O ritmo dos exercícios pode impactar a queima de gordura; entenda como não errar
A pressa no treino pode mudar completamente o efeito do exercício no corpo
A velocidade de execução é um dos fatores que mais geram dúvidas no treino, especialmente quando o objetivo é emagrecer. Fazer os exercícios mais rápido parece, à primeira vista, uma estratégia para gastar mais energia, mas a relação entre ritmo, gasto calórico e uso de gordura é mais complexa do que apenas “acelerar o movimento”.
No treino de força, por exemplo, a execução “controlada” costuma aumentar o tempo sob tensão e a ativação muscular, o que tende a elevar a demanda metabólica ao longo da sessão.
Um estudo publicado na Motriz: Revista de Educação Física, mostrou que repetições mais longas no supino aumentaram a ativação muscular, e a resposta de lactato quando os protocolos foram pareados, sugerindo maior estresse metabólico quando o movimento não é feito “no automático”.
Então fazer rápido queima menos gordura?
Não é tão simples porque a queima de gordura depende de intensidade real, duração do treino, condicionamento e dieta. Mas existe um ponto importante: quando você acelera demais e perde a técnica, parte do esforço vira impulso, e não contração eficiente.
Além disso, a velocidade/tempo da repetição influencia o quanto você consegue carregar e o trabalho total do treino. Em um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research, um tempo mais rápido (2/0/2) permitiu usar cargas maiores e fazer mais trabalho total do que um tempo mais lento (2/0/4), com respostas hormonais agudas semelhantes.
Ou seja: nem sempre “mais lento” é melhor, mas “rápido demais e bagunçado” também não é vantagem.
Treino rápido pode ser ótimo, mas depende da proposta
Treinos como HIIT funcionam porque são estruturados: você faz picos intensos alternados com recuperação, mantendo o estímulo alto sem “desmontar” o movimento. Sobre o efeito depois do treino, uma meta-análise publicada na Revista Brasileira de Medicina do Esporte comparou protocolos e reforça que sessões mais intensas tendem a gerar maior EPOC do que treinos contínuos moderados, embora isso varie conforme o desenho do treino.
HIIT ou Cardio: qual queima mais gordura?
Como encontrar o equilíbrio entre ritmo e eficiência
Na prática, a velocidade do exercício deve estar a serviço da técnica e do objetivo do treino. Execuções excessivamente rápidas tendem a reduzir a amplitude do movimento, favorecer compensações articulares e diminuir o recrutamento do músculo-alvo, o que impacta diretamente a qualidade do estímulo.
Em vez de priorizar a pressa, estudos sobre tempo de execução indicam que o controle do movimento favorece a eficiência do exercício. Uma pesquisa publicada no Journal of Strength and Conditioning Research, mostrou que ritmos mais controlados aumentam o tempo sob tensão muscular e melhoram a qualidade do estímulo, contribuindo para resultados mais consistentes ao longo do tempo.





