Liberação miofascial: quando vale a pena e como fazer em casa
A técnica pode aliviar tensões e melhorar a mobilidade
A liberação miofascial deixou de ser um recurso restrito a clínicas de fisioterapia e passou a fazer parte da rotina de quem treina. Rolinhos, bolas e até garrafas improvisadas ganharam espaço antes ou depois do treino, mas ainda existe muita dúvida sobre quando essa técnica realmente ajuda e como usá-la da forma correta.
A fáscia é um tecido conjuntivo que envolve músculos, articulações e órgãos, funcionando como uma rede de sustentação do corpo. Quando essa estrutura perde mobilidade, seja por sedentarismo, excesso de treino ou movimentos repetitivos, podem surgir rigidez, desconforto e sensação de “travamento” muscular.
Quando a liberação miofascial vale a pena
A liberação miofascial costuma ser mais indicada em situações de tensão muscular, redução de mobilidade e dores relacionadas ao acúmulo de carga ou esforço repetitivo. Ela não substitui o fortalecimento muscular nem corrige falhas de treino, mas pode ajudar a preparar o corpo ou aliviar desconfortos pontuais.
Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) e publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia mostrou que técnicas de liberação miofascial podem melhorar temporariamente a amplitude de movimento e reduzir a sensação de rigidez muscular, especialmente quando aplicadas após o exercício.
Pesquisas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) também indicam que a técnica pode auxiliar na percepção de dor muscular tardia, aquela que aparece um ou dois dias depois do treino, embora os efeitos sejam mais perceptíveis no curto prazo.
O que a liberação miofascial faz e o que ela não faz
É importante alinhar expectativas. A liberação miofascial não “quebra” nódulos, não elimina gordura localizada e não substitui descanso ou tratamento médico. O que ela faz é estimular mecanicamente o tecido, favorecendo relaxamento muscular, melhora da circulação local e maior consciência corporal.
Como fazer liberação miofascial em casa
Para quem quer aplicar a técnica em casa, o mais comum é o uso de rolos de espuma ou bolas firmes. O movimento deve ser lento e controlado, sem pressa. Ao encontrar um ponto mais sensível, a orientação é manter a pressão por alguns segundos, respirando de forma calma, até que o desconforto diminua.
Não é necessário sentir dor intensa. Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) destacam que pressões excessivas podem gerar efeito contrário, aumentando a tensão muscular em vez de promover relaxamento.
A liberação pode ser feita antes do treino, quando o objetivo é melhorar mobilidade, ou após o exercício, para aliviar a sensação de rigidez. Em ambos os casos, o tempo total costuma variar entre 5 e 10 minutos.
Quando evitar ou ter cautela
A técnica não é indicada em casos de lesões agudas, inflamações importantes, hematomas, trombose ou dores de origem desconhecida. Pessoas com condições específicas devem buscar orientação profissional antes de incluir a liberação miofascial na rotina.
Segundo o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), a prática caseira deve ser vista como complementar, e não como substituta de avaliação clínica quando há dor persistente.





