Debora Pivotto: nova colunista da Boa Forma é responsável pela seção Espiritualidade Prática Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

Meditação, oração e mantras ajudam a trazer bem-estar mental

Práticas simples podem fortalecer a conexão com nossa espiritualidade e contribuir para a saúde em tempos de pandemia e isolamento

Por Debora Pivotto Atualizado em 14 jul 2021, 20h57 - Publicado em 12 Maio 2021, 17h59

Como manter a e o otimismo nestes tempos desafiadores que estamos vivendo? Não é fácil, eu sei. Por isso, hoje quero falar de três práticas que têm me ajudado muito a fortalecer a conexão com a minha espiritualidade e contribuído significativamente com o meu bem-estar mental nestes tempos desafiadores: meditação, oração e canto de mantras.

MEDITAR É UMA PRÁTICA DE AUTOCUIDADO

De uma forma bem resumida, a meditação é um exercício mental de concentração, presença e auto-observação. É um esforço consciente de trazer toda a nossa atenção para o momento presente e, com isso, evitar distrações que levam a nossa mente para um evento passado ou a uma “pré-ocupação” com o futuro. O ato de meditar, a princípio, é muito simples. Começa por encontrar uma posição confortável (que pode ser sentar-se de pernas cruzadas ou numa cadeira mesmo), alinhar a coluna, silenciar, concentrar-se na própria respiração e se AUTO-OBSERVAR, ou seja, tomar consciência dos pensamentos e sentimentos que experimentamos sem julgá-los e sem se deixar levar por eles.

Ao fazer este exercício, começamos aos poucos a diminuir pensamentos desnecessários e destrutivos – como o medo excessivo de ficar doente durante a pandemia ou a angústia por não poder sair de casa, por exemplo – e deixamos a mente mais livre para estar mais presente e para ser mais otimista. Além disso, a prática da respiração consciente tende a diminuir o nosso ritmo respiratório, o que também diminui os batimentos cardíacos e a sensação de ansiedade, abrindo espaço para a calma e o equilíbrio emocional.

Para mim, a meditação acima de tudo é uma prática de autocuidado. É um momento em que eu me recolho e dedico um tempo para silenciar e me ouvir. Consigo perceber sensações e sentimentos que estavam passando despercebidos, me acolho e, o melhor de tudo, consigo acalmar a voz do grilo falante que mora na minha cabeça – ansiosos me entenderão.

NUNCA MEDITEI, E AGORA?

Qualquer pessoa pode e consegue meditar. Se você nunca tentou e se sente um pouco perdido ou perdida, tem inúmeros tutoriais no youtube que podem te ajudar a encontrar uma posição adequada e te guiar no exercício de silenciamento e respiração. Recomendo este aqui super didático da Monja Coen (capa da Boa Forma de maio), em que ela ensina uma prática budista, a zazen.

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Existem também alguns aplicativos de meditação com dezenas de áudios para guiar você num passo a passo dessa incrível experiência. Recomendo aqui dois: o Positiv App (versões gratuita e premium) e o Insight Timer (gratuito). Ou seja, não tem desculpa para não começar a tentar. J

SE ESTIVER MUITO DIFÍCIL DE MEDITAR, REZE! OU CANTE MANTRAS

Apesar de ser uma prática bem simples, dependendo do nosso nível de ansiedade pode ser muito desafiador meditar. Especialmente para quem não tem prática. Nestes casos, eu sugiro que você reserve um tempo para rezar. Nesta pandemia, retomei o hábito de tirar alguns minutos do dia para fazer orações que eu gosto e me surpreendi com o quanto isso tem feito bem.

A oração pode funcionar melhor que a meditação porque uma fala sequenciada ajuda muito a nossa mente a conseguir se concentrar. O ato de repetir palavras que evocam força, luz e serenidade eleva a nossa vibração. E isso também ajuda a acalmar os pensamentos compulsivos e sentimentos ruins como medo e a ansiedade. Além disso, para quem tem fé, rezar é uma das formas mais simples e poderosas de pedir ajuda às “instâncias superiores” com as quais nos conectamos. Então é também um ato de humildade. Para receber ajuda, precisamos pedir, certo?

Recentemente, eu comecei a rezar o terço! Eu cresci vendo minha avó paterna e minha tia praticando essa forma de oração diariamente. Quando criança, me lembro que tentei algumas vezes mas achei muito chato. Aquela repetição de palavras me parecia muito sem sentido na época.

Mas, recentemente, senti vontade de tentar novamente. E não é que funcionou? Achei que passou rápido – na infância, me parecia uma eternidade. E percebi que aquela repetição de palavras me ajudou muito a acalmar. Às vezes, eu começo super agitada, pensando em mil coisas ao mesmo tempo e tenho até que falar meio alto para conseguir focar na oração. Mas depois de umas 8 ou 9 ave-marias, já começo a ficar mais calma. A mente já se aquieta aos poucos, falo mais baixo e as últimas orações faço apenas mentalmente. Parece que entro numa espécie de transe, me sinto recebendo um abraço da Mãe Divina com aquelas orações. É tão acolhedor!

Sinto algo parecido quando canto mantras. Às vezes, começo cantando de uma forma meio mecânica, mas em pouco tempo eu estou cantando com cada vez mais vontade e presença. Recomendo a prática! Pra quem não conhece, os mantras são frases ou orações curtas em sânscrito, língua muito antiga e sagrada para os indianos. Na arte do Yoga, o canto de mantras é uma ferramenta muito usada para ajudar as pessoas a se conectarem com as divindades e invocarem para si a força e o poder que cada uma delas representa. É algo muito poderoso.

Costumo brincar que os mantras já me “tiraram da lama” inúmeras vezes. E é verdade! No youtube, você encontra diversas versões cantadas de mantras populares como o Gayatri. Na internet você também consegue facilmente uma tradução aproximada do que as palavras significam. Mas, mais do que saber o significado das palavras, eu recomendo que você tenha a experiência de cantar um mantra por cerca de 30 minutos e perceber o que essa prática gera em você. É realmente transformador.

Sou Debora Pivotto, jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações do país até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo de autoconhecimento chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Análitica Junguiana. Adoro compartilhar meus aprendizados em textos, vídeos e workshops. Para saber mais, me acompanhe pelo instagram @deborapivotto.  

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