“Bem-estar é você gostar de você”, diz Thaís Fersoza

A atriz e apresentadora conversa com Boa Forma sobre a carreira, a sua relação com o corpo e o relacionamento com a família

Por Marcela De Mingo Atualizado em 6 Maio 2022, 10h54 - Publicado em 17 Maio 2022, 09h49

Aos 38 anos, Thaís Fersoza está realizada. Mãe de dois filhos, os pequenos Melinda e Teodoro, fruto do relacionamento com o cantor Michel Teló, a atriz e empresária reencontrou a sua paixão pela televisão em outro formato: como apresentadora. Na frente do “The Voice +”, da Globo, ela voltou ao ar e confessa ter, finalmente, encontrado aquilo que “enche os olhos”. 

Em entrevista à Boa Forma durante a sessão de fotos da marca de calçados Skechers, da qual é embaixadora, ela falou sobre a experiência, a sua relação consigo, a família e o marido e ainda compartilhou a sua definição de bem-estar – daquelas para anotar e praticar assim que terminar de ler!

Veja a seguir a nossa conversa:   

Como foi a experiência de co-apresentar o The Voice +? 

Thaís Fersoza: A experiência foi maravilhosa. Foi um sonho realizado, é uma alegria poder voltar para a emissora que me acolheu como atriz há 25 anos e, agora, me acolhe como apresentadora, me dando esse espaço, esse respeito, essa oportunidade, confiando mais uma vez no meu trabalho. 

Não poderia ter sido melhor e o programa é maravilhoso, é emocionante! O “The Voice +”, então, mexeu muito comigo, poder ver pessoas com mais de 60 anos vivendo, realizando, acreditando e buscando os seus sonhos. Foi realmente incrível. 

Há muito tempo eu venho me preparando para esse momento. Desde a minha gravidez da Melinda, a minha primeira gestação, eu sabia que ia ter que me ausentar da TV. Acabei emendando duas gestações, com o Teodoro, então, eu realmente precisei me afastar um pouco e fui buscando outras formas de me comunicar e de estar perto do meu público. Eu descobri que eu gostava muito de me comunicar, bater-papo, trocar ideias, experiências, e eu comecei com o meu canal no YouTube, o “Nasce uma mãe”, na época, que depois virou o canal Tatá Fersoza, compartilhando, trocando ideias, buscando seguir outro caminho e abrir uma nova vertente para a minha profissão. 

E qual foi o resultado desse trabalho todo?

Percebi que as pessoas também gostavam de se comunicar comigo e foi uma grande surpresa. Eu tenho uma gratidão imensa com o público que me aceitou também como eu sou. Eu percebi que as pessoas não gostavam só das personagens que eu fazia, mas também da pessoa por trás das personagens. E comecei a me dedicar bastante ao canal, fui estudando e praticando e cada vez mais aprendendo sobre apresentar, entrevistar, para me preparar para levar isso para a televisão. O momento chegou e eu estou muito grata, muito feliz e espero que seja só o começo de uma longa história. 

Eu sempre brinco que a gente pode ser o que a gente quiser, a gente tem que se dedicar, tem que estudar e batalhar por isso, então, apresentar é mais um braço da minha carreira, e é o que me faz feliz nesse momento. É estar mais perto do público, é ser eu mesma é trocar essa ideia, entrevistar e conhecer histórias e me comunicar diretamente com o público… Eu estou muito feliz! Que seja só o início dessa nova trajetória!  

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O que vem a seguir quando o assunto é carreira? 

Thaís: Eu fiquei durante muitos anos trabalhando como atriz, então, nesse momento, o que me enche os olhos, me causa frio na barriga, o que acelera o meu coração é apresentar. Eu quero me dedicar cada vez mais a isso, estudar cada vez mais, conquistar um espaço, o meu lugar… Eu venho estudando bastante, me dedicando muito e eu fiquei muito feliz com esse reconhecimento que eu tive agora com essa oportunidade incrível de poder co-apresentar o “The Voice +”, e é isso. A princípio, eu estou bem focada. Eu saí do meu canal e fui também para a televisão, eu espero que sejam os primeiros passos de uma longa história. 

