Sanitária.)

Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com um lenço de papel e descarte de maneira adequada, imediatamente. Higienize as mãos, na sequência. Se não tiver um lenço, cubra essa área com a parte interna do cotovelo. Não cubra com as mãos! (Se fizer isso sem querer, use o álcool em gel).

Em casa

Ao voltar da rua, coloque a bolsa, as chaves e o que mais precisar dentro de um cesto (ou em lugar separado para isso, de preferência, logo na entrada). A dica da Dra. Vanessa é usar álcool 70% em spray para higienizar esses objetos. Na sequência, lave bem as mãos, retire a máscara e higienize as mãos novamente.

Calçados

Veja o que funciona melhor para você: A dica de Daniela Righi é deixar os sapatos do lado de fora da casa e, se possível, usar sempre os mesmos. Outra sugestão é o uso de tapetes de higienização. “Você pode colocar álcool ou água sanitária, para limpar as solas dos sapatos antes de entrar em casa”, explica a clínica geral. A sugestão de Vanessa é limpar o calçado com Lysoform em spray ou espirrar uma mistura de água com cândida. “Em um borrifador, coloque 1 litro de água e 3 colheres de sopa de cândida”, ensina a médica.

Compras de mercado

Aposte no álcool a 70%, em spray ou líquido, para higienizar as embalagens. Demais produtos de limpeza não são recomendados, porque podem penetrar nos alimentos. Na hora de higienizar frutas, legumes e verduras, basta colocar em um recipiente com água e 3 gotas de hipoclorito de sódio (procure no mercado mesmo) e deixar agir por cerca de 10 minutos.

Chão e demais superfícies

“A limpeza de casa deve ser feita com desinfetantes. Nas outras superfícies também é indicado o uso de álcool, principalmente nos locais com contato mais frequente, como mesas e teclados de computador”, orienta Daniela.

Cuidados com as roupas

Em entrevista ao The New York Times, Linsey Marr, cientista de aerossóis do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos EUA, pontuou que os riscos de se contaminar através das roupas é bem pequeno. “É improvável que uma gota pequena o suficiente para flutuar pelo ar por um tempo fique na roupa, por conta da aerodinâmica”, analisou. Ainda segundo a especialista, essas gotas precisariam ser grandes o suficientes para “pousarem” na sua roupa. Ou seja, alguém precisaria espirrar ou tossir em cima de você, porque, de modo geral, conforme caminhamos, empurramos o ar e qualquer partícula que esteja junto com ele para longe. Então, se estiver caminhando e alguém tossir em você, a melhor coisa é chegar em casa, colocar tudo para lavar e tomar banho. No mais, não precisa se preocupar!

#FiqueEmCasa

Mesmo com a flexibilização da quarentena, se você apresentar qualquer sintoma da COVID-19, FIQUE EM CASA!

Febre acima de 37,8ºC por 48 horas (ou mais), tosse constante e falta de ar são os sintomas mais evidentes da doença. Nesses casos, procure um médico! Perda do olfato e paladar, diarreia e dor de cabeça também podem estar relacionados à doença, mas precisam ser avaliados em conjunto com os demais sintomas.