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Como a escolha do tênis pode influenciar sua performance na corrida e evitar lesões

Especialista revela que a escolha incorreta do calçado pode esconder armadilhas perigosas para suas articulações.

Por Maraísa Bueno
11 mar 2026, 22h00 •
Dor ao correr? O problema pode estar no seu tênis
Dor ao correr? O problema pode estar no seu tênis (pch.vector/Freepik)
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  • Para uma corrida confortável e segura, o tênis possui um papel extremamente fundamental, não só para ter uma boa performance a cada passada, mas também para evitar lesões desnecessárias, por conta do impacto e a carga que começa nos pés a cada quilômetro, que alcança joelhos, quadris e coluna.

    Por isso, o tênis é a primeira estrutura a absorver essa força e redistribuí-la. Mais do que acessório esportivo, ele funciona como a principal ponte entre o corredor e o solo, e pode influenciar tanto o desempenho quanto o risco de lesões.

    “O ser humano é ligado à estética, mas nem sempre o que é bonito é o mais fisiológico, como, por exemplo, o salto alto”, afirma Arnaldo Hernandez, ortopedista do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ele, o conforto imediato pode ser um bom sinal, mas não substitui uma avaliação mais criteriosa. “O calçado pode interferir na carga que chega às articulações. Se o corredor já tem algum problema prévio, essa escolha se torna ainda mais importante.”

    De acordo com o Ministério da Saúde, a corrida é uma estratégia acessível para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. Contudo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram quase um em cada três adultos (31%) não atinge os níveis recomendados de atividade física.

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    Para o especialista, o tênis, por si só, não é um fator determinante nos benefícios da atividade, mas pode limitar o desempenho quando provoca dor. “O calçado só compromete os ganhos cardiovasculares se causar desconforto ou lesão a ponto de a pessoa correr menos. O problema não é o tênis em si, mas a limitação que ele pode impor”, explica Hernandez.

    Pode treinar com tênis de sola reta?

    Corredores com pé plano, também chamado de pronado, por exemplo, tendem a distribuir o peso de forma mais intensa na parte interna do pé. Isso aumenta a sobrecarga no tornozelo e no tendão tibial posterior, estrutura que ajuda a sustentar o arco plantar. Já quem tem pisada supinada apoia mais a borda externa do pé, concentrando o impacto nessa região e elevando o risco de lesões laterais.

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    Quais são os problemas mais comuns?

    A fascite plantar é um deles. A condição acontece por conta de uma inflamação da faixa de tecido que liga o calcanhar aos dedos. Além disso, há também a tendinite do calcâneo, que afeta o tendão de Aquiles. Outro problema comum são as inflamações nos ossos sesamoides, que são pequenas estruturas localizadas sob o dedão e responsáveis por auxiliar no impulso do passo. Em muitos desses casos, a escolha de um tênis com características específicas de solado pode ser decisiva para reduzir a dor e prevenir novas lesões.

    “No caso de fascite plantar ou sesamoidite, um solado mais rígido pode proteger a estrutura ao limitar movimentos excessivos. Se há queda do arco do pé, um sistema que absorve mais impacto e oferece suporte pode ser importante. Já na tendinite do calcâneo, um modelo com a parte traseira um pouco mais elevada pode ajudar”, detalha o ortopedista.

    Não existe um modelo de tênis universal

    Embora o mercado ofereça tênis com placas de carbono e sistemas avançados de amortecimento, Hernandez pondera que não existe um modelo universal. Para ele, cerca de 80% das pessoas estão dentro da normalidade biomecânica e costumam se adaptar bem a bons modelos disponíveis. As pessoas que apresentam alterações importantes na pisada ou histórico de lesões devem optar por um tênis mais personalizado, idealmente após avaliação com ortopedista, médico do esporte ou educador físico experiente.

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    O especialista também chama atenção para sinais de alerta durante os treinos. “A dor muscular de adaptação costuma melhorar em 24 a 48 horas, mas uma dor localizada que dura mais de dois ou três dias, principalmente no osso, na articulação ou no tendão, e que piora mesmo com redução da atividade, merece atenção, pois pode ser o início de uma sobrecarga estrutural.” E complementa: “O tênis é a interface entre o corpo e o chão. Escolher bem é uma forma de preservar as articulações e garantir continuidade na prática esportiva”, conclui.

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