Aliás, você atua em várias frentes: apresentadora, atriz, influenciadora, empresária… como você faz para equilibrar todos os pratinhos? 

Thais: Equilibrar todos os pratinhos só com muito amor, dedicação e muita disciplina. Muita. Eu sou muito disciplinada, muito focada nas coisas que eu faço e me entrego por inteiro. Eu não gosto do termo “Ah, eu me divido”. Não, eu não me divido, quando eu estou, eu estou, 100%, me dedico àquilo, eu gosto de ser assim. 

Hoje, por exemplo, eu estou numa locação, vim fazer a campanha da Skechers, que faz muito parte da minha rotina de exercícios. Skechers está sempre comigo e hoje, e facilita muito a minha vida, porque é aquele calçado que você pode usar com um vestido, uma calça, uma roupa de malhar… É tipo isso! Você tem que ter essas praticidades na vida também para conseguir organizar todos esses pratinhos. Tem que facilitar a sua vida e deixar de uma forma mais prática também. 

Mas o fato é que eu gosto disso, da dedicação, da entrega… Quando eu estou com as crianças, eu me entrego, eu me dedico à educação deles, sabe? então, para mim é importante, eu gosto de conseguir equilibrar esses pratinhos, de ser disciplinada a ponto de conseguir fazer as minhas coisas e também ser gentil comigo. Hoje, eu acabei não malhando, mas tudo bem, amanhã eu vou. Eu acho que também tem uma gentileza. Tem a disciplina, mas tem a gentileza com você. É se respeitar também. 

Considerando a sua rotina super agitada, como é a sua relação com os exercícios físicos e a alimentação, hoje? 

Thaís: É a melhor possível. Eu acho que me encontrei agora. Depois que eu tive as crianças, eu falei “eu vou precisar de um tempo para mim, me reconhecer, me reconectar comigo mesma, saber o que eu gosto, o que eu gosto de fazer, o que eu gosto de comer, como eu gosto de me vestir…”. Foi um reencontro comigo. Eu fiquei dois anos grávida.

A Melinda tinha 3 meses de vida e eu já estava grávida de um mês do Teodoro. E, agora, eu me encontrei. Eu gosto de fazer os meus exercícios, eu faço todo dia de manhã. Eu vou levar as crianças na escola e já vou com o meu tênis, o meu look, na volta eu vou malhar. Faço a minha atividade física e depois disso eu tomo um banho e começo o meu dia de produção, meu trabalho, meu corre. 

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Alimentação, eu tenho uma dieta equilibrada. Eu gosto do low carb, é o tipo de alimentação que eu gosto, que eu não faço como uma dieta imposta, mas como um lifestyle – o meu estilo de vida é comer assim. Eu não como açúcar, não como refinados, eu adoço com frutas, com a maçã em pó, uma coisa que eu descobri há pouco tempo e eu adoro. 

Eu fui descobrindo o que me fazia bem. Para o meu bem-estar, para o meu corpo, para o meu cabelo, para a minha pele e muito disso, confesso, não era só para o corpo, era para o meu mental. É como eu me sinto bem, eu gosto de saber que eu estou comendo uma coisa que me faz bem. Eu gosto de conhecer os alimentos, entender o que aquilo vai proporcionar para mim, onde aquilo vai afetar no meu corpo, no meu dia a dia, se eu vou estar mais bem disposta, se eu vou me sentir mais pesada, se eu vou dormir melhor… Eu fui, aos poucos, de 2018 para cá, adquirindo esse conhecimento e buscando com a ajuda de algumas pessoas. Começou com a Dra. Carla Delascio, que é a minha obstetra ginecologista, hoje eu estou com o Rodolfo Peres [nutricionista], o meu personal é o Januário Pinheiro e está sempre comigo me passando os treinos… Hoje em dia eu tenho praticado tênis, que eu gosto, estou indo para o beach tennis… Essa rotina saudável que me deixa mais leve, e isso foi se equilibrando junto com a alimentação, a atividade física, com a minha forma de me vestir. Foi uma transformação por inteiro, mas não foi de uma hora para a outra, isso veio acontecendo. Eu vim buscando chegar nesse momento. 

