Excesso de café pode prejudicar o processo de emagrecimento ou ganho de massa?

Descubra como o café impulsiona seus treinos, mas atente ao excesso que compromete sono, recuperação e resultados fitness

Por Maraísa Bueno 14 set 2026, 16h00
Mulher jovem de perfil, com cabelo preso e molhado, vestindo um top rosa, segurando uma caneca escura. Ela está em uma varanda de madeira, olhando para uma paisagem verde e borrada ao fundo
Excesso de café pode prejudicar o processo de emagrecimento/ganho de massa? (teksomolika/Magnific)
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O café está entre as bebidas mais queridinhas dos brasileiros e faz parte da rotina de milhões de pessoas. Por ter um efeito estimulante, o café tem sido bastante consumido antes da prática de atividades físicas, com a intenção de ativar a energia,  aumentar o foco e melhorar o desempenho. Mas será que o excesso de café pode prejudicar o processo de emagrecimento ou ganho de massa?

 

 

Café é considerado um bom pré-treino?

O café é uma das opções mais famosas quando falamos em potencializar a energia para os treinos. Ela melhora o estado de alerta, a disposição e a performance física.

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“A cafeína é um alcaloide do grupo das xantinas com ação estimulante no sistema nervoso central, com liberação de neurotransmissores como dopamina, adrenalina e norepinefrina”, afirma a Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

A substância também carrega propriedades antioxidantes, que podem ser úteis para combater os radicais livres produzidos durante a atividade física intensa.

Além disso, o café tem um potencial efeito termogênico, o que pode colaborar para a aceleração do metabolismo e para a queima calórica.

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O mais recomendado é consumir a cafeína cerca de 30 a 60 minutos antes da prática de atividades físicas.

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Quando o excesso pode ser prejudicial no emagrecimento ou ganho de massa magra?

Como qualquer coisa em excesso, é preciso cuidado. A ciência mostra que o café em si não prejudica diretamente no emagrecimento ou no ganho de massa, mas sim, de forma indireta, principalmente no processo de recuperação, quando afeta o sono. 

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O Sleep Medicine Reviews publicou uma revisão e meta-análise com 24 estudos a respeito de cafeína e sono. O consumo em excesso de café reduziu o tempo total de sono em cerca de 45 minutos, além de também diminuir a eficiência do sono em 7%.

Outros pontos levantados pelos pesquisadores foi de que o excesso de café aumentou o tempo para adormecer e também o tempo acordado durante à noite, além de reduzir o tempo de sono profundo. 

Os autores também pontuaram que uma xícara de café com cerca de 107mg de cafeína deve ser consumida pelo menos 8,8 horas antes de dormir.

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Portanto, o consumo excessivo pode aumentar a chance de:

  • insônia;
  • ansiedade/agitação;
  • palpitações;
  • desconforto gastrointestinal;
  • dependência/tolerância;
  • prejuízo da recuperação por alteração do sono.
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E o que isso tem a ver com emagrecimento ou ganho de massa magra?

O descanso literalmente também faz parte do processo de quem deseja emagrecer ou ganhar massa magra. A má qualidade de sono compromete diretamente os principais mecanismos fisiológicos envolvidos na recuperação muscular e na hipertrofia.

Segundo a Profa. Dra. Vânia D’Almeida, bióloga, mestre e doutora pela UNIFESP e pesquisadora do Instituto do Sono, durante o sono, especialmente nas fases mais profundas de sono (denominada de NREM, mais especificamente o estágio N3), ocorre um ambiente hormonal favorável à reparação tecidual, com maior liberação do hormônio do crescimento (GH) e estímulo à síntese proteica muscular.

“Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, esse processo é prejudicado. Estudos demonstram que a privação de sono está associada à redução da ar e maior liberação de hormônios relacionados ao estresse e aumento do catabolismo musculortisol”, explica.

Esse desequilíbrio favorece um estado metabólico menos eficiente para recuperação e construção muscular. Além disso, a má qualidade de sono pode impactar negativamente o desempenho físico, reduzindo força, resistência e capacidade de treinamento. Como consequência, o estímulo necessário para o ganho de massa muscular também se torna menos eficaz.

Outro ponto importante é que o sono inadequado está associado a maior percepção de fadiga e dor muscular, o que pode prolongar o tempo de recuperação entre os treinos e aumentar o risco de lesões.

“Dessa forma, o sono não deve ser visto apenas como um período de descanso, mas como uma etapa ativa e essencial do processo de adaptação ao exercício. Dormir mal, de forma crônica, pode limitar significativamente os resultados, mesmo em indivíduos com treino e alimentação adequados”, concluir a médica.

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