Açúcar pode deixar marcas que vão além da balança. Descubra quais são

O açúcar em excesso não afeta só o peso: a glicação, processo que altera o colágeno, envelhece a pele e impacta a saúde geral.

Por Redação Boa Forma Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 22h00
Pequena tigela de madeira clara cheia de cubos de açúcar branco, com outros cubos espalhados sobre uma superfície cinza texturizada
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Quando se fala nos efeitos do consumo excessivo de açúcar, a primeira preocupação costuma estar relacionada ao ganho de peso e à resistência à insulina. Mas existe outro processo que merece atenção: a glicação, reação em que moléculas de açúcar se ligam a proteínas do organismo, como o colágeno, e podem alterar sua estrutura e função, afetando a pele de maneira tridimensional.

“Dependendo do contexto alimentar do paciente, de como é a sua dieta, há uma influência positiva ou negativa dos alimentos na pele. Essa influência é ligada principalmente a três processos que estão altamente relacionados: oxidação (maior produção de radicais livres), inflamação e glicação (endurecimento das fibras de colágeno por excesso de açúcares na dieta). Esses processos estão ligados ao aparecimento acentuado de rugas, flacidez e manchas”, destaca o dermatologista Dr. Daniel Cassiano, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP).

“É importante entender que o impacto do açúcar não deve ser analisado apenas pela quantidade de calorias ou pelo efeito sobre o peso. Quando existe uma exposição excessiva e prolongada, a glicose também pode participar de reações que modificam proteínas do organismo. É um efeito que pode ser visto na pele. É um mecanismo complexo, mas que ajuda a ampliar nossa visão sobre os efeitos metabólicos do consumo excessivo de açúcar”, explica Cida Mariosa, nutricionista gestora do Núcleo de Nutrição da Biotec. “Entre as marcas do excesso de açúcar, estão as rugas, manchas e flacidez”, acrescenta a farmacêutica Patricia França, gestora científica da Biotec.

Alimentação e pele

Alimentação e pele formam uma relação muito interessante, uma vez que o padrão alimentar pode acelerar ou ajudar a tratar o processo de envelhecimento, segundo a dermatologista Dra. Mônica Aribi, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“A ingestão de açúcar em excesso na dieta colabora para um processo de glicação, que é quando as fibras de colágeno e elastina endurecem por reagirem com esses açúcares. Com isso, a pele perde flexibilidade e sustentação. O açúcar também está ligado ao aparecimento de manchas”, explica a dermatologista.

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Isso ocorre porque, durante a glicação, podem ser formados os chamados produtos finais de glicação avançada, conhecidos como AGEs.

“Essas substâncias podem se acumular no organismo e estão relacionadas a alterações em diferentes proteínas”, diz Patricia. “Os produtos finais de glicação avançada desencadeiam inflamação crônica e sistêmica. Na pele, há um comprometimento do processo de cicatrização e aceleração do envelhecimento da pele. Em um intervalo de cinco a seis décadas, os níveis de AGEs em nossos tecidos praticamente dobram, razão pela qual isso é visto não apenas como um marcador de envelhecimento, mas como um condutor ativo do processo de envelhecimento”, completa Mariosa.

“Por isso, o conceito de proteção contra a glicação vem ganhando espaço. O objetivo é atuar sobre esse processo e reduzir os impactos associados a essas modificações”, explica a farmacêutica.

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Muitas vezes, os açúcares estão mascarados nos alimentos, principalmente ultraprocessados (industrializados). “Nomes do açúcar em produtos industrializados incluem: melado de cana, melaço, mel, açúcar invertido, glicose, lactose, glucose de milho, xarope de milho, frutose, maltose, sacarose e xarope de malte”, diz Cida.

Efeitos na pele

Muitas pessoas não entendem qual é a relação, mas o excesso de açúcar causa alterações importantes na pele.

“A glicação não apenas envelhece, ela também mancha. É um processo bioquímico silencioso, mas profundamente destrutivo, no qual o excesso de glicose se liga a proteínas estruturais da pele — como colágeno e elastina — desencadeando uma cascata inflamatória e promovendo estresse oxidativo crônico. O ambiente inflamatório aumenta a atividade das células produtoras de pigmento, os melanócitos”, destaca Patricia.

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“Como essas proteínas são as responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele, esse processo desestrutura esse tecido e com isso temos um envelhecimento precoce”, acrescenta a Dra. Mônica Aribi.

Efeitos sistêmicos

De acordo com Cida, a pele e o colágeno são manifestações visíveis do processo de glicação, mas à medida que os AGEs se acumulam nos ossos, nas articulações e nos músculos, eles podem contribuir para osteoporose, a artrite e o enfraquecimento e diminuição da massa muscular com a idade.

“AGEs participam no declínio da memória relacionado à idade, na catarata e até mesmo na disfunção erétil. A glicação é uma reação não enzimática que ocorre de forma contínua onde esse excesso de metabólicos do açúcar circulante e extremamente reativo se liga a moléculas especialmente a proteínas. Ocorre a todo momento, principalmente em quadros hiperglicêmicos como diabetes”, diz Cida.

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