Polêmica: a mentira sobre o glúten

Abolir de uma vez por todas a proteína do cardápio pode não funcionar para o seu organismo, sabia? Isso é o que defende o filósofo norte-americano Alan Levinovitz em seu livro lançado recentemente

Você já deve ter ouvido falar da dieta sem glúten, dos benefícios que ela oferece à saúde e, principalmente, dos quilinhos extras que promete mandar embora. Mas, será que você precisa realmente cortar para sempre essa proteína do trigo do cardápio? Em entrevista exclusiva à BOA FORMA, o norte-americano Alan Levinovitz, professor assistente de religião da Universidade da Virgínia e autor do livro A mentira do Glúten – e outros mitos sobre o que você come (Citadel Grupo Editorial), alerta: “As pessoas que têm a doença celíaca (doença autoimune em que o glúten dispara uma reação do organismo contra o próprio intestino) precisa evitar essa substância para sobreviver e, as que têm sensibilidade (apresentam certos desconfortos ao consumi-la, como inchaço e dor de estômago) também vivem melhor sem ela. Mas isso não significa que todos nós devemos cortá-lo do cardápio.” A publicação é uma crítica a essa e outras crenças sobre a onda de excluir definitivamente pães, massas e qualquer outro produto com trigo da alimentação se você não tem – de fato – alguma problema de saúde.

E se a dieta for seguida apenas para enxugar alguns quilinhos? Para Levinovitz, não é a ausência do glúten que proporciona a perda de peso e, sim, a retirada do excesso de  alimentos ricos em carboidrato (pão de hambúrguer, biscoitos recheados, cerveja…) do cardápio. “É importante ressaltar que não é exatamente a proteína do trigo que engorda, mas a maneira como você se alimenta”, explica. Outro alerta dado pelo autor: cortar o glúten apenas por modismo e ficar muito tempo sem ele no cardápio pode fazer com que o  organismo deixe de produzir a enzima responsável pela digestão dessa proteína. Aí, sim, os sintomas de sensibilidade ao glúten podem aparecer no próximo pedaço de pizza. Então, se você for fazer uma dieta glúten free para emagrecer, seja breve.

O próprio Levinovitz ficou sem essa substância por três dias, durante seu trabalho de pesquisas e relata que, nas primeiras 24 horas, tomar café da manhã foi uma experiência diferente. “Eu olhava para as pessoas comendo donuts e croissants e pensava: olha como eu sou forte – consegui resistir, mas elas não.” Mas no terceiro dia, ele desistiu. “Ficou difícil cozinhar uma refeição com tantas restrições”.

Mas por que um professor de religião escreveria sobre o glúten? O autor do livro quis desmistificar as dietas famosas. Isso porque ele identificou um componente de fé nos modismos alimentares. “Percebi que muitas pessoas são fanáticas por alimentação. Os termos vilão e culpa, usados para descrever certas comidas, influenciam na maneira como nós nos comportamos diante de determinados alimentos. Hoje, a comida é tão demonizada quanto o sexo no passado”, compara. Levinovitz acredita que o radicalismo dá às pessoas a falsa sensação de que estão fazendo o melhor para a saúde.

Por isso, para quem está pensando em aderir a uma dieta glúten free, ele sugere procurar um profissional capaz de fazer um diagnóstico preciso sobre a existência da doença celíaca ou avaliar qualquer tipo de sensibilidade. “As pessoas também precisam ficar atentas para não serem influenciadas e, com isso, manifestar os sintomas que não existiam antes.” E para os especialistas na área da alimentação, Levinovitz alerta para a necessidade de abordarem o assunto com precaução e humildade.

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