Rucá: proteína vegetal com proposta de alimento completo

Testamos a Rucá, produto que propõe unir nutrição funcional e prazer no consumo diário

Por Helena Saigh 3 Maio 2026, 18h00 | Atualizado em 4 Maio 2026, 13h55
Embalagem rosa da marca Ruca com proteínas vegetais de arroz, ervilha e castanha-do-brasil, cercada por frutas vermelhas, castanhas e vegetais picados sobre uma superfície clara
O produto combina proteína vegetal, fibras e frutas em um produto pensado para consumo no dia a dia. (Rucá/Divulgação)
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A ideia de transformar um suplemento em algo que se comporta como alimento não é exatamente nova. Mas, na prática, ela ainda encontra resistência, principalmente quando o assunto é proteína vegetal.

Textura arenosa, sabor artificial e aquele gosto residual típico de adoçante continuam sendo barreiras reais para quem tenta manter o consumo no dia a dia. É justamente nesse ponto que a Rucá tenta se posicionar.

Criada pelos empreendedores Lorenzo Mina, Maurício Cosentino e Guilherme Cruz, a marca brasileira surge com uma proposta que vai além da tabela nutricional: construir um produto que seja funcional, mas que também dê vontade de consumir.

Na fórmula, isso aparece com clareza. Cada porção entrega 16 g de proteína vegetal e 16 g de fibras, combinando fontes como ervilha, arroz e aveia com ingredientes que fogem do padrão da categoria, como castanha-do-Brasil e frutas liofilizadas, jabuticaba, amora e framboesa. Há ainda um mix funcional com açaí, banana, cenoura, beterraba, gengibre e cúrcuma.

A construção é pensada para ser mais ampla do que a lógica tradicional de suplemento. Em vez de isolar nutrientes, a Rucá tenta entregar um alimento completo, com impacto nutricional e sensorial.

O maior desafio: fazer proteína vegetal ser, de fato, gostosa

Se a proposta parece simples no papel, a execução é mais complexa.

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Segundo Maurício Cosentino, um dos fundadores da marca, o maior desafio esteve justamente no equilíbrio entre nutrição, sabor e viabilidade de mercado.

“Proteína vegetal é muito difícil de trabalhar o sensorial. A gente perdeu muito tempo até realmente encontrar essa resposta, que veio através das frutas”, conta.

A decisão de não utilizar adoçantes artificiais elevou ainda mais o nível de dificuldade. Em vez disso, a marca optou por adoçar o produto naturalmente, usando frutas liofilizadas, escolha que impacta diretamente no custo.

“Ingredientes naturais e de qualidade têm um custo muito alto. A gente precisou equilibrar muito bem o que queria entregar com o que era viável no mercado”, explica Maurício.

Esse processo de ajuste entre qualidade, sabor e preço foi central durante o desenvolvimento, que levou cerca de seis meses e envolveu uma série de testes até chegar à versão final.

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Constância não vem da obrigação, vem do prazer

Se existe um conceito que sustenta a proposta da Rucá, é o de constância.

A marca parte de uma leitura simples: produtos saudáveis só funcionam quando são incorporados à rotina, e isso só acontece quando existe prazer no consumo.

“Para a pessoa manter o consumo no dia a dia, ela precisa gostar do produto. Não adianta ser saudável se não for prazeroso”, afirma Maurício.

Para viabilizar isso, a Rucá aposta na versatilidade. O produto pode ser preparado com água, leite, frutas ou incorporado em receitas, o que amplia as possibilidades e evita a repetição.

Essa flexibilidade não é apenas um detalhe, é estratégia. Ao permitir diferentes formas de consumo, a marca reduz o risco de saturação, um dos principais motivos de abandono em produtos dessa categoria.

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Duas mãos seguram uma tigela de cerâmica marrom com iogurte de frutas vermelhas, uma colher com cabo amarelo retira uma porção
Rucá misturada com leite, em textura cremosa. (Rucá/Divulgação)

Uma proposta que vai além do suplemento

Outro ponto importante está na forma como a Rucá se apresenta.

