Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

Cobra Kai e o nosso guerreiro interior

Temos um chakra dedicado ao nosso poder pessoal e que nos dá força para ir atrás dos objetivos. Praticar arte marcial é uma ótima forma de desenvolvê-lo

Por Debora Pivotto 9 jun 2021, 18h13

Neste feriado de Corpus Christi eu passei boa parte do tempo vendo uma série da Netflix chamada Cobra Kai. Divertida e dramática, ela conta e atualiza a história de Daniel Sam e Johnny Lawrence, dois grandes rivais do cinema, astros da trilogia Karatê Kid, sucesso nos anos 80.

A trama é legal, tem um clima quase adolescente, mas sinto que o que me inspirou mesmo na série foi a jornada do protagonista Johnny Lawrence. No começo, ele é um cara super fracassado. Tem um trabalho de pedreiro/faz-tudo que ele odeia, uma ex-mulher e um filho com quem ele tem uma relação péssima, mora num lugar sujo e bagunçado e começa o dia abrindo a geladeira e tomando cerveja. Mas, ao longo dos episódios, ele se reconecta com a antiga paixão do karatê, abre uma escola e começa a dar aulas para adolescentes que têm baixa autoestima.

E ao mesmo tempo em que ele ensina os alunos a serem fortes e lutar pelo que querem – de uma forma um pouco “ogra”, mas ok – ele também vai se conectando com essa força dentro de si para poder se reerguer e ir em busca de seus sonhos.

E percebi que a série me tocou tanto porque eu estava justamente precisando entrar em contato com essa força que não nos deixa desistir das coisas, que nos levanta nos momentos difíceis e nos traz aquele fôlego para levantar e tentar de novo quando algo não sai dentro do que planejamos. É uma energia guerreira mesmo que todos nós temos dentro de nós e que em alguns momentos está mais ativa e em outros, mais adormecida.

Terceiro chakra – o guardião da nossa energia guerreira

No nosso corpo, existe uma chakra ou centro de energia que é  especialmente dedicado a nos trazer essa força guerreira. É o terceiro chakra, também chamado de plexo solar ou manipura, que fica localizado na região do nosso estômago, uns dois dedos acima do nosso umbigo.

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Para quem não é familiarizado com o tema, os chakras são importantes centros de energia que integram nossos corpos físico, mental e espiritual. Todos nós temos dezenas de chakras, mas existem sete principais que se localizam ao longo da nossa coluna vertebral – o primeiro está bem na base (região do cóccix), e o sétimo fica no topo da nossa cabeça. A palavra chakra significa roda em sânscrito e, como o nome sugere, eles estão sempre em movimento – recebendo, doando, trocando e transmutando energia. O conjunto formado por esses centros e a interação que fazemos com as pessoas e o ambiente é o que chamamos de aura.

A energia do terceiro chakra é que nos dá força e entusiasmo para realizar o que queremos. Ele é o nosso sol interno, o centro do nosso poder pessoal, que nos conecta com o elemento fogo e está muito relacionado com a nossa capacidade de bancar nossas escolhas e apresentar nosso trabalho para o mundo. O papel do nosso terceiro chakra é nos dar coragem para se posicionar e brilhar! É aquele que nos defende dos ataques das nossas próprias sombras e dos outros, e o que nos dá força para dar a cara à tapa, ir à luta e não desistir dos nossos sonhos.

Esse chakra sempre foi o mais desafiador pra mim. Quando criança e adolescente, tive muitos problemas de estômago e uma dificuldade enorme de me posicionar, de reagir quando me sentia agredida, de impor limites etc. E me lembro que uma terapeuta com quem me consultei por muito tempo, um dia me recomendou que eu começasse a praticar algum tipo de arte marcial para ajudar a desenvolver esse centro de energia.

Eu escolhi o kung fu, treinei durante um ano e meio e foi algo muito transformador. Primeiro, porque as aulas me exigiam disciplina, que era algo muito raro para mim. O fortalecimento dos meus músculos também geraram um efeito psicológico e eu comecei a me sentir mais forte. Os movimentos de luta – aprender a dar chutes, socos, se esquivar, se posicionar – são muito empoderadores. E, principalmente, no treino de arte marcial você aprende a honrar o conflito. Você percebe o quanto você aprende quando luta com um adversário e entende o quanto é na dificuldade que você aprimora a sua técnica.

Depois do kung fu, eu experimentei o O-DGI – o Despertador do Guerreiro Interno, uma técnica que mistura conceitos das artes marciais com meditação ativa. E foi igualmente transformador. Os movimentos que remetem ao uso de espada e a invocação dessa energia guerreira me ajudam muito até hoje a sair de um estado de desânimo e vitimização para um lugar mais ativo e de busca por uma solução, não importa o tamanho do problema que eu esteja enfrentando.

E assistindo a série e refletindo sobre o arquétipo do guerreiro e as lições que as artes marciais me trouxeram, eu percebi o quanto essa energia guerreira é algo que muito de nós não tem mesmo naturalmente. É algo que precisa ser trabalhado e desenvolvido com a prática. Um guerreiro não nasce sabendo lutar, mas ele aprende. E ele luta porque precisa e não porque quer.

Enfim, eu devorei a série rapidinho – são apenas três temporadas de episódios curtos. E a inspiração me ajudou muito a me reconectar com essa energia guerreira. Comecei a semana bem mais fortalecida. E se você estiver se sentindo meio sem ânimo para correr atrás de seus objetivos – o que é bem compreensível e comum nesta pandemia  – recomendo a série e, principalmente, algum exercício ou prática de arte marcial.

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