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O juiz que mora em você: como a autocrítica pode impedir a vida de fluir

Quando passa do ponto, esse “juiz interior” endurece o olhar sobre si e sobre o mundo — e a vida deixa de fluir como poderia

Por Celia Lima
10 jan 2026, 18h00 •
autocritica em excesso
O juiz que mora em você: como a autocrítica pode impedir a vida de fluir | (freepik/Freepik)
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  • A autocrítica faz parte do nosso dia a dia e, em doses equilibradas, ajuda na autocorreção. Mas quando passa do ponto, esse “juiz interior” endurece o olhar sobre si e sobre o mundo — e a vida deixa de fluir como poderia.

    • Por que julgamos tanto?

    Todos nós julgamos. Das situações mais simples às que destoam do que entendemos como “normal”, é quase automático emitir um juízo quando nos deparamos com algo que consideramos estranho ao nosso modo de vida.

    Ponto-chave: julgar é humano; exagerar no julgamento endurece a vida.

    Exemplos de julgamentos automáticos:

    Veja quantas situações promovem julgamentos sem a menor reflexão:

    • uma roupa diferente, seja “ousada” ou “recatada”
    • um estilo musical — “vulgar” ou “careta”
    • a escolha da dieta
    • a orientação sexual
    • a religião — “castradora” ou “permissiva”
    • o jeito de andar — “elegante” ou “desengonçado”

    Poderíamos listar milhares de exemplos em que o julgamento está sempre presente, seja por gosto pessoal, estilo de vida ou até time do coração. A autocrítica costuma andar junto desses rótulos.

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    O que se esconde por trás do julgamento?

    Quando somos excessivamente críticos conosco, tendemos a ser com os outros também.

    • Quantos de nós está insatisfeito com sua aparência física?
    • Ou com a dificuldade de apreciar a inocência de bichos e crianças?
    • Os que se acham pouco inteligentes, sérios demais, muito preocupados, e vivem alardeando seus “defeitos”?

    Esse olhar rígido sobre si dispara como uma flecha sobre os demais, ora para amenizar o que não gostam em si, ora para continuar se desqualificando:

    Exemplos que aparecem no dia a dia:

    • Olha lá como aquela mulher é horrível, nariguda! Como aquele sujeito é baixinho!” ou “Ah, já fez um monte de plástica, se eu pudesse também ficaria bonita
    • Credo, ela trata os bichos como se fosse gente! Ele mima demais os filhos!” Ou… “Acho tão legal essa dedicação com os animais. Não tenho jeito com crianças como ele tem.”
    • Aquele ali não está nem aí com a vida, não tem responsabilidade, só sabe dar risada!” Ou “Que maravilha poder rir o tempo todo, quisera eu…

    Ou mesmo os que se acreditam muito especiais:

    • Sou super organizada
    • Meu trabalho é perfeito
    • Sempre fui um bom filho
    • Nunca deixo de me cuidar
    • Minha alimentação é equilibrada
    • Meus filhos nunca deram trabalho
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    … recolhendo muitas justificativas para criticar (julgar) os outros por não terem as mesmas “qualidades”.

    Há muitos motivos por trás dos julgamentos, e eles são praticamente inevitáveis — mesmo quando achamos que estamos apenas emitindo uma opinião. O ponto de atenção: quando julgar impede ou atrapalha a vida de seguir, já não é só opinião: é um padrão que pede cuidado.

    Quando a crítica atua como barreira para a alma avançar?

    Quando a pessoa exagera na autocrítica, pode se perder da própria essência. A sede por perfeição faz enxergar apenas o suposto negativo.

    O resultado é um fardo pesado, repleto de frustrações por não se sentir suficiente em diversas áreas da vida.

    A autocrítica excessiva também contamina as relações: aumenta o rigor com o outro, reforça comparações e alimenta a ideia de que nada está bom.

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    O que perdemos ao julgar os outros

    Por causa desse juiz rigoroso interno, muitas vezes deixamos de nos aproximar de alguém que:

    • não tem um aspecto físico considerado “agradável”;
    • tem uma voz aguda;
    • se veste de um jeito “estranho”;
    • frequenta um bar “brega”;
    • às vezes fala “errado”;
    • tem um sotaque que eu “não gosto”.

    Perceba quantas barreiras se criam para evitar contato. Quando ousamos deixar o julgamento de lado e nos aproximamos, podemos descobrir pessoas maravilhosas:

    • aquela voz “enjoada” pode ensinar muito;
    • o jeito “errado” de falar pode revelar sensibilidade;
    • a aparência que causa estranhamento pode esconder uma amizade incrível.

    Tudo isso acontece quando conseguimos acalmar o juiz interior e deixar a vida fluir, acolhendo as surpresas que o espírito crítico e os preconceitos estavam impedindo de acontecer.

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    Como colocar o “juiz interior” no modo soneca

    Sem mudar o tom reflexivo do convite original, aqui estão passos simples para experimentar no dia a dia:

    1. Perceba o gatilho. Note quando a autocrítica aparece (em você ou sobre alguém). Nomeie: “isso é um julgamento”.
    2. Adie o rótulo. Em vez de carimbar “certo/errado” na hora, crie uma pausa: “não sei tudo sobre isso ainda”.
    3. Troque crítica por curiosidade. Pergunte-se: “o que posso aprender aqui?”
    4. Compare com gentileza. Se a comparação vier, faça com realismo e autocompaixão, não com dureza.
    5. Procure a nuance. Evite absolutos. Quase nada é “sempre” ou “nunca”.
    6. Acolha imperfeições. Lembre: imperfeições são humanas e frequentes — não exceções.
    7. Volte ao essencial. O que realmente importa nessa situação/ relação? Deixe isso guiar seu próximo passo.

    É um exercício diário e consciente. Prestar atenção nos pensamentos e perceber o que se perde ao buscar tanto rigor pode ser uma jornada rica de aprendizado e humildade.

    Vamos experimentar colocar o juiz no modo soneca e nos aproximar do que de fato importa?

    FAQ sobre autocrítica

    Autocrítica é sempre ruim?
    Não. Autocrítica saudável ajuda a ajustar rotas. O problema é o excesso, que gera perfeccionismo, frustração e afastamento.

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    Como diferenciar opinião de julgamento rígido?
    Opinião descreve preferências; julgamento rígido rotula pessoas/atos como “errados” sem contexto, fecha possibilidades e interrompe a convivência.

    O que fazer quando percebo que estou julgando alguém?
    Reconheça o pensamento, adie o rótulo e faça uma pergunta curiosa (“o que não sei sobre essa pessoa?”). Depois, escolha uma ação mais gentil.

    Autocrítica e perfeccionismo são a mesma coisa?
    Não exatamente, mas costumam caminhar juntas. Perfeccionismo mira um ideal inalcançável; a autocrítica excessiva cobra que você (e os outros) atinjam esse ideal o tempo todo.

    Celia Lima

    Psicoterapeuta holística com abordagem junguiana há mais de 30 anos e estudiosa de Psicologia da Saúde e Hospitalar. Utiliza os florais, entre outras ferramentas, como método de apoio ao processo terapêutico, como vivências xamânicas, buscando um pilar metafísico para uma compreensão mais ampla da vida, da saúde física e emocional.

    celiacalima@gmail.com

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