Beleza

Esfoliantes ácidos para o rosto: as vantagens e os perigos do produto

Os produtos, queridinhos dos dermatologistas, caíram no gosto da turma das redes sociais. Mas qual é o risco de usar o ácido sem a orientação profissional?

por Amanda Ventorin Atualizado em 6 abr 2021, 21h40 - Publicado em
7 abr 2021
09h00

No ano passado, as pesquisas por esfoliantes ácidos para o rosto dispararam após viralizar nas redes sociais – principalmente no TikTok – com a avaliação e resultados dos usuários da rede. O produto é indicado há anos pelos dermatologistas e promove a renovação das células da pele. Atua diretamente no tratamento de manchas, flacidez e rugas de maneira eficaz, mas nem tudo é um mar de rosas. Existem relatos de reações negativas na pele. É o caso de  Aurora Garcia, de 20 anos, que decidiu utilizar esfoliante ácido após ver relatos em suas redes e acabou desenvolvendo impetigo (infecção bacteriana superficial da pele). Afinal, esfoliantes ácidos são os melhores?

O que são esfoliantes ácidos e quais seus tipos?

Conhecidos há tempos entre a comunidade dermatológica e altamente indicados, os esfoliantes ácidos são uma das opções para renovação das células da pele. Possuem pH menor que 7 e são considerados esfoliantes químicos (ou seja, não possuem aqueles granuladinhos  que estamos acostumados de esfoliantes físicos faciais) acelerando o processo natural da renovação da camada mais superficial da pele por meio da descamação. Essa remoção da superfície, juntamente com a penetração do ácido, causa uma reação inflamatória que colabora para a síntese de colágeno e a reparação tecidual, deixando a pele com mais maciez, brilho e viço.

Existem vários tipos de ácidos, para diferentes finalidades, e que variam na intensidade de penetração na pele. “O ácido glicólico é muito usado para rejuvenescimento, renovação celular e clareamento. O acido salicílico para peles com acne e oleosidade. O mandélico para peles manchadas e oleosas. O ácido lático para renovação celular, rejuvenescimento e peles acneicas” informa a dermatologista Natasha Crepaldi

A intensidade da penetração na pele depende do tamanho de suas estruturas. Quanto maior for a estrutura molecular, mais “suave” será o efeito em contato com a pele. “Se você tem uma pele super sensível, um ácido mandélico pode ser a melhor opção para você. Ele possui uma estrutura molecular maior que outros ácidos, como glicólico e salicílico, por isso não penetra tão profundamente”, explica o dermatologista André Braz.

Já o ácido glicólico é uma das menores moléculas da família dos alfa hidroxiácidos. Na prática, isso significa que ele é solúvel em água e penetra profundamente na pele. Trata-se de uma fórmula de alto impacto que é excelente para agir contra o envelhecimento da pele e acne. O ácido lático é de origem animal e sua principal função é esfoliante, ou seja, ele remove as células mortas da pele promovendo uma pele mais lisa e jovem. Quando falamos dele, saiba que tem peso molecular intermediário, o que significa que não penetra tão profundamente nas camadas da pele. Ainda tem a capacidade umectante, retém moléculas de água – e é indicado para uma pele mista, por exemplo” continua o profissional. “Já o ácido salicílico é um beta hidroxiácido de ação queratolítica e anti-inflamatória. Em termos simples,  promove uma esfoliação suave e a redução do processo inflamatório (causa descamação suave na pele), auxilia na diminuição da produção de sebo, diminui as imperfeições da acne, desobstrui os poros e melhora a textura da pele e é indicado para peles oleosas e acneicas.”