Ao evitar o rótulo de suplemento, a marca amplia seu público. Enquanto suplementos ainda são associados a quem treina ou busca performance, alimentos são universais.

“Todo mundo consome alimento, mas nem todo mundo consome suplemento”, explica Maurício. “Quando a gente fala de alimento, a gente abre o público.”

Essa mudança também responde a um comportamento crescente, o cansaço com produtos excessivamente artificiais. O gosto de adoçante, frequentemente citado como um problema, é uma das principais barreiras de entrada para novos consumidores.

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Nesse sentido, a Rucá tenta ocupar um espaço intermediário entre o funcional e o cotidiano.

Um produto novo exige um novo tipo de explicação

Se desenvolver a fórmula foi um desafio, levá-la ao mercado tem sido outro.

Por não se encaixar perfeitamente em categorias já conhecidas, a Rucá exige um esforço maior de comunicação. Não basta apresentar o produto, é preciso explicar o que ele é.

“É um produto novo, uma classe nova, um produto que foi inventado. Não é algo que já existe, que as pessoas já tenham familiaridade. Então a gente vê muito essa dificuldade de realmente explicar para as pessoas, educar as pessoas”, diz Maurício.

Além disso, há o desafio estrutural de crescimento. Com alta demanda inicial e produção limitada, a marca precisou definir prioridades e organizar sua expansão com cuidado.

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“A operação começa de verdade depois que o produto fica pronto. É quando você precisa estruturar tudo para crescer sem perder qualidade”, completa.

Rucá Superalimento Brasileiro

Embalagem rosa e roxa de suplemento RUA, com proteínas vegetais de arroz, ervilha e castanha-do-brasil, 16g de proteínas e fibras por porção, sem adição de açúcares, rico em vitaminas B3, B6, B7 e B12

Superalimento proteico plant-based, com pedacinhos de jabuticaba, framboesa, amora e morango.

Na prática: como consumir a Rucá no dia a dia

Um dos pontos mais interessantes do produto é justamente a sua aplicação prática.

Além do consumo tradicional, como bebida, a Rucá pode ser incorporada em receitas, o que reforça a proposta de alimento.

Uma das sugestões desenvolvidas pela nutricionista Ana Victória Takahashi é a panqueca de Rucá com chocolate branco, que transforma o produto em uma refeição completa.

Panqueca de Rucá com chocolate branco

Ingredientes:

  • 2 colheres de sopa de Rucá
  • 1 ovo
  • 3 colheres de sopa de iogurte natural
  • 3 colheres de sopa de farinha de aveia ou arroz
  • 1 colher de café de adoçante em pó
  • 1 colher de café de fermento
  • Chocolate branco a gosto

Modo de preparo 

  1. Misture a Rucá, o ovo, o iogurte, a farinha e o adoçante até formar uma massa homogênea.
  2.  Adicione o chocolate branco e o fermento.
  3.  Despeje em uma frigideira pré-aquecida e untada, em fogo médio.
  4.  Quando a massa crescer, vire para dourar o outro lado.
  5.  Finalize com morangos e mais chocolate branco.

Rende uma panqueca grande ou porções menores.

Vale a pena?

A Rucá não reinventa a nutrição funcional, mas propõe uma mudança importante na forma como ela é consumida.

Ao priorizar sabor, textura e versatilidade, o produto tenta resolver um problema antigo da categoria, a dificuldade de transformar intenção em hábito.

Se vai substituir completamente suplementos tradicionais, ainda é cedo para dizer. Mas, ao se posicionar como alimento, e não como obrigação, a marca se aproxima mais da realidade do consumo.

No fim, a pergunta não é apenas se o produto funciona, e sim se ele cabe na rotina. E é exatamente nesse ponto que a Rucá aposta.

O que observar no rótulo antes de escolher um suplemento proteico?

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