Movimento

Saia da mesmice: 2 modalidades nada convencionais para experimentar

Conheça a aula de circo e a de afrodança brasileira

por Amanda Panteri | Animação de Matheus Wohlenberg Atualizado em 14 set 2020, 11h46 - Publicado em 11 set 2020 09h00

O calendário já marca setembro — aproximadamente seis meses desde que a pandemia de COVID-19 chegou ao Brasil e trouxe consigo a necessidade do isolamento social. Agora, nada mais parece ser novidade: o dia a dia dentro de casa se tornou tedioso e desgastante, e a vontade de fazer algo diferente cresce a cada dia. O problema é que as opções estão limitadas. 

“A monotonia do novo contexto pode induzir quadros emocionais que precisam ser cuidados. A não-socialização está afetando emocionalmente desde crianças até idosos, desenvolvendo sintomas como insônia, perda de memória, dores de cabeça frequentes, perda da atenção e concentração, fadiga, crises de enxaqueca, estresse, cansaço, aumento da ansiedade, crises de pânico e depressão”, explica a psicóloga Fernanda Meira, do Hospital Anchieta de Brasília.

-
Henrik Sorensen/Getty Images

De acordo com a especialista, os neurotransmissores dopamina, serotonina e adrenalina (substâncias químicas produzidas pelos neurônios) precisam ser estimulados no nosso cotidiano para que possamos minimizar e até acabar com o tédio e outros sentimentos desagradáveis. Afinal, quando eles entram em ação, ajudam a regular o humor e contribuem para a liberação de hormônios que trazem bem-estar e felicidade. 

O desafio é uma das maneiras de instigar os neurotransmissores que ajudam a regular o humor

Mas como fazer isso? Com atividades que nos desafiam e nos tiram da nossa zona de conforto. “O desafio é uma das maneiras de instigar os neurotransmissores. Considero sempre uma forma de motivação para as pessoas que não estão conseguindo se adaptar ao período de quarentena”, afirma Fernanda Meira. 

Veja abaixo duas modalidades físicas que vão te tirar da zona de conforto:

Continua após a publicidade

Modalidades nada convencionais: aulas cincenses

Os pequenos parecem sempre abertos a experimentar coisas novas. Amam se aventurar e colocar o senso de curiosidade para funcionar, não é? Mas quem disse que nós não podemos trabalhar esse nosso lado? “Com o circo, eu vejo pessoas aprenderem o que eles jamais imaginaram serem capazes de fazer, é lindo. Não há pressão de tempo, e muito menos lógica de competição”, diz a acrobata aérea profissional e formada em educação física Daniela Helena Calça.

Junto com o técnico em segurança do trabalho e também artista Fausto Henrique de Oliveira, Daniela comanda a Cia Corpo Mágico  (@ciacorpomagico) desde 2003. Além de aulas de atividades circenses, eles promovem espetáculos, oficinas e eventos corporativos.

-
Henrik Sorensen/Getty Images

Ela conta que as sessões que buscam promover a arte do circo são divididas em modalidades principais. Veja alguns exemplos:

  • Acrobacias: podem ser realizadas com o próprio corpo (como estrelas ou pontes), em duplas, em grupos ou com equipamentos (trampolim, cama elástica). Há ainda as feitas no ar, como tecido, trapézio e mastro chinês;
  • Equilíbrio: tanto do corpo sobre um objeto (perna de pau, bola, arame ou rola-rola), quanto de objetos sobre o corpo (prato chinês e bastões);
  • Manipulação: aqui entra o malabarismo;
  • Encenação: diz respeito aos atos e esquetes promovidos nos espetáculos.

É por isso que a atividade pode ser tão completa. “Melhora o condicionamento físico, a flexibilidade, o lado artístico e o autoconhecimento. A pessoa consegue entender os limites do próprio corpo e conhecer o que gosta ou não. Sem contar que ganha mais confiança.”

Apesar de já terem voltado a atender presencialmente, a acrobata explica que dá para adaptar as sessões com objetos simples. “No malabarismo, por exemplo, dá para começar com sacolas plásticas, que demoram mais para cair e você consegue dominar o movimento. Depois, vale evoluir para meias enroladas em formato de bolas, ou até almofadas”, afirma.

Ela compartilhou com exclusividade para a BOA FORMA uma aula de acrobacias para iniciantes, para fazer em dupla e em casa. Coloque o vídeo na tv de casa e experimente!

Treino de acrobacias em dupla

Continua após a publicidade

Dança Afrobrasileira

“Exercícios que trabalham o lado lúdico são bem-vindos pois estimulam uma área cognitiva muito relevante: a criatividade. Pinturas, desenhos, artes plásticas, encenação (teatro) e dança proporcionam o desenvolvimento do cérebro e movimentam o corpo”, diz Fernanda.

E para ativar ainda mais esse lado, esqueça a contagem de passos (até 8) da dança ocidental. Na verdade, é preciso deixar de lado muitos conceitos que nos são ensinados desde pequenos para uma sessão de dança afrobrasileira. “Não tratamos a aula apenas como um exercício para o corpo, e sim como uma manifestação dessa cultura tanto na esfera da tradição, quanto no contexto contemporâneo e urbano — de que modo a percussão, por exemplo, dialoga com o rap e o funk”, afirma a professora Gabriela Marques, da Cia Cambona (@ciacambonaoficial).

Gabriela foi uma das fundadoras da Companhia que nasceu em 2014 e oferece aulas na Casa Jaya, localizada no bairro Pinheiros, em São Paulo. Mas o grupo, na verdade, se reúne desde 2007 para também desenvolver pesquisas a respeito do assunto através de narrativas orais e referências acadêmicas.

-
Tara Moore/Divulgação

A atividade, de 1h30 de duração, acontece uma vez por semana (agora em encontros online toda terça-feira à noite por conta da quarentena). Nela, a dança se mistura com o canto e com a percussão ao vivo — combinação muito parecida com a da capoeira. Você só precisa vestir uma roupa que permita a execução dos movimentos, estar em um local espaçoso e separar uma garrafa de água. “A metodologia da aula começa com um aquecimento bem intenso, que já trabalha todos os fundamentos da dança afrobrasileira”, explica Gabriela Marques. 

Depois, são formadas duas filas. A professora puxa o passo, e as alunas atravessam a sala de duas em duas experimentando a gestualidade proposta pelo movimento. “Para consolidar o aprendizado, montamos uma coreografia. Por fim, há um alongamento final com canto”.

Ficou com vontade de experimentar? Confira uma das aulas compartilhadas no Instagram da Cia:  

Continua após a publicidade
-
Matheus Wohlenberg/BOA FORMA