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Você sente que mantém uma boa relação com o espelho? Como é isso para você? 

Thais: A gente tem que se amar como a gente é. É de cada uma, você tem que se olhar no espelho e gostar de você. Eu sou muito contra modismos. Não existe o corpo ideal. O corpo ideal é o corpo saudável. É o corpo que a gente quer ter. Eu busco olhar no espelho e respeitar as minhas curvas, as minhas formas, as minhas duas gestações e tentar não louquear com isso. Olhar o meu corpo e aceitar como ele é. É claro que se eu puder fazer umas melhorias… Eu tenho um pouco de flacidez abdominal ainda, das gestações, eu faço os meus abdominais. Se você quer ajustar alguma coisa para você ficar feliz com você, eu acho ok. E não porque “eu acho que os outros devem estar achando, pensando…”, não. E eu me respeito muito. Muito. Eu fiquei bem acima do peso depois das duas gestações e eu super entendi que aquilo era um momento, uma fase, não para voltar ao corpo que eu tinha antes, mas voltar com o peso e as medidas com que eu me sinto confortável. Tinha horas que eu olhava no espelho e falava “Caramba, não sou eu, essa dimensão não é minha”, nas roupas, meu jeito de sentar, eu estava pesada, cansada, ofegante. Isso depois das gestações, o que é normal, e eu tive paciência de esperar a coisa acontecer. 

Nós estamos em 2022, eu tive filho em 2017, foi um processo. E isso é a maior prova de que tudo bem o que eu vejo no espelho, porque eu fui respeitando esse processo natural. Eu tive duas gestações, inclusive uma muito próxima da outra, vamos respeitar esse momento, vamos deixar o corpo entender, se entender, se reconectar e eu me respeito bastante. Normalmente eu olho no espelho e eu estou feliz com o que eu sei que eu posso ser, que eu estou sendo, que eu busco ser, porque, de verdade, tirando toda a parte romantizada da coisa eu acho que um corpo ideal é um corpo saudável e é isso que eu busco acima de qualquer coisa. Acima de qualquer coisa mesmo, que o meu corpo esteja saudável para eu viver nele. 

E o que você definiria como bem-estar?

Thais: Bem-estar é você estar bem com você, é você se aceitar como você é, com as suas imperfeições, peculiaridades, com as suas dificuldades, com as suas coisas positivas também. Eu acho que bem-estar é você olhar no espelho e estar feliz com você. Eu acho que as pessoas se olham no espelho e não se enxergam, só dá aquela passada… Sabe quando você olha no espelho, no seu olho e fala “Tá tudo bem”. Isso vai muito da sua entrega, eu sou muito de me entregar, dedicada, focada, e isso resvala nessa questão do bem-estar. Bem-estar é quando você olha no espelho e fala “Tá tudo bem”. Quando você se respeita, quando você curte você, sabe? E uma coisa que é uma busca bem constante para mim, que é você ser uma pessoa melhor. Eu venho buscando bastante isso, e eu sempre falo que não é para os outros é para ser melhor comigo mesma, ser gentil comigo, ser boa para mim, porque, consequentemente, eu vou ser boa pros outros. Eu acho que isso tudo é uma junção de bem-estar. Esse lifestyle, é o tipo de comida que você come, o tipo de roupa que você veste, o exercício que você faz, é um conjunto. 

A sua família com certeza tem um papel bem importante nisso, certo? Como é a relação de vocês? 

Thais: A gente é bem próximo, tanto eu com a minha família, meu pai, mãe e irmã, quanto com o Michel e as crianças, quanto com a família do Michel. A gente tem uma relação muito próxima, de gostar de se ver, se visitar, de estar junto. Não é aquela coisa de “Ih, juntou vai dar confusão!”. Não, é o contrário, a gente se esforça para estar junto, e dedica para isso, a gente se impulsiona. Nós somos, tanto o casal, quanto a família como um todo, pessoas que buscam incentivar um ao outro, enaltecer um ao outro, apoiar e jogar junto. Eu gosto muito da coisa do jogar junto, do “Cara, vambora? Vambora!”, do apoio mesmo. Isso é fundamental. Claro que é muito do que cada um faz para si, mas você ter uma pessoa do teu lado que te impulsiona que te ampara, enaltece, que joga junto com você, isso muda tudo, né? 

