Será que você é um comprador compulsivo?

Conhecida como oniomania, o ato de comprar de maneira desenfreada pode causar diversos danos financeiros e sociais

Por Amanda Ventorin Atualizado em 13 jan 2022, 13h14 - Publicado em 17 jan 2022, 10h00

Quando compramos algo, a sensação de satisfação é instantânea, afinal, como não ficar feliz depois de adquirir aquela roupa que você estava querendo há tempos? Apesar de ser uma experiência positiva para muitos (mas não para a fatura no final do mês) e ser romantizada pela cultura pop exaltando personagens como Carrie Bradshaw (Sex and the City) ou Cher (As Patricinhas de Bervelly Hills) cerca de 8% da população mundial compra de modo compulsório, afetando não apenas sua vida financeira, como social também.

Conhecida como oniomania, a doença pode estar ligada a diversos fatores, desde o vício pela sensação que comprar representa até mesmo alterações enzimáticas. “A oniomania também pode estar relacionada a desregulamento de neurotransmissores de dopamina e serotonina, por isso é fundamental a avaliação de um médico psiquiatra”, explica Marilene Kehdi, psicóloga. Além disso, a profissional conta que muitas pessoas com depressão podem comprar compulsivamente, como uma forma de amenizar a dor. “É como se fosse uma válvula de escape para esse sofrimento”, finaliza.

Como saber se sou um comprador compulsivo?

Se você já está repensando todo o seu consumo, há alguns padrões de comportamento que podem indicar a oniomania e que você deve ficar atento:

1- Você está sempre refém do cartão de crédito

Pessoas que fazem compra compulsivamente não medem os seus gastos. Por isso, é muito comum que acabe estourando o limite do cartão, levando a um ciclo vicioso: a pessoa acumula dívidas, solicita outros cartões, e acaba se endividando neles também, pois não consegue controlar o desejo de comprar.

2- Você esconde suas compras de familiares e amigos

Voltou para casa com aquela compra escondida na bolsa? Muitos compradores compulsórios, mesmo não conhecendo a doença pelo nome, sentem vergonha de suas aquisições, já que gastar demais (e além do que se tem) é visto de maneira negativa. Por isso, eles possuem o hábito de esconder os objetos com medo do julgamento.

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3- A vontade de comprar aumenta em momentos estressantes

Como Marilene Kehdi explicou, o ato de comprar se torna uma válvula de escape para o indivíduo. Sentimentos como tristeza, estresse, cansaço, nervosismo ou ansiedade podem despertar um desejo por compras como forma de aplacar os mesmos, pois o ato da compra traz uma sensação de euforia imediata.

4- A frustração volta assim que você sai da loja

A euforia que vem com a compra logo é substituída por sentimentos negativos como culpa, decepção e a frustração. Pensamentos como “por que eu fiz isso?” e arrependimento são comuns, mas não impedem que a pessoa volte a fazer compras em outros momentos.

5- Você recorre a empréstimos

Mesmo endividado e sem dinheiro, o comprador compulsivo não quer parar de fazer compras. Por isso, recorre a empréstimos com amigos e familiares, e até mesmo a empréstimos bancários, para continuar bancando o vício.

Formas de tratamento

O tratamento é a base da psicoterapia, terapia cognitivo comportamental e também de acompanhamento psiquiátrico que pode ser de grande ajuda  no controle desse comportamento e até mesmo no encontro da possibilidade de cura da doença. Mas além disso, é importante também ter um acompanhamento – e controle financeiro.

Segundo André Barretto, fundador e CEO da plataforma de orientação financeira n2 app, o planejamento pode ajudar a visualizar melhor o quanto se ganha e o quanto se gasta, ajudando na consciência financeira. “Quando tomamos consciência e conseguimos organizar os valores que gastamos e os que recebemos, melhoramos a nossa relação com o dinheiro. A orientação financeira é uma ferramenta importante para que as pessoas tenham cada vez mais discernimento, evitem gastos supérfluos e consigam poupar e quitar as dívidas acumuladas”, explica. “É importante ressaltar que, no caso de compradores compulsivos, o planejamento financeiro, sozinho, não é suficiente. O acompanhamento terapêutico profissional é indispensável”, finaliza Barretto.

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