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Comer pouco demais pode travar seus resultados?

Existe um limite entre restrição e progresso, e ele nem sempre é óbvio

Por Helena Saigh
2 fev 2026, 20h00 •
Comer pouco
Em alguns casos, comer pouco demais faz o corpo desacelerar, compromete o treino e dificulta a perda de gordura. (freepik/Freepik)
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  • Reduzir calorias costuma ser o primeiro movimento de quem quer emagrecer ou definir o corpo. Mas, quando essa redução é excessiva ou prolongada, o efeito pode ser o oposto do esperado. Em vez de acelerar os resultados, comer pouco demais pode desacelerar o metabolismo, prejudicar o treino e dificultar a perda de gordura.

     

    Esse fenômeno é conhecido como adaptação metabólica e já foi amplamente observado tanto em estudos internacionais quanto brasileiros.

    O corpo entra em modo de economia

    Quando a ingestão energética fica muito abaixo do necessário por longos períodos, o organismo reage para garantir sobrevivência. Ele passa a gastar menos energia em repouso, reduz processos considerados não essenciais e ajusta a produção hormonal.

    Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) e publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte mostrou que dietas hipocalóricas severas levam à redução da taxa metabólica de repouso, mesmo após a perda de peso inicial. Ou seja, o corpo passa a queimar menos calorias para realizar as mesmas funções.

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    Hormônios também entram nessa conta

    Além da queda no gasto energético, a restrição alimentar excessiva interfere em hormônios ligados ao apetite, à saciedade e ao metabolismo. Pesquisas do American Journal of Clinical Nutrition mostram reduções em leptina e alterações em hormônios tireoidianos durante dietas muito restritivas, o que impacta diretamente a capacidade do corpo de continuar emagrecendo.

    Em estudos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mulheres submetidas a dietas muito restritivas apresentaram alterações hormonais associadas à maior fadiga, menor disposição e dificuldade de manutenção do peso perdido.

    Impacto direto no treino e na massa magra

    Treinar exige energia. Quando ela falta, o corpo encontra outras fontes e o músculo pode acabar entrando nessa conta. Uma revisão publicada no Journal of the International Society of Sports Nutrition aponta que déficits calóricos agressivos aumentam o risco de perda de massa magra, especialmente quando combinados com alto volume de treino.

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    Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) observaram que indivíduos em dietas muito restritivas apresentaram pior recuperação muscular e queda de desempenho, mesmo mantendo a rotina de exercícios.

    Comer menos não é comer melhor!

    Estar em déficit calórico não significa comer pouco demais. Estudos publicados no Sports Medicine mostram que déficits moderados, com ingestão adequada de proteínas e carboidratos, são mais eficientes para perda de gordura e manutenção da massa magra do que cortes extremos.

    Na prática, comer pouco demais pode gerar um ciclo de estagnação: o corpo gasta menos, o treino rende menos e os resultados param.

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    Emagrecer sem passar fome é possível?

    Quando aumentar pode ajudar

    Em muitos casos, aumentar levemente a ingestão energética de forma planejada ajuda a restaurar o desempenho, melhorar a recuperação e reativar o processo de adaptação ao treino. Não se trata de comer sem controle, mas de alinhar alimentação e demanda fisiológica.

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