Samorai: o educador físico é o novo colunista da BOA FORMA Treino 3D - Corpo, Mente e Espírito, com Samorai Bacharel em esporte, Samorai (@samorai3d) é criador do método de treinamento 3dimensional para reabilitação, prevenção e tratamento de lesões e performance. Aqui, auxilia praticantes e treinadores na busca por harmonia.

Gratidão

45 outonos de aprendizados e reflexões

Por Amanda Ventorin 11 Maio 2022, 18h47

Hey, folks! O velho samurai continua sua caminhada. Agora são 45 outonos. Minha estação favorita. A dos pores e nasceres de sol mais belos, nos quais as árvores mudam de cor, as percepções se aguçam e muitas vezes os momentos de introspecção aparecem para nos centrar e nos devolver ao rumo, que a explosão do verão tirou do trilho. E quando penso em 45, posso imaginar que não tenho mais idade para um monte de coisa. Que agora, aprender é muito mais difícil. Isso é coisa de criança. Vejo minha filha, quanta coisa ela aprende todos os dias. Isso porque ela é criança e criança aprende tudo mais fácil né.

O fato é que se você realmente olhasse com ternura e com a devida atenção para uma criança, perceberia que ao invés de ter facilidade para aprender, o que ela tem é uma incrível capacidade de ensinar. Minha filha em especial me ensinou a olhar o essencial. Aquele que é invisível aos olhos. Me ensinou que só existe o tempo presente. E principalmente, que se quer andar tem que estar disposto a cair quantas vezes for preciso. Porque é assim que ela aprende “com facilidade”.

Minha esposa e companheira, que também é uma eterna criança, reforçou muito esse olhar do coração. Da compaixão, da harmonia. Ultimamente tenho me dedicado, muito por influência dela, à contemplação. Sempre fui muito observador. É uma das minhas principais características. Mas nunca fui um contemplador. Porque o observador, muitas vezes o faz com críticas, ao passo que o contemplador admira e vê perfeição onde mais ninguém vê. A perfeição está em tudo e no todo. Esta última volta ao sol me despertou para esse olhar contemplativo. E vi tanto além do que estava enxergando, que mal reconheci este mundo. Entendi que pior cego é o que não contempla o que vê. Me emocionei todos os dias. E agradeci.

E agradecimento é exatamente o ponto que quero reforçar aqui. Mais diretamente a gratidão. Muitas vezes, principalmente em dias como hoje, olho para trás e me encontro nos olhos de um menino triste. Triste e sonhador. Que buscava fora dele mesmo um caminho feliz. Idealizava uma vida perfeita aos seus olhos. E correu ao encontro dela, pois ela lhe traria a felicidade. Entretanto, quanto mais caminhava em direção a essa felicidade, mais ela se afastava. Quando eu dava um passo, ela se afastava um. Quando eu dava dois, ela se afastava dois. E por mais que eu caminhasse, eu nunca chegava.

Blasfemei, briguei com o mundo, com Deus, me revoltei. Até pensei por que Ele não gostava de mim… Nunca me ajudava. Mas o fato é que a vida já sorria para mim, e me dar o que eu queria não me traria felicidade se eu não conseguisse enxergar o que já existia em abundância na minha vida. Amor e perfeição. E não só na minha. Na sua também. Mas, assim como treinamos o olhar 3D, precisamos treinar esse olhar de gratidão. A gratidão que não está no coração não é verdadeira. E ela não pode ser vista pelos olhos. Mas o amor e a perfeição estão em todos os lugares e os anjos para abrirem seus olhos também. A menos que você não conheça uma criança, essa frase estará errada. Ao entender isso, a vida mudou.

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Eu agradeço de coração as conquistas e os fracassos. Porque eles não são nada além de acontecimentos. A interpretação somos nós que damos. E o sofrimento é mais que opcional, embora seja quase default neste modelo de sociedade que construímos. Acredito de verdade que não vim aqui para nada. Não vim para ser pai, escritor, professor, lutador. Nada. Todos esses são meios de me conhecer. Meios de caminhar. Só vim aqui para sair melhor do que entrei. Para dar mais uns passos nesta jornada. E para isso todos os caminhos servem.

Voltando ao menino triste, este encontrou a felicidade em um lugar muito diferente do que ele acreditava. Encontrou onde ela sempre esteve e sempre foi acessível: nele mesmo e no encantamento com o presente. Com a beleza, a mágica e a simplicidade do presente nosso de cada dia. Que também existe em você e para você. Aprendemos sempre que a felicidade está nas coisas. E por isso enquanto não temos todas as coisas não seremos plenamente felizes. E o mundo passa a ser injusto porque uns tem e outros não. Achamos que o mundo está perdido e esperamos pelo meteoro.

Dentro dessa lógica não há felicidade viável. Mas a chave está aí. Não importa o que me acontece, eu sempre posso contemplar algo, ajudar alguém, buscar aprendizado e dar mais um passo nessa jornada. Que é a de ser um tiquinho melhor a cada dia e não a de ter ou alcançar um tiquinho mais a cada dia. São dois tipos de tiquinhos diferentes, mas que mudam o olhar. E é a partir dele que mudamos nosso mundo. Hoje sou grato por mais um dia, por escrever aqui, por alguém me ouvir, por poder ajudar, por permitir alguém me ajudar. Sou grato por não saber onde o caminho leva, mas continuo a caminhar. E se não sei aonde chegar, posso apreciar o caminho. Que é só o que há. Meu presente hoje.

Que você me deixe te presentear com o poder de você mesmo. Usando uma ferramenta que seu coração transborda. A gratidão. Me dê esse presente. Pare nesse segundo e se perdoe. Agradeça e procure beleza onde só o coração e o amor alcançarão. Se quiser, me conte. Vá lá no Instagram da Boa Forma e escreva lá no post o que o seu coração viu hoje que estava escondido dos olhos. Você me dá esse presente?

Forte abraço,

Samorai.

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