Dá pra perceber que você tem uma relação bem boa com os seus filhos mesmo… você sente que em algum momento “aprendeu” a ser mãe? Quem são as suas referências, nesse sentido? 

Thais: Eu acho que a gente aprende a ser mãe sendo. Eu escrevi um livro sobre maternidade, mas muito em cima das minhas experiências, não ditando nenhum tipo de regra, mas como uma rede de apoio, compartilhando a experiência. Eu acho que ser mãe é no dia a dia. É claro que a gente lê bastante coisa, é legal a gente se instruir de coisas mais teóricas, mas eu acho que aquele feeling de mãe, aquele instinto maternal é muito seu, que você descobre sendo. 

Eu tenho uma referência maravilhosa: a minha mãe, que é a minha amiga, minha melhor amiga. A gente tem um limite certo entre ser mãe e ser amiga, é aquela mãe que tá ali para todas as horas e aquela amiga com quem você pode contar, então, eu acho que esse equilíbrio entre a amizade e a maternidade é muito importante, eu sei muito bem quando a minha mãe tá mãe, quando a minha mãe tá amiga… E é uma delícia poder curtir as duas coisas. 

Eu tenho uma relação com as crianças maravilhosa, a gente criou uma relação de muita cumplicidade, de muita confiança, eu sempre abaixei para falar olho no olho, eu nunca deixei perguntas para depois, eu sempre paro e converso. Eu sempre digo que eu sou incansável – o Michel usa muito esse termo, “A Thaís é incansável na educação das crianças” – e eu sou mesmo. É uma coisa que eu tenho orgulho de ser e, pra mim, é muito natural, é da minha personalidade. A gente – nós quatro, eu, Michel e as crianças – tem um time forte. 

A gente ficou durante muito tempo na pandemia, meses e meses, sem ajuda de ninguém dentro de casa, nem de rede de apoio, nem de pais, nem de ninguém, e a gente só se fortaleceu com isso. Eu tenho muito comprometimento com a maternidade, em fazer que as crianças sejam boas pessoas para o mundo, que sejam respeitosas, amorosas, generosas. E que, ao mesmo tempo, estejam preparados para encarar o mundão aí fora. As pessoas costumam dizer “Você é preocupada?”, não, eu sou atenta. Eu sou muito atenta a educação deles. 

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E a sua relação com o Michel? Vocês parecem ser muito próximos… Rola bastante conversa, troca, parceria? 

Thais: Eu e o Michel, além de casados, a gente é muito amigo, muito parceiro, joga muito junto, torce muito um pelo outro, batalha junto, celebra junto as conquistas e troca muita ideia profissional, pessoal… É muito gostoso. 

Um relacionamento tem que ter muita cumplicidade. Junto com a admiração, são coisas que fazem com que mantenha aquela chama, aquela coisa gostosa, aquele frio na barriga e, mais uma vez, a palavra “atento”. E a gente está sempre muito comprometido e atentos a isso, a não deixar isso se perder. Isso é muito importante para um relacionamento. 

Desde quando a gente começou a namorar, a gente sempre quis muito que desse certo. Eu estava gravando novela no Rio, ele morava em São Paulo, mas viajava o mundo todo, a logística era muito difícil. Mas a gente sempre quis que desse certo. Esse querer fazer dar certo é uma coisa que ajuda. Quando você quer que dê certo, você faz com que dê certo. Eu acho isso muito importante. Ter essa cumplicidade, essa troca, esse querer. E manter isso é uma arte. Nós estamos juntos há dez anos, temos dois filhos, corres de trabalho, mas é gostoso. É fruto disso, desse querer dar certo, dessa cumplicidade, essa troca, essa admiração… Isso constrói e mantém um relacionamento. 

 

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