Apneia do sono não tratada leva a sérios problemas cardíacos. Entenda!

A apneia do sono, por alterar a respiração durante a noite, pode gerar insuficiência cardíaca e hipertensão.

Por Marcela De Mingo Atualizado em 3 set 2021, 14h32 - Publicado em 9 set 2021, 08h00

Dizem os estudos que próximo de 30% da população do mundo lida com a apneia obstrutiva do sono. E, mais impressionante do que isso, em torno de 90% dessas pessoas vivem sem o diagnóstico e seguem sem tratamento. Por que isso importa? Porque a apneia é uma questão séria que pode gerar efeitos colaterais graves, afetando, inclusive, o coração. 

“A apneia do sono, ou Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), é uma doença evolutiva caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias respiratórias”, explica a Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista da Clínica MedPrimus. “A condição causa paradas repetidas e temporárias da respiração enquanto a pessoa dorme.”

De acordo com a médica, a respiração cessa porque as vias aéreas colapsam, o que impede que o ar chegue até os pulmões. “Apneia é a parada completa do fluxo de oxigênio pelo nariz e boca por um período de, pelo menos, 10 segundos”, continua. “Na hipopneia, temos uma redução entre 30 a 50% do fluxo do ar. Muitas vezes, temos apneias e hipopneias intercaladas durante a noite.”

Um dos sintomas da apneia é, também um dos mais conhecidos: o ronco. Mas, além dele, a pessoa pode acordar com sensação de sufocamento, ofegante, com dor no peito ou outro desconforto, experienciando confusão ou dor de cabeça, boca seca ou dor de garganta pela manhã. “Por não dormir adequadamente, outro sintoma frequente é a sonolência diurna. Isso, a longo prazo, pode gerar alterações de personalidade, como irritabilidade e estresse, além de dificuldade de concentração”, explica a médica.

Com esses sintomas mapeados, além da descrição da condição, fica fácil entender porque a apneia do sono aumenta a chance do desenvolvimento de doenças potencialmente letais, estando associada ao aumento do risco de hipertensão, insuficiência e arritmia cardíacas, além de infarto, derrame e diabetes. 

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Apneia do sono e os problemas cardíacos

Segundo a Dra. Maura, a apneia pode tanto agravar problemas existentes no coração, como gerar questões novas – isso vale para hipertensão e arritmias, por exemplo, assim como para infartos agudos do miocárdio. “Muitas vezes, os pacientes apresentam sobrepeso ou obesidade, o que agrava condições como diabetes e doenças do colesterol, que impactam o coração”, diz.  

Por isso, vale a pena prestar atenção: fora os sintomas tradicionais da apneia, ficar atento a batedeiras no peito, oscilações de frequências cardíacas, pulsação e pressão arterial é importante, pois sugerem alterações cardíacas. No caso de infarto, o principal sintoma são as dores torácicas intensas com irradiação para o braço esquerdo. 

Apesar do quadro emergencial de alguns sintomas e efeitos cardíacos, o tratamento inicial deve ser o da própria apneia do sono. Muitas pessoas com alterações cardíacas, segundo a médica, não entendem a importância de investigar o que causa os seus roncos. 

“Para os problemas cardíacos, podem ser necessários medicamentos para a hipertensão, antiarrítmicos, anticoagulantes, marcapassos e até cirurgias cardíacas”, diz ela. O controle da obesidade, com redução do peso e controle do colesterol e da glicemia também podem ocorrer com a ajuda de medicação adequada. 

“Mas usar medicação para os sintomas cardíacos sem oferecer oxigênio de maneira adequada durante o sono pode não trazer os resultados esperados”, finaliza.

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