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Benefícios do esfoliante ácido e como usar

Você já deve estar se perguntando: onde eu arrumo um desses para já?! Eu sei, mas vamos com calma…

O esfoliante ácido precisa ser indicado pelo médico, após uma avaliação. “Esfoliantes não são indicados para todos os tipos de pele, pois peles secas e sensíveis sofrem com a remoção da superfície, da barreira cutânea provocada pelos esfoliantes. Portanto, além de avaliar o tipo de pele, o dermatologista deve avaliar os hábitos e rotina do paciente para indicar ou não esfoliantes e se indicar, dizer qual a melhor opção, frente ao diagnóstico da pele”, explica a dermato Natasha.

Além disso, cada ácido tem o período do dia certo para ser aplicado. Alguns, como o retinóico, precisam ser usados à noite por conta do sol. Já o ácido hialurônico pode ser usado de dia. “E jamais esquecendo o protetor solar na skincare diurna e evitar a exposição ao sol” reafirma Ana Carolina. 

O produto também não se deve ser usado diariamente, “O ideal é começar usando uma vez na semana e ir aumentando para até no máximo três vezes durante a semana, mas sempre se atentando para qualquer sinal de reação na pele ou sintoma” aconselha a dermatologista Priscila Camara de Camargo.“Se usados corretamente e sem nenhum dano para a pele, respeitando o uso por três vezes na semana, pode seguir o tratamento por até três meses seguidos.”

A doutora Bomi Hong explica que, diferentemente dos esfoliantes físicos, que precisam ser esfregados na pele em movimentos circulares, os esfoliantes ácidos são apenas aplicados na pele. É como se fosse passar um creme e permanecer por tempo variado até agir e ser removidos com produtos de higienização hidro ou lipossolúvel, conforme cada caso. 

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E os riscos da esfoliação com ácido?

Vale lembrar: é importante consultar um dermatologista antes de ir fundo com a esfoliação ácida por diversos motivos e um deles é seu tipo de pele. Apesar dos seus diversos benefícios, esses ácidos poderosos podem acabar irritando sua pele mais do que ajudando. ” Os esfoliantes ácidos podem, se usados de forma inadequada, agredir a barreira da pele causando irritação e inflamação. Esses dois fenômenos podem ‘queimar’ a pele e se não tratados adequadamente podem provocar manchas e até cicatrizes” alerta Bomi Hong, dermatologista.

“O ácido retinóico pode causar má formação fetal. Mulheres que estão grávidas ou que pensam engravidar, não podem usar esse ácido de forma alguma” informa a dermatologista Ana Carolina Sumam “Algumas substâncias são classificadas como teratogênicas e elas podem causar má formação durante a embriogênese. E o ácido retinóico é teratogênico e pode causar danos ao feto que está em formação.”

Durante o uso do esfoliante ácido, o protetor solar vai virar seu melhor amigo. Alguns ácidos podem deixar a pele mais sensível ao sol, por estar sensibilizada e suscetível a manchas de sol. “Por exemplo, a paciente pode estar tratando uma mancha com o ácido para clarear e se não tomar os cuidados, pode causar um dano permanente, piorando a mancha”, explica Ana. “A recomendação do filtro solar é válida também para usar em casa, pois não é só a luz solar ou o calor que podem afetar a pele, mas a luz azul de eletroeletrônicos, como computador ou celular, podem contribuir para surgir manchas na pele. Principalmente de quem faz tratamento com ácidos.”

E se você costuma aproveitar bem o seu verão, se expondo ao sol por várias horas para atualizar o bronze, os dermatologistas não indicaram escolher essa fase do ano para começar a esfoliação com ácido. É claro que isso varia de pessoa para pessoa durante a estação mais quente do ano. Se você se banhar com a luz solar de maneira equilibrada ou mínima, muito provavelmente o tratamento não trará problemas.

Não se esqueça de consultar um profissional antes de utilizar esses produtos!

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The Ordinary, Ácido Hialurônico 2% + B5

ácido lático

The Ordinary, Ácido Lático 10% + HA 2%

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Esse especial faz parte da edição de abril de 2021 de Boa Forma,
que traz a ex-ginasta olímpica e influenciadora esportista Daiane dos Santos em sua capa.
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