O que é a ‘epicondilite lateral’ e como evitá-la nos treinos
A dor na parte externa do cotovelo pode estar relacionada à sobrecarga dos tendões do antebraço, inclusive durante a musculação
Apesar de ser conhecida popularmente como “cotovelo de tenista”, a epicondilite lateral não aparece apenas em quem pratica esportes com raquete. Musculação, CrossFit e até atividades cotidianas que exigem movimentos repetitivos das mãos e dos punhos também podem favorecer o problema.
A condição costuma provocar dor na região externa do cotovelo e pode tornar desconfortáveis movimentos aparentemente simples, como segurar um objeto, girar uma maçaneta ou apertar a mão de alguém.
O que é a epicondilite lateral?
A epicondilite lateral está relacionada à sobrecarga dos tendões dos músculos extensores do antebraço, especialmente na região em que eles se conectam à parte externa do cotovelo.
Apesar do final “ite” normalmente indicar inflamação, o quadro não é considerado simplesmente um processo inflamatório. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Ortopedia descreve alterações degenerativas do tendão associadas à sobrecarga repetitiva, principalmente envolvendo o extensor radial curto do carpo.
Além da dor, podem aparecer sensibilidade local e redução da força de preensão.
Por que ela pode aparecer durante o treino?
Exercícios que exigem segurar barras, halteres ou outros equipamentos recrutam constantemente a musculatura do antebraço. O problema pode surgir quando essa demanda supera a capacidade de recuperação do tecido.
Carga excessiva, aumento muito rápido do volume e movimentos repetitivos estão entre os fatores envolvidos. A posição do punho também merece atenção. Uma revisão publicada no Journal of Manual & Manipulative Therapy, mostrou que mudanças na posição do punho interferem na força de preensão e na atuação da musculatura envolvida.
A intensidade da pegada também pode fazer diferença. Um estudo publicado no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, identificou alterações na ativação dos músculos do antebraço conforme a força empregada na preensão.
Como diminuir o risco durante os exercícios?
Não existe uma estratégia capaz de garantir que a epicondilite nunca apareça, mas alguns cuidados ajudam a controlar a sobrecarga.
Manter o punho em uma posição confortável e estável, utilizar cargas que permitam executar corretamente o movimento e evitar aumentos bruscos de peso ou volume são bons pontos de partida. Também não é necessário apertar barras e halteres com mais força do que o exercício exige.
O fortalecimento progressivo dos músculos do antebraço também pode fazer parte da prevenção. Uma revisão sistemática sobre o tratamento fisioterapêutico da epicondilite lateral, disponível no PubMed, encontrou resultados favoráveis para intervenções com exercícios, incluindo fortalecimento e alongamento dos extensores do punho.
E se o cotovelo já estiver doendo?
Sentir dor persistente na parte externa do cotovelo não é motivo para simplesmente continuar treinando e esperar que passe. Também não significa necessariamente que seja preciso abandonar toda atividade física.
A conduta depende da causa e da intensidade dos sintomas. Se a dor persistir, piorar durante os exercícios ou vier acompanhada de perda de força, é importante buscar avaliação de um médico ou fisioterapeuta. A partir do diagnóstico, carga, exercícios e volume podem ser adaptados durante a recuperação.





