Doença celíaca X fertilidade: como a condição afeta seu desejo de ser mãe

A doença celíaca, caracterizada pela intolerância ao glúten, dificulta a absorção de nutrientes pelo corpo, afetando o ciclo menstrual e a saúde do bebê

Por Marcela De Mingo Atualizado em 12 Maio 2022, 15h12 - Publicado em 17 Maio 2022, 08h00

Há alguns anos, o glúten se tornou um vilão das chamadas “dietas saudáveis”. E por mais que, de fato, ele colabore para o processo inflamatório do corpo, ele não é tão malvado assim. A não ser, claro, que você tenha a doença celíaca. Nesse caso, não só o glúten é, sim, um vilão, como pode também interferir em uma série de processos naturais do corpo, incluindo a fertilidade. 

O QUE É A DOENÇA CELÍACA? 

“A doença celíaca é uma doença do aparelho digestivo e do sistema imune, que danifica o intestino delgado”, explica o Dr. Fernando Prado, médico ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana. “Ela é desencadeada pela ingestão de alimentos que contêm glúten.”

Um dos principais problemas que essa condição de saúde gera é a dificuldade de absorção de nutrientes pelo organismo. Ou seja, você pode comer de maneira correta, mas o seu corpo não aproveita os nutrientes ingeridos. 

E, por ser uma doença que afeta o aparelho digestivo, não é difícil perceber os seus sintomas, que podem ser notados já na infância do indivíduo celíaco: 

  • Diarreia
  • Prisão de ventre
  • Perda de peso
  • Anemia
  • Sensação de estufamento
  • Cólica
  • Desconforto abdominal

Irritabilidade e lesões na pele, além de aftas na boca e perda do esmalte dentário, assim como osteoporose, são outros sintomas que podem acompanhar a doença. 

DOENÇA CELÍACA X INFERTILIDADE

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A associação entre a doença celíaca e os problemas de infertilidade ainda é considerada uma descoberta recente – e os médicos não possuem todas as informações a esse respeito ainda. No entanto, já se sabe que essa doença pode levar a alterações no ciclo menstrual, reduzindo o estoque de óvulos e antecipando a data da menopausa, ou seja, da última menstruação. 

“Provavelmente, o déficit de vitaminas, que não são absorvidas adequadamente quando a mulher não está controlando a doença, pode ser um causador importante destes problemas”, explica o médico. “Mas não só. A própria inflamação e a alteração imunológica podem ‘atacar’ os ovários e também a função da placenta, inclusive acarretando maiores riscos de abortos precoces, descolamento de placenta e restrição de crescimento fetal.”

Por esses motivos, fazer um controle rígido da dieta é a melhor forma de evitar complicações, principalmente se você está considerando engravidar em breve. A orientação principal é excluir do cardápio produtos industrializados com farinhas que contenham glúten – pães, bolos, macarrão, bolachas, pizzas, cervejas e outras bebidas. 

“No caso de problemas de fertilidade, mesmo com a adoção de uma dieta rigorosa, é fundamental buscar ajuda especializada para detectar as possíveis causas e o tratamento mais indicado”, orienta o ginecologista. 

Esse controle e acompanhamento se tornam especialmente importantes quando consideramos que a doença celíaca não controlada, como dito anteriormente, pode levar ao risco de aborto espontâneo. Não só isso, mas também pode induzir a partos prematuros, casos de natimortos e baixo peso do bebê ao nascer. 

“Como não tem cura específica, a melhor e única maneira é adotar uma dieta rigorosa e sem glúten ao longo da vida, e não apenas durante a gravidez”, continua o Dr. Fernando. 

No entanto, o acompanhamento nutricional é essencial nesses casos já que a falta de alimentos com glúten pode significar também uma dieta pobre em nutrientes essenciais para uma gravidez saudável, como magnésio, ferro, vitamina D, zinco, vitaminas do complexo B e cálcio. 

“A falta dessas vitaminas na gravidez repercutem na nutrição do feto e podem levar a consequências a longo prazo na vida desse futuro bebê”, diz. Por isso, contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar, composta por obstetra e nutricionista, é vital nesses casos. 

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