Quem usa caneta emagrecedora pode beber álcool? Médica explica os riscos

Descubra os riscos de combinar álcool com canetas emagrecedoras e entenda mitos e verdades sobre esses medicamentos

Por Maraísa Bueno 18 set 2026, 16h00 | Atualizado em 22 set 2026, 11h39
Pessoa com camisa clara e calça branca aplicando uma injeção subcutânea na barriga, segurando a seringa com uma mão e pinçando a pele com a outra
Quem faz uso de caneta emagrecedora pode ingerir bebida alcoólica? (Pessoa com camisa clara e calça branca aplicando uma injeção subcutânea na barriga, segurando a seringa com uma mão e pinçando a pele com a outra/Magnific)
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Nos últimos meses, as canetas emagrecedoras ganharam destaque em diversos debates relacionados à manutenção na alimentação e rotina saudável vem à tona, principalmente por quem busca por emagrecimento rápido. São diversas dúvidas a respeito de quais hábitos adotar enquanto utiliza o produto. Entre eles, o consumo de bebida alcoólica

Quem faz uso de caneta emagrecedora pode ingerir bebida alcoólica?

A Dra. Mariana Comério, médica nutróloga, referência em Terapia Nutricional Injetável e implantes hormonais, com ampla atuação nas áreas de emagrecimento, saúde da mulher, regulação Hormonal e envelhecimento saudável, responde:

“Não é recomendado o consumo de bebida alcoólica durante o uso de canetas emagrecedoras”.

De acordo com a profissional, esses medicamentos reduzem a motilidade gastrointestinal e retardam o esvaziamento gástrico.

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Com isso, o álcool pode permanecer por mais tempo no organismo e seu efeito pode ser potencializado, aumentando a possibilidade de mal-estar mesmo com uma quantidade que anteriormente era bem tolerada.

Quem usa caneta emagrecedora precisa mudar a alimentação?

Dependendo da quantidade ingerida, também podem surgir sintomas como náuseas, refluxo, queimação, sensação de estômago muito cheio, gastrite, diarreia e desidratação.

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“Em situações de consumo elevado, pode haver ainda alteração do estado neurológico, principalmente porque o organismo pode responder ao álcool de uma maneira diferente durante o tratamento”, explica.

Dra. Mariana ainda ressalta que existe uma questão importante relacionada ao próprio objetivo da terapia. “O tratamento da obesidade não envolve apenas a perda de peso, mas também mudanças de comportamento e de estilo de vida, incluindo os hábitos alimentares e o consumo de álcool”, ressalta.

Com ou sem canetas, álcool atrapalha qualquer processo de emagrecimento

O principal ponto negativo é que o álcool pode dificultar o processo de emagrecimento.

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Para a médica nutróloga, além de fornecer calorias, ele pode favorecer escolhas alimentares menos adequadas e comprometer mudanças de hábitos que fazem parte do tratamento.

“No caso de quem utiliza canetas emagrecedoras, os efeitos gastrointestinais e a alteração na velocidade do esvaziamento gástrico podem tornar a ingestão de álcool ainda mais desconfortável”, destaca.

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Riscos do álcool no organismo de quem está em processo de emagrecimento são muitos

Potencialização dos efeitos do álcool, maior mal-estar, ressaca mais intensa, desidratação, refluxo, queimação gástrica, gastrite e diarreia…esses são alguns dos riscos apontados pela Dra. Mariana.

“Por isso, não existe um benefício específico em associar bebida alcoólica ao tratamento com canetas emagrecedoras”, disse a profissional.

Por outro lado, algo que temos observado na prática e que também vem sendo relatado em estudos é que algumas pessoas em tratamento passam a ter menor tolerância à bebida.

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Elas relatam não conseguir consumir a mesma quantidade de antes e, com isso, acabam reduzindo espontaneamente a frequência e o volume ingerido, passando, por exemplo, de um consumo diário para ocasiões pontuais, como os fins de semana.

“Nesse sentido, o possível ganho não está na bebida alcoólica em si, mas na mudança de comportamento que pode acontecer durante o tratamento. A redução do consumo pode representar uma mudança de hábito positiva e coerente com a proposta de promover não apenas emagrecimento, mas também mais saúde e qualidade de vida”, finaliza.

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5 mitos e verdades sobre canetas emagrecedoras que todos precisam saber

E muitos mitos e verdades sobre canetas emagrecedoras surgiram. Pensando nisso, a Dra. Karla Bandeira, médica endocrinologista e consultora científica da Voy, empresa de gestão de saúde com foco em assistência farmacêutica, lista os seis deles. Confira:

1

“As canetas emagrecedoras funcionam para qualquer pessoa”

Mito: Esse é um dos equívocos mais comuns e potencialmente perigosos. Esses medicamentos não são indicados para uso indiscriminado. Sua prescrição deve ser individualizada e baseada em critérios clínicos bem estabelecidos, como obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. O uso deve sempre ocorrer sob avaliação e acompanhamento médico.

2

“Não é necessário fazer dieta e exercício”

Mito: Embora os análogos de GLP-1 sejam eficazes, os melhores resultados ocorrem quando o tratamento medicamentoso é associado à mudança de estilo de vida, incluindo reeducação alimentar, atividade física e acompanhamento multiprofissional. O medicamento não substitui esses pilares, ele atua como ferramenta terapêutica complementar.

3

“Não têm efeitos colaterais”

Mito: Como qualquer medicamento, podem ocorrer efeitos adversos. Os mais comuns são náuseas, vômitos, constipação, diarréia e desconforto gastrointestinal, especialmente no início do tratamento. Em geral, são transitórios e manejáveis quando há acompanhamento adequado. O uso sem supervisão médica aumenta o risco de complicações.

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4

“São medicamentos que podem ser usados para tratar outras doenças ”

Verdade: Esses medicamentos foram aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Alguns já vêm sendo utilizados também para outras condições associadas à obesidade, sempre com avaliação e acompanhamento médico individualizado.

5

“Podem levar à perda de peso significativa”

Verdade: Estudos clínicos robustos demonstram reduções expressivas de peso corporal em pacientes elegíveis. No entanto, a magnitude da resposta varia entre indivíduos e depende de fatores como adesão ao tratamento, dose utilizada, perfil metabólico e mudanças sustentadas no estilo de vida.

6

“O peso pode voltar após parar o uso”

Verdade: A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. A interrupção do tratamento, especialmente sem manutenção das mudanças de hábitos, pode levar ao reganho de peso. Por isso, o seguimento médico contínuo é fundamental para definir a duração adequada da terapia e estratégias de manutenção.

“É notório que esses medicamentos representam uma mudança relevante no tratamento da obesidade e especialistas consideram um avanço importante na abordagem farmacológica da obesidade. Ainda assim, eles não eliminam a necessidade de políticas públicas e estratégias preventivas, focando sempre em saúde e bem-estar de maneira individualizada”, explica Karla Bandeira.

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