A culpa da obesidade é do excesso de fast-food ou do sedentarismo?

Marca de refrigerantes é criticada por patrocinar estudo que tira das dietas hipercalóricas a responsabilidade pela epidemia mundial de obesidade

Quando o assunto é vida saudável, muitos estudos e profissionais de saúde defendem o combo atividade física e alimentação equilibrada. Entretanto, uma matéria divulgada no New York Times essa semana levantou novamente uma polêmica antiga sobre a perda de peso.

De acordo com o jornal americano, a Coca-Cola está financiando estudos científicos que apontam a atividade física como maior responsável pela perda de peso, deixando de lado a dieta equilibrada, com menos calorias. O levantamento contestaria a ideia de que estamos comendo muito fast-food e bebidas açucaradas e por isso aumentando os quilos na balança. “Não há nenhuma evidência convincente de que essa é a causa do problema”, afirma o Steven N. Blair, vice-presidente do grupo apoiado pela Coca-Cola, a Global Energy Balance Network, em um comunicado. Para a organização sem fins lucrativos, em vez de se preocupar com o consumo excessivo de alimentos calóricos, as pessoas precisam praticar mais atividade física.

Mas afinal, o que emagrece mais, fazer dieta ou exercício? Especialistas afirmam que conhecer o próprio corpo é o primeiro passo para chegar mais rápido ao peso desejado. Porém, até mesmo os experts em atividade física reconhecem que, quando o assunto é agilizar o emagrecimento, a dieta leva vantagem.

“As pessoas precisam, sim, se exercitarem. Mas só isso não basta. Existem estudos que mostram que com o estilo de vida atual, em que comemos mais e nos movimentamos menos com as tarefas diárias, seria preciso passar horas a fio na academia para compensar”, afirma a nutricionista Cynthia Antonaccio, de São Paulo. “Não podemos colocar a responsabilidade pela obesidade em um único componente. É preciso que haja equilíbrio, as pessoas podem comer o que quiserem, mas é importante variar a alimentação. O fast food, o refrigerante, assim como a lasanha, podem ser consumidos, porém, não devem fazer parte da rotina”, complementa a profissional. 

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