Espiritualidade prática, com Debora Pivotto Espiritualidade e autoconhecimento conectados com a nossa saúde física e mental, com o coletivo e com a vida prática

Por que espiritualidade prática?

Autoconhecimento e auto responsabilidade são fundamentais para integrar a conexão espiritual em nossa vida cotidiana

Por Debora Pivotto 21 abr 2021, 16h18

Olá queridos leitores e leitoras da Boa Forma! É com muita alegria e entusiasmo que estreio hoje uma coluna semanal por aqui.

E, para começar, gostaria de me apresentar. Sou jornalista, escritora e terapeuta. Trabalhei por 13 anos em grandes redações como o jornal Estadão, TV Globo e algumas revistas da Editora Abril até descobrir que os assuntos que mais me interessavam estavam dentro – e não fora – das pessoas.

Sempre fui apaixonada pelo universo do autoconhecimento mas só em 2015 que entendi que precisava integrar essa paixão à minha atuação profissional. Hoje faço uma espécie de “reportagem da alma” com a terapia de Leitura de Aura, ajudo as pessoas a reconhecer e manifestar os seus dons e talentos facilitando um processo chamado Jornada do Propósito, e estou me especializando em Psicologia Analítica Junguiana.

E como uma boa jornalista, adoro compartilhar informações e aprendizados em textos, vídeos e workshops. E aqui nesta coluna pretendo trazer sempre reflexões, conhecimentos, ferramentas e práticas que nos ajudem a aprofundar nossa conexão com o que chamo de espiritualidade e mostrar como podemos utilizar toda essa conexão para trazer mais bem-estar na nossa vida.

Por que Espiritualidade Prática?

Primeiramente, acho importante explicar o que entendo por espiritualidade. É um campo um tanto pessoal e subjetivo, mas para mim, espiritualidade tem a ver com acreditar que existe uma força e uma inteligência maior que comanda, cuida, zela e protege a todos nós. Podemos chamá-la de Deus, Universo, Ser Supremo, Cosmos, Grande Espírito, entre outras formas. É uma força invisível, mas muito perceptível, incrivelmente poderosa e amorosa, que funciona como um roteirista genial dessa grande “aventura humana na Terra”.

E tem a ver com acreditar também que nós, seres humanos temos uma dimensão espiritual, ou seja, que somos mais do que nosso corpo e nossa mente. E essa força espiritual que temos individualmente está conectada com toda essa força universal que tudo rege. É acreditar que somos humanos, mas que também somos seres divinos. A espiritualidade em que eu acredito e defendo não separa o Homem de Deus.   

É importante dizer também que espiritualidade é bem diferente de religião, que traz um caminho específico de praticar essa conexão espiritual, com seus próprios rituais, crenças, símbolos, tradições e dogmas. Estamos falando aqui da conexão e do fortalecimento com a nossa e com nosso lado espiritual.   

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E a conexão com essa força que transcende nossas limitações humanas, apesar de ser uma experiência intangível para nossa mente e, portanto, um tanto misteriosa e mística, não deve ser algo que nos desconecte da nossa vida prática e material. Muito pelo contrário!

Para mim, a conexão com a espiritualidade deve ser algo que nos ajude a transformar e dar mais sentido para nossa vida cotidiana. Ou seja, ela deve ser uma ferramenta que nos ajude a lidar melhor com nossos relacionamentos – conosco e com os outros – com nosso trabalho, o dinheiro, nosso corpo, nossa casa e com o mundo.  

Acredito que o grande diferencial do ser humano é justamente ser um ser espiritual vivendo uma experiência na matéria. E transitar e integrar essas duas esferas é também um dos nossos principais desafios.   

Afinal, não adianta nada ter muita fé num Deus que vive lá longe, nos confins do Cosmos, e não ter confiança alguma em si mesmo. Ou rezar para que Deus no dê dinheiro e gastar sempre mais do que se ganha. Ou ainda meditar e se sentir plena e feliz durante um retiro espiritual mas detestar o seu trabalho, fracassar nas relações e não sobreviver a um almoço em família. Não faz sentido ter expectativa de que um milagre divino aconteça em nossa vida se não for através das nossas próprias ações. Afinal, quem está vivendo, criando e destruindo tudo aqui no mundo material somos nós, certo? As divindades podem no máximo nos trazer valiosas inspirações.   

Sinto que é preciso ter coerência entre o que buscamos e acessamos na vida espiritual e na vida prática. E como conquistamos essa coerência? Com autoconhecimento. Encarando nossa luz e nossa sombra; nossas qualidades e nossos defeitos; nossa amorosidade e nossa maldade. É aliar a meditação, a reza, a oração, a devoção com um trabalho de auto-investigação, seja uma psicoterapia, um retiro espiritual ou qualquer processo, hábito ou prática que nos ajude a compreender e acolher as nossas limitações e nos dê ferramentas para superá-las.

Então, para mim, viver a espiritualidade na prática começa com a coragem de abandonar uma visão romântica e idealizada de Deus e trazer para si a força de mudar a própria vida e fazer a parte que nos cabe na transformação coletiva. Temos muito o que melhorar e reconstruir nesse mundo, minha gente!   

E essa integração é fundamental para que possamos assumir a auto responsabilidade pelas nossas escolhas e nosso bem-estar. Para que possamos ser menos egoístas e pensar mais no coletivo – afinal somos todos um, certo? Para que possamos construir o tal “paraíso” aqui mesmo na Terra. Ou pelo menos, para nos tornarmos pessoas melhores e ajudar a transformar esse planeta num lugar melhor.

Vamos trabalhar para integrar mais a espiritualidade com a prática?  

Sejam todos muito bem-vindos e bem-vindas!

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